O senador José Serra participou de um evento em Barueri, na manhã deste sábado, e fez uma declaração forte: “a situação do País está pior do que a de 1964”. Ele defendeu uma ampla reforma política, a implantação do parlamentarismo e do voto distrital misto “para salvar a democracia brasileira”.
Não exatamente com essas palavras, mas ressaltou que, àquela época, tínhamos clareza dos lados – e dos interesses – que se enfrentavam. Hoje, a coisa toda está muito confusa e se põe em risco algo essencial a toda democracia que é a atividade política.
Concordo com a análise do senador, mas tenho lá minhas observações a fazer.
Serra não fez qualquer méa-culpa. Esqueceu o tanto de responsabilidade que o PSDB, seu partido, tem em arrastar o Brasil para a débâcle que hoje vivemos. Temos um governo ilegítimo, pífio que desmorona a cada ato, a cada delação premiada, a cada pronunciamento oco. Um governo recheado de figuras suspeitas a começar pelo presidente que não se sustenta em pé, seja no âmbito interno (segundo o Datafolha, apenas 7 por cento da população ainda o apóiam), seja no âmbito externo (basta ver o vexame que foi a recente viagem do Ilegítimo à Rússia e Noruega, onde tomou alguns pisos da primeira ministra, Erna Solberg, por não combater a corrupção e não conter o desmatamento da Amazônia).
O senador, a bem da verdade, repete a cantilena de todo político. Eles se eximem de qualquer culpa, anunciam as melhores intenções, mas, de prático, não querem largar o osso. Clamam por mudanças quando pretendem mesmo que tudo permaneça como está com a tigrada-amiga no comando.
No meio dessa catástrofe toda, quem paga a conta somos nós, o povão, o zé-ninguém. Os que não têm voz, os que não têm vez.
“Sempre foi assim”, alguém dirá.
Pois é, meus caros…
O que temo é que, se não nos defendermos agora – forçando a imediata renúncia do Ilegítimo e proclamação, para breve, de eleições gerais –, assim sempre será.
Uma observação final.
Como bem mostra a nossa história, não acreditem no ditado que diz: "Pior do que está não fica". Do jeito que vamos, esse poço parece não ter fundo…