{"id":10042,"date":"1997-11-01T00:00:00","date_gmt":"1997-11-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:12:06","modified_gmt":"2017-09-15T18:12:06","slug":"o-mal-que-fazem-a-nacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-mal-que-fazem-a-nacao\/","title":{"rendered":"O mal que fazem \u00e0 Na\u00e7\u00e3o&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>01. Mais do que qualquer outro per\u00edodo da nossa Hist\u00f3ria recente, os 21 anos de Ditadura Militar ensinaram aos brasileiros que democracia \u00e9 fundamental quando se almeja justi\u00e7a social, quando se imagina o Brasil como na\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea, livre e soberana, \u00e0 espera de um novo s\u00e9culo. Ali\u00e1s, n\u00e3o h\u00e1 qualquer exagero em se pensar assim. Faltam menos de mil dias para o ano 2000.<\/p>\n<p>02. Tamb\u00e9m nunca \u00e9 demais ressaltar que os regimes autorit\u00e1rios est\u00e3o condenados \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, felizmente. E, seja onde for, em qualquer lugar do mundo, n\u00e3o h\u00e1 como algu\u00e9m em s\u00e3 consci\u00eancia sair em sua defesa como solu\u00e7\u00e3o para o que quer que seja. A bem da verdade, desde a queda do muro de Berlim que a humanidade rev\u00ea a sua Hist\u00f3ria, com os olhos voltados num futuro promissor.<\/p>\n<p>03. Explica-se o didatismo dos t\u00f3picos iniciais para que n\u00e3o paire qualquer d\u00favida sobre o que escreveremos a seguir. Pois, ainda n\u00e3o se &quot;inventou&quot; uma democracia que prescinda de pol\u00edticos e governantes como instrumentos e porta-vozes dos anseios e reivindica\u00e7\u00f5es das grandes massas. E s\u00e3o exatamente esses camale\u00f4nicos senhores (hoje, falam em nosso nome; amanh\u00e3, legislam e deliberam inequivocamente em causa pr\u00f3pria e contra o que antes prometeram) que t\u00eam colocado sob suspeita o secular conceito de um governo transparente do povo, pelo povo e para o povo.<\/p>\n<p>04. O amigo leitor, atento aos fatos do dia-a-dia, j\u00e1 imagina: estamos falando da vergonha nacional que foi a vota\u00e7\u00e3o em primeiro turno da reforma administrativa, t\u00e3o importante para o realinhamento de um Brasil mais justo. Ela foi aprovada nesta quarta-feira, com 309 votos, um a mais do que o m\u00ednimo exigido para uma emenda constitucional. Mas, vai nos custar os olhos da cara. A vit\u00f3ria do relat\u00f3rio do deputado Moreira Franco s\u00f3 ficou assegurada depois que o presidente Fernando Henrique Cardoso, sentindo-se pressionado, comprometeu-se publicamente com acordo que garante para os parlamentares aposentados um rendimento extra ao teto salarial de 10,8 mil reais.<\/p>\n<p>05. Mesmo \u00e0 revelia da opini\u00e3o p\u00fablica, os parlamentares comemoraram a vit\u00f3ria em plen\u00e1rio. Havia motivos para tanto &#8212; ao menos, para eles e os seus. A emenda do acordo duplica os 10,8 mil reais na medida em que permite aos ocupantes de cargos de confian\u00e7a nos tr\u00eas Poderes e os detentores de mandato eletivo acumular uma aposentadoria ao sal\u00e1rio. L\u00e1 se v\u00e3o milh\u00f5es de reais do er\u00e1rio p\u00fablico, j\u00e1 amplamente comprometido por outros tantos desacertos. E a t\u00e3o sonhada reforma administrativa j\u00e1 n\u00e3o merece nossa inteira confian\u00e7a.<\/p>\n<p>06. Ou seja, compromete-se o todo pelos interesses de alguns, os privilegiados de sempre e seus asseclas. \u00c9 constrangedor para n\u00f3s, que os elegemos com nosso voto e confian\u00e7a, acompanhar a pequenez de atos como esses, onde a gan\u00e2ncia de alguns se transforma na pedra-de-toque dos projetos que forjar\u00e3o o Brasil do futuro. O mais certo, talvez, fosse dizer no Pa\u00eds sem futuro&#8230;<\/p>\n<p>07. Ser\u00e1 que esses senhores n\u00e3o t\u00eam consci\u00eancia do mal que fazem \u00e0 Na\u00e7\u00e3o?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. 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