{"id":10001,"date":"2000-09-03T00:00:00","date_gmt":"2000-09-03T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-13T19:52:56","modified_gmt":"2017-09-13T19:52:56","slug":"o-grito-de-independencia-do-museu-do-ipiranga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-grito-de-independencia-do-museu-do-ipiranga\/","title":{"rendered":"O grito de independ\u00eancia do Museu do Ipiranga"},"content":{"rendered":"<p>Confundida com o s\u00edmbolo da soberania nacional e independ\u00eancia, a institui\u00e7\u00e3o que amea\u00e7ava ruir em 1994 hoje se equipara em import\u00e2ncia e freq\u00fc\u00eancia aos dois principais museus brasileiros<\/p>\n<p>Entre 20 mil e 25 mil visitantes devem passar pelas catracas de entrada do Museu do Ipiranga at\u00e9 quinta-feira, 7 de setembro. Um n\u00famero significativo, que vem aumentando a cada ano, especialmente depois de conclu\u00eddo o amplo restauro do pr\u00e9dio centen\u00e1rio, que amea\u00e7ava ruir em meados de 1994. Foram gastos nada menos de R$ 7 milh\u00f5es, com o apoio da iniciativa privada e de movimentos comunit\u00e1rios. E, em setembro de 1998, o Museu Paulista da Universidade de S\u00e3o Paulo (seu nome oficial) exibia-se totalmente revitalizado, com novas alas e informatizado. Hoje, equipara-se, em import\u00e2ncia e freq\u00fc\u00eancia, aos dois principais museus brasileiros: o Imperial de Petr\u00f3polis e o Hist\u00f3rico do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Apesar da legi\u00e3o de visitantes, uma aus\u00eancia vai se fazer sentir. Ser\u00e1 a primeira Semana da P\u00e1tria sem o professor Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Witter, que deixou a dire\u00e7\u00e3o do museu em dezembro de 1999 e foi o principal respons\u00e1vel pelo que denominou de<br \/>\njornada \u00e9pica. Mas o pr\u00f3prio Witter assegura que n\u00e3o h\u00e1 motivos para tristeza. Primeiro, porque a atual diretora, Raquel Glezer, est\u00e1 fazendo uma \u00f3tima administra\u00e7\u00e3o. E porque a sensa\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o cumprida \u00e9 reconfortante.<\/p>\n<p>&#8220;Deu um trabalho enorme&#8221;, diz Witter.&#8221;Mas eu me sinto um privilegiado por ter estado no lugar certo, na hora exata. Com meu jeit\u00e3o marqueteiro e inquieto, somei for\u00e7as ao meu lado e realizei o que considero a grande obra da minha vida.<br \/>\nNo ano em que completaria um s\u00e9culo, o Museu do Ipiranga vivia um momento cr\u00edtico. T\u00e3o cr\u00edtico que as torres leste e oeste corriam o risco de desabar. Quase todas as alas e depend\u00eancias apresentavam problemas cr\u00f4nicos e a constru\u00e7\u00e3o, que era confundida com o s\u00edmbolo da soberania nacional e independ\u00eancia, precisava de uma grande reforma, urgente&#8221;.<\/p>\n<p>O estuque, desabando<\/p>\n<p>Maior exposi\u00e7\u00e3o do Museu Paulista como institui\u00e7\u00e3o viva. Com esta proposta acad\u00eamica, o professor Witter assumiu a fun\u00e7\u00e3o de diretor e, a partir de janeiro de 1995, deu \u00eanfase ao seu projeto mais ousado: a reforma do pr\u00e9dio. Ainda na posse, esbo\u00e7ou os primeiros contatos com lideran\u00e7as regionais (movimentos populares, clubes de servi\u00e7os, associa\u00e7\u00f5es, sociedades amigos de bairros, entidades representativas da OAB e da Associa\u00e7\u00e3o Comercial) e tamb\u00e9m representantes de entidades educacionais da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Em 24 de janeiro, reuniu diversas personalidades do mundo pol\u00edtico e empresarial, al\u00e9m dos grandes nomes da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). O objetivo era sensibilizar o ministro da Cultura, Francisco Weffort, presente ao encontro, para a gravidade da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Witter lembra que se deu conta da decad\u00eancia do museu quando foi surpreendido por uma lasca do estuque do teto que caiu a poucos metros de dist\u00e2ncia. Ele j\u00e1 havia sido advertido por seu antecessor, professor doutor Ulpiano Toledo Bezerra de Menezes, de que a subida das escadarias havia apresentado problemas no ano anterior &#8211; \u00e0s v\u00e9speras do 7 de setembro, ca\u00edram v\u00e1rios fragmentos na entrada principal.