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Grafites que gritam nossa paulistanidade

Foto: Jô Rabelo

1.

Moro em São Bernardo do Campo há mais de 40 anos. Num prédio antigo, bem próximo da via Anchieta. O que me permite acompanhar, em horas vadias, o ir_e_vir dos carros da sacada do apartamento no 19° andar.

Conto-lhes uma memória.

Fiz do exíguo espaço (metro e meio, se tanto), acreditem, o refúgio naqueles terríveis tempos da pandemia. Daqui, nesse meu quadrado onde agora estou, olhava o mundo ao redor. Sempre apreensivo, à espreita do que pudesse acontecer. As ruas e praças vazias, um ou outro carro a circular pela Anchieta e, lá longe, acompanhava admirado as esparsas decolagens dos aviões no aeroporto de Congonhas.

Verdade. Ficava horas assim. À espera dos audazes senhores dos céus.

Explico. Ou tento.

Quando o dia se faz claro e límpido, é possível enxergar as partidas das aeronaves quando ganham certa altura. Primeiro enxergamos um breve feixe de luz. Que, instantes depois, sempre a subir, toma forma e, em dois ou três minutos, o “bichão” passa, altaneiro e sólido pássaro de prata, sobre nossas cabeças.

Hoje em dia, não tenho mais as manhas.

Vez em quando, saio à sacada, e me é inevitável alongar o olhar, esmaecido e algo saudoso, para além da linha do horizonte, onde, distante, imagine ver a esfinge da cidade onde nasci e que me é ainda hoje imprescindível.

São Paulo.

Sampa, na poética versão caetaneana.

Paciência comigo, meus caros e preclaros leitores.

Estou na bica de completar 75 anos – e, digamos, ando mais sensível a afetos e memórias.

Mas, creiam, se é que ainda estão por aí, há um bom motivo para as platitudes que hoje lhes digo.

Recebi semanas atrás uma coleção de imagens que trazem um sensível retrato da metrópole.

São fotos assinadas pela amiga e repórter_fotográfica Jô Rabelo que, registre-se, mesmo longe, colabora com as ilustrações do nosso humilde Blog desde o início, em 2006.

A partir do momento em recebi as fotos, penso na oportunidade de compartilhar com os amigos que me leem.

Contrinuam aí, né?

Pois, vou lhes dizer.

É hoje o dia.

Separei uma primeira leva das imagens.

São grafites que gritam nossa essência da nossa paulistanidade (existe o termo?).

Revelam os contrastes da cidade que não pára, não dorme, nem sempre se compreende.

Da cidade que resiste.

Da cidade de cada um de nós, presentes_ausentes, paulistanos de todas as origens, de todas as crenças, de todas as nacionalidades, de todos os quereres.

Da cidade que, como nos ensinou Rita Lee, sua mais completa tradução, onde o amor “é imprevisível, como eu, como você e…

o céu”.

(Valeu, Jô! Gratíssimo pela atenção e afetuosa colaboração. Meus sinceros e infinitos agradecimentos.)

Confiram a GALERIA!

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TRILHA SONORA

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