Foto: Arquivo Pessoal
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Momento nostalgia.
Busco numa antiga agenda de viagem o telefone de um velho amigo.
Não o vejo, se bobear, desde o século passado – e outro amigo, também desaparecido, agora reaparece no zap e pergunta: “por onde anda o Artúlio?
Não faço ideia, respondo ao Clóvis.
Sei que dei o nome dele a um dos personagens do meu primeiro romance ‘O que o Tempo leva…’.
No livro, Carlos Artúlio é o ermitão da montanha.
Serve?
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Ao fuçar no caderninho, não encontro referência qualquer sobre o verdadeiro Artúlio. Mas, me surpreendo com um achado inesperado: o recorte de jornal com um breve comentário que fiz sobre um álbum de Dorival Caymmi, de nome “Milagre” lançado em 1981.
Vejam o que escrevi:
Milagre – Dorival Caymmi (Polygran) – Luxuoso álbum, com quatro elepês, mais encarte biográfico, que encerra a excelente obra do baiano Dorival Caymmi. Além do compositor, participam como intépretes: Gal, Chico Buarque, Quarteto em Cy, Dick Farney, MPB-4, Sylvia Telles, Nana Caymmi, João Gilberto, Gil, Caetano, Marília Medalha, Nara Leão, Márcia, Tom Jobim e Elis. No repertório, preciosidades como “Só Louco”, “Das Rosas”, “Marina”, “O Bem do Mar”, “Saudades da Bahia” e “Oração à Mãe Menininha”. Para os cultores da MPB, um trabalho de inquestionável valor.” (RCM)
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RCM sou eu.
Assim que eu assinava as resenhas mais curtas.
Sinceramente, acho que o trabalho do grande Caymmi merecia destaque maior.
De qualquer forma, creio, valeu e ainda vale a indicação.
Deve estar fora de catálogo, mas na internet hoje se encontra de tudo.
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Olaiá…
Deu vontade de ouvir Caymmi. Mas, pra variar, não encontro o álbum entre os meus guardados.
Um dos meus raros arrependimentos na vida… Me desfiz da minha coleção de discos de vinil, pois não dava conta de conservá-los em bom estado. Eram muitos e muitos.
Não me perdoo pela negligência.
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Artúlio era assessor de imprensa da RCA Victor.
Eu e o Clóvis escrevíamos sobre música popular.
Foi um tempo bom. Que deixou saudade.
Fico ainda mais nostálgico do que já sou naturalmente.
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Termino com a boa notícia de que o Clóvis conseguiu localizar o Artúlio – e, dia desses, vamos encontrá-lo na velha padaria nas imediações da rua Dona Veridiana.
Só me assalta uma dúvida.
Será que digo a ele que virou nome de personagem de um romance inacabado?
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O que você acha?