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o era poss\u00edvel esperar mais&#8221;, recorda.<\/p>\n<p>A tarefa herc\u00falea da restaura\u00e7\u00e3o extrapolaria o empenho de todos os integrantes do Museu. Contaria com um esfor\u00e7o coletivo de todos segmentos pr\u00f3ximos \u00e0 institui\u00e7\u00e3o &#8211; a comunidade local, os \u2018uspianos\u2019, setores educacionais, o empresariado e autoridades ligadas \u00e0 Cultura e \u00e0 Educa\u00e7\u00e3o dos tr\u00eas poderes.<\/p>\n<p>Car\u00e1ter emergencial<\/p>\n<p>De janeiro de 1995 a mar\u00e7o de 98, quando foram inauguradas novas alas subterr\u00e2neas, o Museu Paulista passou pela mais importante reforma de sua hist\u00f3ria. Com custo aproximado de R$ 7 milh\u00f5es, o trabalho restaurou todas as depend\u00eancias, detalhe por detalhe.<\/p>\n<p>A maior preocupa\u00e7\u00e3o era com as torres laterais, comprometidas por infiltra\u00e7\u00f5es de \u00e1gua e pelo descaso de anos e anos. Durante a realiza\u00e7\u00e3o do espet\u00e1culo Luz e Som, nos anos 70, essas torres serviram de suporte para um pesado maquin\u00e1rio que inclu\u00eda holofotes e caixas de som. Os danos foram consider\u00e1veis. E o professor conclui: &#8220;\u00c0s v\u00e9speras da minha primeira Semana da P\u00e1tria como diretor, em 95, pequenos fragmentos do teto continuavam caindo. Providenciamos um andaime de sustenta\u00e7\u00e3o e entendi que o restauro tinha car\u00e1ter emergencial&#8221;.<\/p>\n<p>Os cem anos de sua hist\u00f3ria pesaram, explica o professor: &#8220;Houve um desgaste natural, al\u00e9m de algumas interven\u00e7\u00f5es inadequadas. Tamb\u00e9m as dificuldades de manuten\u00e7\u00e3o pela falta de recursos come\u00e7avam de forma lenta, mas ininterrupta, a amea\u00e7ar a estabilidade f\u00edsica do edif\u00edcio. Cansei de ouvir express\u00f5es como \u2018aquela goteira est\u00e1 fazendo mais um anivers\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>A queda de partes do forro da entrada monumental n\u00e3o s\u00f3 denunciava o descuido como amea\u00e7ava os visitantes. Mais ainda: os fios da instala\u00e7\u00e3o el\u00e9trica, em grande parte, datavam da chegada da luz ao bairro, l\u00e1 por 1946. A pintura interna precisava de cuidados. Enfim, impunha-se uma a\u00e7\u00e3o segura, forte e obstinada e era preciso buscar recursos.<\/p>\n<p>E l\u00e1 se foi o professor atr\u00e1s de parceiros nesta jornada \u00e9pica. Fez o ministro Weffort e outras autoridades andarem pelo teto do museu para ver in loco<br \/>\no tamanho do buraco. Um encontro com diretores da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo foi outro passo importante. O ent\u00e3o superintendente Carlos Eduardo Moreira Ferreira ficou impressionado e assegurou ajuda incondicional.<br \/>\nA Funda\u00e7\u00e3o Roberto Marinho doou R$ 300 mil para a manuten\u00e7\u00e3o do arquivo de 13 mil fotos de Milit\u00e3o Augusto Azevedo, que registrou S\u00e3o Paulo e seus habitantes na virada do s\u00e9culo 19. O material foi doado pela pr\u00f3pria institui\u00e7\u00e3o e hoje ocupa parte dos 270m do subsolo, transformado em \u00e1rea de exposi\u00e7\u00e3o e entregue \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em 1998.