Foto: Reprodução TV Palmeiras/ Sala de Troféus
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Permitam-me imaginar a plêiade de senhores – Aldo, Carlito, Garófalo, Patara, Armando, Floriano, Milton, Arlindo, entre outros – a cortar as alamedas divinas entoando uma velha canção…
Meu periquitinho verde tira sorte, por favor.
Eu quero resolver esse caso de amor…
Certamente, a esta altura do tempo – embora lá, no Céu onde estão, não haja nem altura, nem tempo que é uma convenção dos mortais –, eles já atiraram para o ar os chapéus Ramenzzoni, afrouxaram o nó clássico das gravatas, penduraram o paletó de corte perfeito em algum cabide de nuvem e caíram na gandaia mais do que merecida.
Até porque sempre souberam: a verdade um dia seria restabelecida em toda sua magnitude. Afinal, estão no Céu, um lugar de gente sábia e virtuosa. Aliás, se minha alma nostálgica estiver certa, o Aldão, meu pai, já terá dito:
— Antes tarde do que nunca .
No que o Armando, de imaginários cabelos retintos para esconder os imaginários grisalhos que já não existem, lembrará:
— Aquela viagem foi mesmo inesquecível, camaradas.
Patara, o despachante, irá ponderar:
— Pena que o Rio de Janeiro não é mais o mesmo. Dizem que lá acontecem coisas escabrosas.
No que o joalheiro Floriano prontamente rebaterá:
— O mundo não é mais o mesmo. Mas, hoje, não é dia de tristeza, gente.
E o velho Felipe Garófalo, o cantor, retomará a marchinha de um antigo Carnaval, que se fez hino daquela e de outras gentes.
Meu periquitinho verde tira sorte, por favor.
Eu quero resolver esse caso de amor.
O que esses circunspectos senhores estão comemorando?
Ora, ora meus cinco fiéis leitores…
Comemoram a notícia do dia, do ano, do século, do milênio:
PALMEIRAS, CAMPEÃO DO MUNDO.
Primeiro e único.
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* TRECHO DA CRÔNICA Meu Periquitinho Verde, de março de 2007, que publiquei, aqui no Blog, a partir da divulgação, por parte da FIFA, do reconhecimento oficial da Copa Rio de 1951 como o primeiro campeonato mundial interclubes de futebol.
Esclareço o motivo que me levou a escrevê-la: uma terna lembrança dos meus tempos de infância.
O pai e os italianos e oriundi, amigos do pai, se reuniam no Bar Astória, no Cambuci, para festejar a vida. Jogavam Patrão e Sotto, recordavam as coisas da Itália, bebiam um tanto, cantavam as tais cancionetas napolitanas e se divertiam ao rememorar a história de vida de cada um e de todos.
Uma das histórias mais lembradas era, por óbvios motivos, a conquista da Copa Rio de 1951 que o grande Thomaz Mazzoni, de A Gazeta Esportiva, reverenciou com a manchete:
Palmeiras, Campeão do Mundo.
Muitos daqueles senhores acompanharam a conquista alviverde no Maracanã (empate com o Juventus da Itália, em 2×2).
Um feito histórico, e inesquecível.
Não tenho certeza se o Aldão fez parte da trupe que viajou para o Rio. Uns dias ele dizia que sim, outros desconversava – especialmente quando a Dona Yolanda, minha mãe, estava por perto.
Sei que um dos xodós do saudoso Velho Aldo era o lenço comemorativo (foto acima) que ainda hoje guardo com carinho e infinita saudade…
Clique AQUI para ler a íntegra da crônica Meu Periquitinho Verde.
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O que você acha?