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Inflação ou deflação: nada muda para nós

01. Há uma palavra em moda no Brasil de hoje: deflação. Explicando no popular, significa dizer que os preços dos produtos ao consumidor estão em baixa. Para que fique claro, deflação é o contrario de inflação. Tal fenômeno não ocorria entre nós — por duas vezes consecutivas, considerando índices equivalentes a períodos de 30 dias — desde junho de 1957 ainda nos festejados anos dourados do Governo JK. Trata-se de um indicador para ser festejado, especialmente para um País onde a inflação era apontada como causa única de todos os males sociais e não raras vezes beirou o dígito estarrecedor de 2 mil por cento anuais. Agora, os economistas de Brasília preparam urras para comemorar a inflação zero em dezembro (apesar do aumento dos combustíveis) e algo em torno de 6 por cento de inflação anual. O monstro, ao que parece, está sob controle…

02. Repare, caro leitor, que as comemorações por tal proeza restringem-se aos arredores da área econômica do Governo FHC. Nos demais segmentos da sociedade, porém, o momento é de apreensão apesar da euforia das festas — e compras — deste final de ano. E esse é o indicador que fala mais alto junto à alma da gente brasileira. A suspeita de que um ano se encerra e, mais uma vez, nossas aflições cotidianas (saúde, educação, emprego, habitação, reforma constitucional, a questão agrária…) continuam inalteradas e sem solução nos remete a um 97 repleto de expectativas e, óbvio, temores. É certo que cumprimos nossa parte. Mas é certo também que políticos e governantes ainda estão por merecer nossa plena confiança. As palavras, entre os chamados homens públicos, nem sempre se afinam com a realidade que se tem nas ruas e em casa.

03. Nada muda para nós. A inflação levava a tudo e a todos a bancarrota. Pois bem. Conseguimos domá-la – e nada mudou. Estamos em deflação – e tudo continua na mesma. Curioso frisar que, mesmo entre os economistas da FIPE, há quem aponte esse fenômeno como um fator negativo para a Economia do País. Argumentam que, se o consumidor final pode dar vivas pelo preço menor, o mesmo não acontece com o setor produtivo que estaria "queimando" suas fichas para se manter em pé. Quer dizer: funcionando, dando empregos, movimentando o comércio e o setor de serviços, alavancando, assim, sua contribuição social. Faz sentido, especialmente ao se constatar os índices de falências e concordatas. Mas, por que será que só agora nos avisam disso?

04. De qualquer forma, estamos aí, firmes e fortes, com a velha profissão de fé do brasileiro, exercitando a esperança e a crença de que tudo vai melhorar. Temos andado a passos miúdos, com nossa frágil democracia, mas estamos seguindo em frente. Aprendemos com as duras lições que as decepções nos trazem. Apuramos nossa consciência e senso de cidadania. O sonho persiste. A Nação de todos os brasileiros há de vingar a partir de nosso trabalho e quando todos puderem influir efetivamente no destino que lhe cabe e que lhe é de direito. Já temos arraigado em nós o sentido de que já é hora de sermos protagonista em nossa própria história. Afinal, alguém já ensinou, "o tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém…". Feliz Natal, caro leitor.

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