<\/p>\n<p>J\u00e1 com o projeto da reforma em andamento, Witter tratou de aproximar o museu das suas gentes. Criou a Sociedade de Amigos do Museu Paulista (Sampa), com empres\u00e1rios da regi\u00e3o e parte do corpo acad\u00eamico da USP. Outra iniciativa: a participa\u00e7\u00e3o ativa em campanhas de cunho social do bairro, especialmente pela preserva\u00e7\u00e3o dos arredores e do Parque da Independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Witter tamb\u00e9m assumiu uma das coordenadorias do Movimento C\u00edvico que prop\u00f5e a recupera\u00e7\u00e3o do monumento e da Capela Imperial. O movimento ainda defende a n\u00e3o constru\u00e7\u00e3o de um conjunto de pr\u00e9dios residenciais ao lado do parque, onde havia um convento do in\u00edcio do s\u00e9culo, derrubado por incorporadores imobili\u00e1rios. A obra est\u00e1 embargada no Instituto Federal do Verde e Meio Ambiente.<\/p>\n<p>Enquanto os primeiros reparos iam sendo acelerados, o museu ganhou novas atividades que o referendavam como institui\u00e7\u00e3o viva. Abriu espa\u00e7os para eventos art\u00edsticos e culturais: lan\u00e7amento de livros, pe\u00e7as de teatro com atores de renome, espet\u00e1culos musicais, desfiles.<\/p>\n<p>Para o empres\u00e1rio ipiranguista Guilherme Teodoro Mendes, presidente do Movimento C\u00edvico em Defesa do Parque da Independ\u00eancia e membro da Comiss\u00e3o Estadual que preparou as festividades de 500 anos do Descobrimento,<br \/>\no museu voltou a ser a casa de todos os ipiranguistas na gest\u00e3o de Witter. Ganhou nova vida e foi alicerce de muitas lutas em prol da comunidade, como a recupera\u00e7\u00e3o e restauro do vizinho Monumento da Independ\u00eancia e da Capela Imperial.<\/p>\n<p>Volta no tempo<\/p>\n<p>J\u00e1 o vice-diretor do Centro Universit\u00e1rio Assun\u00e7\u00e3o-UniFai, professor Osmar Garcia Stolagli, diz que essa integra\u00e7\u00e3o recuperou uma tradi\u00e7\u00e3o do in\u00edcio do s\u00e9culo.<br \/>\nO Ipiranga, enquanto um bairro urbanizado, surgiu a partir da constru\u00e7\u00e3o do museu, tanto que sua homologa\u00e7\u00e3o oficial se deu em 1934. Antes, era considerado Freguesia do Cambuci. Desde ent\u00e3o, destacou Stolagli, o museu, seus jardins e alamedas s\u00e3o para o ipiranguista um referencial, um ponto de cultura, ci\u00eancia, lazer e de vida. &#8220;Conheci minha mulher em um domingo, em frente ao museu. E sei de muitas hist\u00f3rias como esta&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>Outro antigo morador do Ipiranga, o comerciante Frederico Luiz Castellani, fala da beleza e das recorda\u00e7\u00f5es evocadas pelo museu. &#8220;Ver essa gente toda ao redor do museu faz lembrar meus anos de rapazote. Era aqui que todos vinham passear, brincar, namorar, contar proezas, falar de futebol e pol\u00edtica. Era aqui que a vida acontecia. E felizmente continua acontecendo&#8221;.<\/p>\n<p>Desde 13 de dezembro de 1999, o professor Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Witter n\u00e3o desempenha mais as fun\u00e7\u00f5es de diretor do Museu Paulista. Por quest\u00f5es burocr\u00e1ticas de aposentadoria, e para agilizar outros trabalhos, resolveu antecipar sua sa\u00edda, ap\u00f3s 47 anos de trabalho dedicado \u00e0 USP.<\/p>\n<p>Dias antes, por\u00e9m, Witter viu seu \u00faltimo sonho tornar-se uma luminosa realidade. Nas noites de quinta a domingo, o imponente pr\u00e9dio de estilo neo-renascentista exibe sua nova ilumina\u00e7\u00e3o externa garantida por 375 l\u00e2mpadas de tons brancos e dourados que redimensionam os detalhes de sua rica arquitetura e criam um dos mais bonitos espet\u00e1culos noturnos de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>TRADI\u00c7\u00c3O QUEBRADA: UMA MULHER NA DIRE\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>O professor Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Witter foi sucedido pela professora e historiadora Raquel Glezer, a primeira mulher no comando no museu<\/p>\n<p>A sucess\u00e3o do professor Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Witter no Museu Paulista quebra uma tradi\u00e7\u00e3o secular. \u00c9 a primeira vez que uma mulher, a professora historiadora Raquel Glezer, ocupa a dire\u00e7\u00e3o do museu desde a primeira gest\u00e3o, em 1894, de Hermann von Lhering.