Sign up with your email address to be the first to know about new products, VIP offers, blog features & more.

Monark, aro 22

Posted on

Foto: grafite numa rua de Praga, 2010/Arquivo Pessoal

Um amigo de infância, o Sr. N (vamos chamá-lo assim. Nestor não quer entregar a idade), garante e dá fé:

Conheceu e vivenciou minha possante Monark, aro 22, breque no pé, comprada pelo Sr. Aldo, meu querido pai, no depósito de ferro-velho que existia na rua Muniz de Souza, imediações da ladeira da rua Mazzini, Cambuci, São Paulo, Brasil, Mundo.

À época, eu e o Sr. N (namorada nova, Nestor?) deveríamos ter onze pra doze anos.

A Monark era um bem, digamos, comunitário.

Meus amigos, os moleques da turma de malacabados da Muniz de Souza, davam suas voltinhas com ela enquanto era minha vez de bater bola nos rachas de então. Três times, vai a dois, quem ganhar fica, quem perder, espera…

Lembro agora os mais chegados, com os quais eu partilhava a possante: o Claudinho Zeola, o Betão e o referido Sr. N. Amigos de fé, bola e matinê no Cine Riviera.

O bom Sr. N, que vive distante e não vejo há uma eternidade, faz importantes adendos ao que escrevi no post de ontem (Bobagens e bandeirolas ao vento).

A saber: aros e guidão estavam com algum ferrugem, como eu disse. Mas, acrescenta, “neles, demos um jeito com auxílio de uma boa lavada com sabão de coco e uso de grossa palha de aço que existia então”.

Não me recordo bem dessa proeza.

Mas, se o Nestor (ops… o Sr. N) disse no zap, está dito e bem dito.

Lembrou outro detalhe importante.

Não ficou o primor.

“Ficou digna, sim. Deu para o gasto.”

O problema não era o breque ser no pé, o que nos permitia caprichar numas emocionantes derrapadas em curvas, ladeiras e outras radicais manobras.

A questão, ressalta ele em tom crítico:

“Era a roda traseira. Frouxa, torta, e bamba que nem mesmo o melhor bicicleteiro do Cambuci, o Ferreti, da rua Sinimbu, deu jeito.

Quando passávamos feitos bólidos com a Monark rumo a qualquer aventura, alguém sempre comentava, em voz alta e risos:

“Lá vai o roda-solta!”

Não dávamos a mínima.

Nem sequer olhávamos para trás.

Seguíamos em frente que, de resto, foi o que fizemos, cada qual à sua maneira, vida afora.

Ah, esses cordiais amigos, os rodas-soltas, onde andam?

A trilha sonora de hoje: uma reverência ao escritor, poeta e compositor Antônio Cícero que nos deixou nesta semana, e se fez lembrança e saudade. Era irmão e cúmplice de Marina Lima nessa fulgaz jornada denominada “Vida”.

*Sobre a morte admirável e digna de um poeta, e sua permanência

*Antonio Cicero deixa 130 composições; veja as 10 mais ouvidas da última década

Ainda nenhum comentário.

O que você acha?

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verified by ExactMetrics