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Escrever. Ofício e circunstâncias

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Foto: Arquivo Pessoal

“Cada escritor vive suas circunstâncias.”

A frase é do professor Bernardo Kucisnki, com a experiência de quem tem 88 anos.

Kucisnki falou a Walter Porto, da Folha de S. Paulo, na primeira semana deste 2026 que se faz deafiador.

….

Disse mais:

“O motivo para escrever vai mudando. E eu diria que hoje é uma maneira de eu sobreviver. De me manter intelectualmente ativo”.

A reportagem Bernardo Kucisnki, autor tardio de ficção, diz escrever para sobreviver aos 88 anos foi publicada em 9 de janeiro – e me fez pensar nessa minha lida de escrevinhações e de tocar o Blog ainda que sem talento e sem qualquer pretensão.

Dias atrás, dia 20 para ser exato, ainda não havia retomado à rotina das escrivinhações, topei com o artigo da professora e antropóloga Mirian Godenberg na mesma Folha de S.Paulo:

A arte de escrever para não morrer.

Ela cita outra das minhas referências, o professor e escritor Rubem Alves (1933/2014), em sua crônica Despedida, a última que fez para a seção Cotidiano do mesmo jornal. Foi publicada em 1° de novembro de 2011.

Escreveu então o mestre, e Goldenberg oportunamente transcreveu

“Essa crônica é uma despedida. Resolvi, por decisão própria, parar de escrever… Devo ter perdido o juízo… Fernando Pessoa tem um poema que diz assim: ‘Tenho dó das estrelas luzindo há tanto tempo, tenho dó delas…’ E ele se pergunta se ‘não haverá um cansaço das coisas, de todas as coisas…’ Respondo: Sim. Há um cansaço. A velhice é o tempo do cansaço de todas as coisas. Estou velho. Estou cansado. Já escrevi muito. Mas, agora, meus 78 anos estão pesando. E como acontece com as estrelas, há sempre a obrigação de brilhar. A obrigação: é isso o que pesa”.

Não preciso dizer, mas digo: as considerações da professora me fazem ainda mais contemplativo. Comigo mesmo e com as minhas convicções sobre o inexplicável ofício de enfileirar letrinhas, após de letrinhas.

A quem ainda pode interessar as bobagens que escrevo?

Sou das antigas. “Um cronista de jornal sem jornal, pois já não ĵos há como dantes” – definiu-me certa vez o amigo Escova quando, nos moldes de Aristótoles, caminhávamos pelas ruas do Sacomã, discutindo o mundo e suas estranhezas.

Pois então, meus caros e raros…

Ontem a coluna de domingo, do notável Ricardo Kotscho, deu o mote que eu precisava para o post/crônica de hoje:

No tocante artigo Quando chega a hora de começar a pensar em parar de escrever, ele confessa:

“No meu caso, não se trata de uma escolha, mas de uma questão de sobrevivência, literalmente: ainda não posso nem pensar em parar de escrever porque vivo disso desde os 16 anos, não sei fazer outra coisa e não tenho outra fonte de renda. A aposentadoria do INSS, após 61 anos de trabalho como jornalista, não dá para pagar nem o plano de saúde”.

Vou lhes dizer…

Março agora completo 52 anos do meu primeiro registro, em carteira, como jornalista profissional.

Desde então, com raríssimas pausas, me fiz repórter que entendo ser a essência da função do jornalista.

Mesmo quando lecionava na Universidade – curso de Jornalismo – não abri mão de colaborar para este ou aquele veículo e/ou cometer a ousadia de publicar livros e coletâneas.

Em setembro de 2006, veio o Blog e a história que os amigos leitores tão bem conhecem.

Óbvio que não tenho – e nunca tive – a cintilância estelar dos autores supracitados, mesmo assim posso lhes dizer, vez ou outra, assalta-me a dúvida:

Por que insisto nesse toc_toc_toc sem fim?

Aliás, de minha parte, lido com o dilema diariamente.

Enfim…

Escrevo por escrever.

E insisto por alguma razão que não sei bem explicar. Mas, que me parece ser algo próximo ao sonho e ao acreditar.

Sigamos…

TRILHA SONORA

Sugestão do amigo e sempre_

vereador Almir Guimarães.

Desconfio que um tantinho de romance sempre melhora as coisas

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