Foto: Palmeiras/Divulgação
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Ademir da Guia
por João Cabral de Melo Neto
Ademir impõe com seu jogo
o ritmo do chumbo (e o peso),
da lesma, da câmara lenta,
do homem dentro do pesadelo.
Ritmo líquido se infiltrando
no adversário, grosso, de dentro,
impondo-lhe o que ele deseja,
mandando nele, apodrecendo-o
Ritmo morno, de andar na areia,
de água doente de alagados,
entorpecendo e então atando
o mais irrequieto adversário.
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3 de abril. A data deveria ser feriado interplanetário para os palestrinos.
É aniversário do genial Ademir da Guia, eterno camisa 10 do Verdão, o maior ídolo da nossa gloriosa história prestes a completar 111 anos.
Meninos, eu vi Ademir jogar.
Sorry periferia e falastrões…
Eu o cultuo na mesma e inatingível prateleira de soberbos meio-campistas brasileiros como Didi e Jair da Rosa Pinto.
Não foi titular na seleção de 74 porque o carioquismo exacerbado de Zagallo não o quis no Mundial da Alemanha.
Lamento dizer, mas foi assim.
Não me venham com jurumelas, pois não aceito discutir o tema – e ponto e basta.
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Hoje é dia de festa.
Então…
Vida longa ao Divino.
Parabéns!
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O que você acha?