Senador Flávio Bolsonaro foge com a família do Brasil passando pela Argentina, Equador e chega aos EUA onde se declara “presidente eleito do Brazil”/ Foto: RS/Fotos Públicas
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Vamos aos fatos, rapaziada.
Que não sou de fugir do assunto.
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1 –
Frequentei o Restaurante “O Rei do Frango Assado”, na rua Lord Cockrane, no bairro do Ipiranga, fartei-me a valer de nacos e mais nacos da bem temperada sustança dos galináceos – e, confesso, nunca me dei ao trabalho de perguntar ao Sr. Queiroz, o proprietário do estabelecimento, de onde veio a outorga do referido e pomposo nome.
É bem verdade que, nas manhãs de domingo, ali pela hora do almoço, era quilométrica a fila para comprar a deliciosa especiaria.
Havia lá seus méritos para reivindicar tal realeza.
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Pois então, leitores meus.
Não gosto de radicalizar por isso e aquilo.
Mas, tenho lá meus pecadilhos, confesso.
Dou-lhes um por exemplo.
2 –
Ainda no segmento da gastronomia, mesmo hoje me é divertido lembrar o dia em que encontrei o amigo – e também jornalista e professor – Marceleza num congresso de comunicação social em Brasília. Combinamos jantar numa churrascaria daquelas famosas que existem ali nas proximidades do Lago Paranoá.
Caí na esparrela de vestir um paletó para o tal encontro.
Foi o suficiente.
Assim que chegamos ao restaurante, deu a louca no Marceleza.
Ele só me tratava como “excelência”.
Começou logo na entrada quando a jovem simpática nos atendeu.
“Por favor”, disse ele, “uma mesa para a excelência”.
Falou e olhou pra mim.
Desconfiei, mas imaginei ter ouvido mal.
Assim que um garçom se aproximava de nós, o Marceleza tascava essa, sempre em minha direção:
“Excelência, vai beber o quê?”
“Alguma carne de preferência, excelência?”
“Picanha com alho, excelência?”
Excelência para cá, excelência para lá — e, num dado momento, não me contive e perguntei.
“O que está acontecendo, Marceleza? Que história é essa, de excelência?”
A resposta, os leitores mais atentos já sabem, não?
“Fica na boa, Rodolfão. Com esse paletó, você está com pinta de deputado, o pessoal da casa vai caprichar no atendimento. E a gente ainda bota uma banca de bacana.”
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3 –
Meus caros, raros e preclaros.
O que posso lhes dizer?
Fui presa fácil, algo inconsequente e cúmplice da patacoada do Marceleza.
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Perdoem-me, pois.
Não estou, portanto, em condições de hoje julgar autoproclamações e golpismos alheios.
Só uma coisa eu lhes digo: quase 60 milhões de brasileiros bateram palma para o maluco dançar.
Votaram em quem toscamente se autoproclama presidente eleito do Brazil, com Z.
É esse desvario coletivo que hoje – na verdade, de algum tempo – mais me assusta.
Verdade verdadeira.
O Brazil continua sem conhecer o Brasil.
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TRILHA SONORA
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