{"id":10033,"date":"1997-02-01T00:00:00","date_gmt":"1997-02-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:22:43","modified_gmt":"2017-09-15T18:22:43","slug":"novamente-adiada-a-reforma-administrativa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/novamente-adiada-a-reforma-administrativa\/","title":{"rendered":"Novamente adiada a reforma administrativa"},"content":{"rendered":"<p>01. Causou espanto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica nacional a entrevista que o ex-presidente Fernando Collor de Mello concedeu \u00e0 Rede Globo e que foi levada ao ar nesta semana. Esbravejando em alto e bom som, dando murros na mesa, disse que as perguntas eram capciosas e que a rep\u00f3rter estava a servi\u00e7o daqueles que conspiraram (e conspiram) contra sua idoneidade. Disse tamb\u00e9m que n\u00e3o estava sendo processado pela Receita Federal por sonega\u00e7\u00e3o de impostos e que est\u00e3o, sim, em seus planos recuperar os direitos pol\u00edticos e candidatar-se, ainda que poss\u00edvel, a algum cargo p\u00fablico nas pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. O ex-ca\u00e7ador de maraj\u00e1s j\u00e1 n\u00e3o demonstrava, nas fei\u00e7\u00f5es, o mesmo vigor juvenil dos tempos pr\u00e9-eleitorais. Desde o in\u00edcio, revelou sinais de ansiedade como se a entrevista significasse sua rentr\u00e9e na cena pol\u00edtica nacional. Talvez n\u00e3o acreditasse que as perguntas pudessem ser t\u00e3o objetivas, embora inevit\u00e1veis, e contundentes. Descontrolou-se e logo acabou revelando o fanatismo de suas convic\u00e7\u00f5es e sua verdadeira face ditatorial.<\/p>\n<p>02. Na manh\u00e3 de quarta-feira, a assessoria de imprensa do ex-presidente divulgou uma nota, onde assinala que Collor ficou satisfeito (?) com a repercuss\u00e3o da mat\u00e9ria. Mas, contraditoriamente, conclui que n\u00e3o mais ser\u00e3o autorizadas entrevistas a jornalistas brasileiros. Algo assim como o &quot;me esque\u00e7am&quot; que o ent\u00e3o general Jo\u00e3o Baptista Figueiredo brindou os rep\u00f3rteres (e por extens\u00e3o ao povo brasileiro) quando deixou a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. A imprensa e a opini\u00e3o p\u00fablica deixaram em paz Figueiredo e nunca mais se teve not\u00edcia dele&#8230;<\/p>\n<p>03. Mas, se estamos livres de Collor e Figueiredo (ao menos, por enquanto), o mesmo n\u00e3o se pode dizer dos pol\u00edticos que nos representam em Bras\u00edlia. Mais uma vez, deram provas que pensam mais nos pr\u00f3prios interesses do que n\u00f3s, brasileiros comuns. Apesar dos esfor\u00e7os do Governo (e, desta vez, n\u00e3o se pode dizer que FHC n\u00e3o tenha se empenhado), protelaram a vota\u00e7\u00e3o da reforma administrativa para abril e se negam a discuti-la, enquanto n\u00e3o derrubarem o dispositivo que limita o teto salarial dos servidores p\u00fablicos em 10,8 mil reais.<\/p>\n<p>04. De autoria do relator, deputado Moreira Franco, esse dispositivo unifica todos os vencimentos, gratifica\u00e7\u00f5es, vantagens e adicionais pagos pelo Poder P\u00fablico e os limita \u00e0quela quantia. Os parlamentares que acumulam sal\u00e1rios e aposentadorias s\u00e3o os que mais relutam \u00e0 vota\u00e7\u00e3o da reforma. A resist\u00eancia \u00e9 grande inclusive na base governista. Ali\u00e1s, \u00e9 a\u00ed que se encontra a maior parte da &quot;bancada dos aposentados&quot;. Outros deputados tamb\u00e9m resistem, pois defendem interesses corporativistas de setores diversos do funcionalismo p\u00fablico. A partir da\u00ed, \u00e9 f\u00e1cil concluir que o Pa\u00eds acaba sempre no preju\u00edzo.<\/p>\n<p>05. As reformas constitucionais j\u00e1 deveriam estar conclu\u00eddas, de h\u00e1 muito, para que pud\u00e9ssemos reencontrar os trilhos do desenvolvimento com justi\u00e7a social. Afinal, o presidente Fernando Henrique j\u00e1 pensa num segundo mandato e as tais reformas, indispens\u00e1veis, n\u00e3o saem dos escaninhos oficiais. Ou seja, continuam promessas de campanha. Quanto ao teto salarial de 10,8 mil reais, est\u00e1 pra l\u00e1 de bom. Equivale simplesmente a quase l00 vezes o sal\u00e1rio m\u00ednimo vigente no Pa\u00eds, os 112 reais que alimentam a imensa maioria dos brasileiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. Causou espanto \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica nacional a entrevista que o ex-presidente Fernando Collor de Mello concedeu \u00e0 Rede Globo e que foi levada ao ar nesta semana. 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