<\/p>\n<p>&#8220;Fiquei muito honrada e feliz&#8221;, diz a historiadora. Mas quero deixar claro que, na USP, j\u00e1 existe uma tradi\u00e7\u00e3o de no m\u00ednimo 40 anos com mulheres que ocupam cargos de chefias de unidades. O museu \u00e9 uma unidade da USP &#8211; e, portanto, n\u00e3o h\u00e1 nenhum absurdo a\u00ed. Apenas n\u00e3o havia acontecido&#8221;.<\/p>\n<p>A professora Raquel reconhece, no entanto, que a responsabilidade dobra porque assumiu o cargo depois dos professores Ulpiano Toledo Bezerra de Menezes e Jos\u00e9 Sebasti\u00e3o Witter. &#8220;Foram gest\u00f5es brilhantes, que inclu\u00edram o Museu Paulista na reestrutura\u00e7\u00e3o dos museus, realizada pela universidade a partir de 1989. Minha preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 continuar mantendo o padr\u00e3o das programa\u00e7\u00f5es e sua integra\u00e7\u00e3o com a cidade. Tamb\u00e9m tenho como prioridade garantir a preserva\u00e7\u00e3o do acervo do pr\u00e9dio, dos jardins e da hist\u00f3ria que caracteriza o bairro&#8221;.<\/p>\n<p>Faz sentido a preocupa\u00e7\u00e3o da professora ipiranguista de 55 anos, que est\u00e1 na USP desde 1963. No caso espec\u00edfico do professor Witter, ele era uma esp\u00e9cie de<br \/>\nfaz-tudo no museu. Al\u00e9m de historiador, escritor e colaborador de diversos jornais, era ele quem recebia a imprensa, fazia a ponte com autoridades de todos os calibres, dentro e fora da USP. Enfim, projetava toda a estrat\u00e9gia do museu como entidade viva e participante. &#8220;\u00c9 bem verdade que eram outros tempos &#8211; e a prioridade da imensa reforma se impunha. Hoje, a proposta \u00e9 continuar dando apoio e vida aos sinais mais expressivos da alma brasileira, seja no campo das artes, da cultura, da ci\u00eancia ou da hist\u00f3ria&#8221; &#8211; diz.<\/p>\n<p>Hist\u00f3ria de S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>A proposta \u00e9 manter a mesma din\u00e2mica, ressalta a diretora. &#8220;Afinal, o Museu do Ipiranga \u00e9 uma interface da USP muito importante&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Trata-se de uma institui\u00e7\u00e3o extremamente ativa. N\u00e3o h\u00e1 apenas a parte expositiva como muitos acreditam. As fun\u00e7\u00f5es do museu v\u00e3o al\u00e9m. H\u00e1 os laborat\u00f3rios de conserva\u00e7\u00e3o e restauro (de obras em tecido, tela, papel e madeira) e uma biblioteca inteiramente informatizada com mais de 60 mil t\u00edtulos, alguns raros exemplares de cunho hist\u00f3rico, que serve a um p\u00fablico especializado de todo o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O museu \u00e9, enfim, um centro de excel\u00eancia de Hist\u00f3ria. Seus estudos est\u00e3o centrados na hist\u00f3ria de S\u00e3o Paulo e s\u00e3o voltados para a forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira, do s\u00e9culo 15 at\u00e9 meados do atual, com predomin\u00e2ncia do per\u00edodo 1850\/1950. Oferece cursos, semin\u00e1rios e est\u00e1gios em diversas \u00e1reas educacionais e promove mostras permanentes e tempor\u00e1rias, com temas espec\u00edficos.