{"id":10031,"date":"1997-01-01T00:00:00","date_gmt":"1997-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:24:36","modified_gmt":"2017-09-15T18:24:36","slug":"governar-e-administrar-prioridades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/governar-e-administrar-prioridades\/","title":{"rendered":"Governar \u00e9 administrar prioridades"},"content":{"rendered":"<p>&quot;N\u00e3o importa a cor do gato. O importante \u00e9 que ele mate os ratos&quot;. (Deng Xiaoping)<\/p>\n<p>01. Quem diria que a novela nossa de cada dia ousasse, em tempos que ainda nos s\u00e3o pr\u00f3ximos, tocar no assunto, especialmente no hor\u00e1rio nobre. Com alguma ousadia at\u00e9, foi o que aconteceu em O Rei do Gado. O bom texto (al\u00e9m do bom-senso) do autor, Benedito Rui Barbosa, abriu olhos e mentes dos metropolitanos, digamos assim, para uma realidade que n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o longe assim e influi diretamente em nossas vidas. A Reforma Agraria a\u00ed est\u00e1, bate \u00e0 nossa porta, invade nossas ruas&#8230;<\/p>\n<p>02. Sua Santidade, Jo\u00e3o Paulo II, n\u00e3o poupou o ilustre visitante de algumas severas observa\u00e7\u00f5es sobre o mesmo tema. Sua implanta\u00e7\u00e3o &#8211; o mais breve poss\u00edvel &#8211; \u00e9 um ato de coragem e ousadia, lembrou o Papa. Depois da audi\u00eancia, o presidente Fernando Henrique ainda teve de conviver com o protesto de seus pares, os intelectuais italianos. Eles v\u00eaem FHC reticente nessa quest\u00e3o que consideram &quot;inadi\u00e1vel&quot;. O presidente tentou argumentar, falou nos bons resultados do projeto &quot;Lavoura Comunit\u00e1ria&quot;, mas n\u00e3o foi suficiente. A quest\u00e3o da terra j\u00e1 havia alcan\u00e7ado proje\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>03. Os protagonistas saem pelas estradas do Pa\u00eds. Partem de diversas paragens para uma caminhada c\u00edvica rumo a Bras\u00edlia. A chegada est\u00e1 prevista para 17 de abril, exatamente quando se reverencia o primeiro anivers\u00e1rio das mortes de Caraj\u00e1. O secular estandarte da Reforma Agr\u00e1ria pressiona o Governo e revela a cara de uma Na\u00e7\u00e3o que, a bem da verdade, poucos de n\u00f3s conheciam. Mas, inquestionavelmente, \u00e9 uma dessas mudan\u00e7as inevit\u00e1veis ao Brasil do Terceiro Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>04. N\u00e3o me recordo o autor da frase. Arriscaria dizer que foi uma das tantas preciosidades do doutor Ulysses Guimar\u00e3es: &quot;Governar \u00e9 administrar prioridades&quot;. No entanto, \u00e9 lapidar para desvendar as idiossincrasias de um Governo que ainda n\u00e3o encontrou o caminho das pedras e n\u00e3o sabe distinguir entre a causa p\u00fablica e os devaneios pessoais. Algu\u00e9m duvida que, se o mesmo esfor\u00e7o concentrado para aprova\u00e7\u00e3o da emenda da reelei\u00e7\u00e3o fosse canalizado para algumas quest\u00f5es essenciais de nosso dia-a-dia (a Reforma Agr\u00e1ria, por exemplo), estar\u00edamos hoje num est\u00e1gio bem mais avan\u00e7ado da solu\u00e7\u00e3o do problema e evitando uma s\u00e9rie de constrangimentos para toda a sociedade?<\/p>\n<p>05. \u00c9 not\u00f3rio que o tema Reforma Agr\u00e1ria hoje j\u00e1 n\u00e3o tem a conota\u00e7\u00e3o &quot;revolucion\u00e1ria&quot; dos anos 60. Embora o contingente de desvalidos que perambula pelos quatro cantos do Pa\u00eds ainda abrigue uma forte tend\u00eancia pol\u00edtica-partid\u00e1ria em seus atos e objetivos. Por isso mesmo, os homens de Bras\u00edlia deveriam se debru\u00e7ar com afinco para arbitrar desaven\u00e7as e caminhar, com seguran\u00e7a, para a almejada solu\u00e7\u00e3o. \u00c9 certo que as coisas n\u00e3o v\u00e3o acontecer assim, do dia para noite. Por isso, uma f\u00e9rrea vontade pol\u00edtica s\u00f3 ajudaria nessa dif\u00edcil &#8212; mas, necess\u00e1ria &#8212; implanta\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a social num Pa\u00eds que ainda guarda, como seu bem maior, a esperan\u00e7a de um futuro promissor.<\/p>\n<p>06. No recente giro pela Europa, o presidente Fernando Henrique reclamou das cr\u00edticas &quot;injustas&quot;. Afinal, argumentou, muitos dos problemas que assolam o Brasil de hoje v\u00eam sendo postergados pelos governos que o precederam e que, por isso mesmo, a solu\u00e7\u00e3o passa por um intrincado feixe de negocia\u00e7\u00f5es. Essa assertiva serve como amparo para sua defesa, mas soa tamb\u00e9m como uma estridente sirene de alerta. Ou seja, significa dizer que problema n\u00e3o resolvido \u00e9 problema acumulado e agravado. Nunca \u00e9 demais lembrar a velha cita\u00e7\u00e3o: &quot;Se Maom\u00e9 n\u00e3o vai \u00e0 montanha, a montanha vem at\u00e9 Maom\u00e9&quot;. S\u00f3 que em forma de avalanche&#8230;\u00c9 o que acontece quando n\u00e3o se resolve um problema e vem outro e outro que se acumula. Um dia, eles acabam soterrando nossos sonhos. Implacavelmente. Olho vivo, presidente&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;N\u00e3o importa a cor do gato. O importante \u00e9 que ele mate os ratos&quot;. (Deng Xiaoping)<\/p>\n<p>01. 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