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A Bandidinha e o Peguete

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Foto: cena do filme Manhattan, de Woody Allen/Divulgação

Nunca soubemos o que, na verdade, tinham em comum, onde se conheceram ou mesmo como tudo começou.

Dá para dizer que eram ‘pra lá de amigos’, se é que vocês me entendem.

Rumores naquele boteco da rua Bom Pastor davam conta que se viam, de quando em quando, sem qualquer tipo de cobrança e, menos ainda, faziam projetos de um amanhã juntos.

Divertiam-se – e ponto e basta.

Depois dos encontros, voltavam à vida real. Livres, leves e soltos.

Lá do jeito deles, arrisco dizer que bastantão se gostavam e viviam o bom momento.

“Ah, já sei, como dizem, eram ficantes, amigos-casuais.”

Calma, amigo leitor, guarde o palpitômetro. Não se precipite, sem pitacos, por favor.

Eles próprios evitavam qualquer tipo de rótulo para o que viviam.

Ok?

Sigamos.

Pelo que sei e ouvi pelaí, naquelas horinhas distraídas, ela o chamava de “meu peguete”.

(Dava uma ênfase prazerosa no pronome possessivo.)

Ele, por sua vez, era, digamos assim, mais objetivo.

Preferia intimamente nomeá-la com o inexorável codinome composto: “vem cá, minha bandidinha”.

Coisas deles, no luscofusco das quatro paredes.

Sem juízo de valores, por favor.

Digo apenas que, entre a cambada de chinfrins do boteco, o consenso era de que em nada combinavam.

Ela era (não sei se ainda é) um tanto descolada, tipo Vila Madalena, simpatizava com as causas à esquerda e adorava os filmes de Woody Allen (antes dos escândalos todos, vale dizer).

Já Pimpão fazia o tipo conservador.

Dizia-se um homem de centro (ainda hoje não sabemos se na ideologia ou no baticum religioso) e se autoproclamava um inveterado romântico. Gostava de boleros, acredita? Luiz Miguel, Lucho Gatica, Trio Los Panchos, mas debulhava-se em lágrimas ao ouvir “maior de todos”: Júlio Iglesias.

Então, camaradinhas e digníssimas, conto-lhes uma historinha antiga…

“De antes da pandemia?”

…É, de antes da pandemia (ô leitor, palpiteiro, sô).

Bem antes, amigão.

Pouco (ou nada) sei o que levou ao distanciamento entre o Peguete e a Bandidinha.

Sei, no entanto, que, nesta semana, a moça leu, num desses sites de celebridades que o cantante Júlio Iglesias, aos 81 anos, está recluso em sua mansão em Miami, com graves problemas de locomoção.

Ficou penalizada e, no ato, a Bandidinha pensou no caso antigo – e não teve como não ficar assim, diria, saudosa dos bons tempos da pegada do peguete.

Para onde nos leva essa profusão de notícias?

Não sei se houve aí o tal fenômeno da sincronicidade,

Mas, curioso, não é que, madrugada insone dessas, ao zapear à procura de um filme num desses apps tão em moda, o distinto e ex-Peguete não bateu os olhos numa produção de Woody Allen – e, por Júpiter!, deu de remoer-se em recordar a Bandidinha.

Não, meus caros e preclaros leitores (o falador, inclusive), o moço não chegou a tanto.

Desistiu do filme e, conformado, optou por ouvir um daqueles boleros rasgados e dilacerantes.

Aquele que diz:

“Contigo em la distancia amada mia, estoy”.

Era o que tinha para o momento.

NOTA DO DISCOTECÁRIO DE PLANTÃO:

Não encontramos a versão de Júlio Iglesias para a música. Optamos, pois, pela versão de Luiz Miguel:

Ainda nenhum comentário.

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