<br \/>\nPara este 7 de setembro, a ala mais procurada, o Sal\u00e3o Nobre, vai receber uma exposi\u00e7\u00e3o sobre o quadro Independ\u00eancia ou Morte. As professoras Cec\u00edlia Helena e Claudia Valad\u00e3o trabalharam com um material que pertence ao acervo do museu e revela aspectos pertinentes \u00e0 obra cl\u00e1ssica de Pedro Am\u00e9rico.<\/p>\n<p>Raquel Glezer faz quest\u00e3o de salientar que o Museu do Ipiranga tem um diferencial em termos de visita\u00e7\u00e3o p\u00fablica.&#8221;N\u00e3o h\u00e1 campanha na m\u00eddia para que as pessoas venham visit\u00e1-lo&#8221;, explica. &#8220;N\u00e3o fazemos tamb\u00e9m grandes investimentos ou temos um servi\u00e7o promocional de maior envergadura. Por si s\u00f3, com os pr\u00f3prios recursos (que v\u00e3o desde uma maquete da buc\u00f3lica S\u00e3o Paulo antiga, datada de 1841, \u00e0s mechas de cabelos da Marquesa de Santos), atrai esse impressionante contingente de 250 mil pessoas por ano&#8221;.<\/p>\n<p>Uma marca que tem seu ponto alto durante os primeiros dias de setembro. A chamada Semana da P\u00e1tria atrai diariamente de dois mil a tr\u00eas mil visitantes. &#8220;O Museu do Ipiranga sempre fez parte da minha vida. Eu nasci e me criei no bairro. Costum\u00e1vamos brincar em seus jardins e alamedas. E, desde ent\u00e3o, convivo com o carinho que as pessoas t\u00eam pela institui\u00e7\u00e3o. Todas, de uma forma ou de outra, acreditam que a Hist\u00f3ria do Brasil passa aqui&#8221;, conclui a diretora.<\/p>\n<p>UM VIZINHO MULTIM\u00cdDIA PARA O GUARDI\u00c3O DE NOSSA HIST\u00d3RIA<\/p>\n<p>Anunciado no ano passado, o Espa\u00e7o Museogr\u00e1fico da Hist\u00f3ria da Independ\u00eancia vai ocupar a \u00e1rea interna do Monumento da Independ\u00eancia. Mas ainda n\u00e3o h\u00e1 data certa para sua inaugura\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>O Museu Paulista da Universidade de S\u00e3o Paulo est\u00e1 prestes a ganhar um vizinho ilustre &#8211; e multim\u00eddia. O Espa\u00e7o Museogr\u00e1fico da Hist\u00f3ria da Independ\u00eancia ainda n\u00e3o tem data certa para ser inaugurado, mas j\u00e1 est\u00e1 em obras.<\/p>\n<p>O projeto foi anunciado em julho do ano passado por seu idealizador, o secret\u00e1rio estadual de Recupera\u00e7\u00e3o do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico, Emanuel Von Laurenstein Massarani. Vai ocupar a \u00e1rea interna do Monumento da Independ\u00eancia &#8211; que at\u00e9 ent\u00e3o estava sem destina\u00e7\u00e3o &#8211; e ser\u00e1 inteiramente dedicado aos fatos e personagens que marcaram a hist\u00f3ria da independ\u00eancia do Brasil.<\/p>\n<p>Uma das atra\u00e7\u00f5es do espa\u00e7o ser\u00e1 contada por meio de recursos audiovisuais. O visitante poder\u00e1 acompanhar as principais etapas que marcaram o trajeto da independ\u00eancia, desde que o ent\u00e3o Pr\u00edncipe Regente saiu do Rio de Janeiro com destino a Santos, at\u00e9 o grito Independ\u00eancia ou Morte.<\/p>\n<p>Ser\u00e3o 700m\u00b2 para visita\u00e7\u00e3o, aproveitando a estrutura interna do monumento, com duas entradas laterais e acesso interno \u00e0 Capela Imperial. Para tanto, foram retiradas 900 ca\u00e7ambas de terra do local.<\/p>\n<p>Inaugura\u00e7\u00e3o incerta<\/p>\n<p>A inten\u00e7\u00e3o do secret\u00e1rio Massarani era inaugurar a obra em abril passado, durante as comemora\u00e7\u00f5es dos 500 anos do Descobrimento. Depois, esticou o prazo para setembro. Tamb\u00e9m n\u00e3o foi poss\u00edvel. A nova data est\u00e1 prevista para novembro.<\/p>\n<p>Vamos valorizar toda a \u00e1rea, inclusive a Cripta Imperial que est\u00e1 em estado de semi-abandono, destaca o secret\u00e1rio.<\/p>\n<p>O Museu do Ipiranga tem hoje um acervo muito abrangente que n\u00e3o focaliza, com realce, a hist\u00f3ria da independ\u00eancia, que vai ser nosso tema \u00fanico, enfatizado pelos recursos multim\u00eddia que adotaremos.<\/p>\n<p>UM PARQUE NO MEIO DE TR\u00caS PODERES<\/p>\n<p>Espa\u00e7o de muitos donos, o Parque da Independ\u00eancia sofre com os conflitos de interesse entre o munic\u00edpio, o Estado e a Uni\u00e3o<\/p>\n<p>O Parque da Independ\u00eancia \u00e9 na verdade um espa\u00e7o de muitos donos e de ningu\u00e9m. O Museu Paulista e de Zoologia s\u00e3o da USP; o monumento, a capela e a Casa do Grito pertencem \u00e0 Uni\u00e3o, que \u00e9, em tese, propriet\u00e1ria de toda a \u00e1rea. Mas \u00e9 a prefeitura que cuida da conserva\u00e7\u00e3o, reforma e\/ou limpeza das alamedas e jardins, incluindo o bosque, resqu\u00edcio da Mata Atl\u00e2ntica, que se situa atr\u00e1s do museu.<\/p>\n<p>Sempre que surge discuss\u00e3o sobre algum assunto que envolve \u00e1reas comuns, \u00e9 inevit\u00e1vel a confus\u00e3o entre os poderes. Volta \u00e0 tona a tese de se criar uma comiss\u00e3o aut\u00f4noma e independente. Mas o que sobra, nessas horas, \u00e9 o atraso de meses ou anos para solu\u00e7\u00e3o de problemas muitas vezes simples, como a recupera\u00e7\u00e3o das fontes ou dos jardins.<\/p>\n<p>Esses conflitos de interesse acabaram desgastando a imagem do Museu do Ipiranga nos anos 70. Algumas vers\u00f5es tentam explicar o fato. Uma delas baseia-se no uso ostensivo do conjunto arquitet\u00f4nico do Parque da Independ\u00eancia para comemora\u00e7\u00f5es c\u00edvicas, durante os governos militares.<\/p>\n<p>O exemplo mais gritante talvez tenha ocorrido ap\u00f3s as festividades do sesquicenten\u00e1rio (1972). O parque foi o principal cen\u00e1rio das celebra\u00e7\u00f5es em \u00e2mbito nacional. Houve uma grande reforma nos jardins e fontes e na parte externa do pr\u00e9dio. Tamb\u00e9m foi constru\u00eddo um lance de arquibancada nos jardins em frente ao museu &#8211; que, a i\u00e1s, afrontava os tra\u00e7os renascentistas de toda a arquitetura e, por isso, foi implodido em 1986.<\/p>\n<p>Fim do milagre<\/p>\n<p>Foi instalado em toda a \u00e1rea um sofisticado (e car\u00edssimo) sistema de audiovisual. A parafern\u00e1lia eletr\u00f4nica projetava o espet\u00e1culo Luz e Som. Enquanto as fontes dos Jardins Franceses jorravam jatos d\u2019\u00e1gua iluminados e multicoloridos, num Parque da Independ\u00eancia inteiramente \u00e0s escuras vozes de atores famosos narravam fatos da Hist\u00f3ria do Brasil na vers\u00e3o positivista dos militares, de ordem e progresso. Como fundo musical, o Hino Nacional, o da Independ\u00eancia. De repente, grandes holofotes projetavam a imponente fachada do museu em diversos tons e cores. Os espectadores, na arquibancada, aplaudiam e, ao final, acreditavam mesmo que existia o tal milagre brasileiro.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, por\u00e9m, a coisa toda desandou. Por mais sonoro e retumbante que fosse, o Luz e Som n\u00e3o convencia mais ningu\u00e9m. A f\u00f3rmula j\u00e1 estava desgastada e os aparelhos come\u00e7aram a dar panes irrepar\u00e1veis. O espet\u00e1culo foi suspenso, os equipamentos deterioraram e o parque foi relegado ao abandono, virando ponto de encontros de casais e marginais, at\u00e9 pela falta de ilumina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O parque transformou-se numa fonte de preocupa\u00e7\u00e3o para a pr\u00f3pria comunidade. S\u00f3 era lembrado \u00e0s v\u00e9speras da Semana da P\u00e1tria, quando ganhava, \u00e0s pressas, uma limpeza e uma pintura externa&#8230; Ou, pior, quando algum ato de vandalismo ou mesmo assaltos e mortes registravam-se em seus arredores.<\/p>\n<p>FALTA DE VERBA, CASO ANTIGO<\/p>\n<p>E apenas uma das hist\u00f3rias da hist\u00f3ria do Museu do Ipiranga. A obra foi autorizada por D. Pedro I em 1823. Mas s\u00f3 ficou pronta em 1890<\/p>\n<p>Constru\u00eddo em cinco anos, de 1885 a 1890, o pr\u00e9dio do Museu Paulista da Universidade de S\u00e3o Paulo foi projetado pelo engenheiro italiano Tommasso Gaudenzio Bezzi e, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, \u00e9 reconhecido como<br \/>\nlugar de mem\u00f3ria nacional.<\/p>\n<p>O projeto arquitet\u00f4nico data de 1882 e a proposta inicial era marcar para a posteridade o lugar onde ocorrera, em 1822, o Grito da Independ\u00eancia, embora at\u00e9 hoje haja controv\u00e9rsias sobre sua localiza\u00e7\u00e3o exata.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o em estilo renascentista (h\u00e1 quem assinale uma semelhan\u00e7a proposital com o Pal\u00e1cio de Versailles, em Paris) re\u00fane um acervo de mais de cem mil pe\u00e7as e apenas um ter\u00e7o delas est\u00e3o expostas. Os destaques s\u00e3o o quadro de Pedro Am\u00e9rico Independ\u00eancia ou Morte, a cole\u00e7\u00e3o de fotos de Milit\u00e3o Augusto Azevedo e telas de Rugendas, Debret e Benedito Calixto.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria do Museu Paulista remonta a 1823 pela vontade do pr\u00f3prio D. Pedro I. De pr\u00f3prio punho, ele assinou a licen\u00e7a para a cria\u00e7\u00e3o de um monumento \u00e0 independ\u00eancia do Brasil. Tr\u00eas anos depois, a constru\u00e7\u00e3o come\u00e7ou, mas teve de ser interrompida por falta de verba.<\/p>\n<p>Em 1876, retomou-se a id\u00e9ia do monumento, com a realiza\u00e7\u00e3o de um concurso p\u00fablico para escolha do projeto. N\u00e3o deu em nada. Em 1882, Bezzi foi escolhido para fazer a obra, mas o trabalho s\u00f3 se iniciou em 1885.<\/p>\n<p>Com a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, os defensores do novo regime questionaram a validade do monumento de pedra e cal e deram ao pr\u00e9dio uma fun\u00e7\u00e3o mais utilit\u00e1ria. Seria um instituto destinado a ensinar ci\u00eancias f\u00edsicas e matem\u00e1ticas e ci\u00eancias naturais, como consta dos anais da Assembl\u00e9ia Legislativa da 36.\u00aa sess\u00e3o ordin\u00e1ria de 1889.<\/p>\n<p>Quando a obra ficou pronta, por\u00e9m, houve um imprevisto. Os ventos fortes que castigavam a regi\u00e3o foram considerados insalubres para os alunos. O governo ent\u00e3o decidiu transform\u00e1-lo em museu e, na seq\u00fc\u00eancia, adquiriu a cole\u00e7\u00e3o do museu do Major Sert\u00f3rio, nascendo assim, em 7 de setembro de 1895, o Museu do Ipiranga, denomina\u00e7\u00e3o que se popularizou por estar situado num arrebalde que os \u00edndios, antes dos portugueses, j\u00e1 chamavam de ypi anga (lugar onde corre o rio de \u00e1guas barrentas, vermelhas).<\/p>\n<p>Mat\u00e9ria publicada no Jorna da Tarde<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Confundida com o s\u00edmbolo da soberania nacional e independ\u00eancia, a institui\u00e7\u00e3o que amea\u00e7ava ruir em 1994 hoje se equipara em import\u00e2ncia e freq\u00fc\u00eancia aos dois principais museus brasileiros<\/p>\n<p>Entre 20 mil e 25 mil visitantes devem passar pelas catracas de entrada do Museu do Ipiranga at\u00e9 quinta-feira,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-10001","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-reportagens"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10001","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10001"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10001\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":13876,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10001\/revisions\/13876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10001"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10001"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10001"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}