{"id":10046,"date":"1997-05-01T00:00:00","date_gmt":"1997-05-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:18:18","modified_gmt":"2017-09-15T18:18:18","slug":"o-sr-imponderavel-e-as-brasileiradas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-sr-imponderavel-e-as-brasileiradas\/","title":{"rendered":"O Sr. Imponder\u00e1vel e as brasileiradas"},"content":{"rendered":"<p>01. Ensinam as pr\u00e1ticas li\u00e7\u00f5es do bom jornalismo que se deve unicamente falar daquilo que bem se conhece. Para que n\u00e3o se incorra em erros desastrosos, injusti\u00e7as e meias verdades comprometedoras. Tal fundamento acaba invariavelmente na corda bamba neste Brasil de hoje, onde o imponder\u00e1vel deixa sempre sua marca e surpreende, com seus desalinhos, ao mais c\u00e9tico dos analistas.<\/p>\n<p>02. A cada semana, um punhado de epis\u00f3dios p\u00f5e contra a parede a nossa tenra democracia, \u00e0s duras penas conquistadas por nossa gente &#8212; a bem da verdade, com o imprescind\u00edvel aux\u00edlio de pol\u00edticos que ora se esmeram em querer deton\u00e1-la como se fosse um entrave aos novos tempos, de paz e justi\u00e7a social. Tempos, ali\u00e1s, sempre prioritariamente almejados e nunca transformados em realidade.<\/p>\n<p>03. Tome-se como exemplo o q\u00fciproqu\u00f3 desta semana, em plena C\u00e2mara dos Deputados. Os parlamentares que formam a linha de apoio do Governo engendraram s\u00e9rie de manobras para, na sess\u00e3o de vota\u00e7\u00e3o da reforma administrativa, aprovarem tamb\u00e9m o item que p\u00f5e fim \u00e0 estabilidade dos servidores p\u00fablicos. Quando se deram conta de que haviam sido passado para tr\u00e1s e regimentalmente era imposs\u00edvel reverter o quadro de derrota de um de seus baluartes, os oposicionistas lan\u00e7aram m\u00e3o de um arma t\u00e3o secreta quanto inusitada. De posse de estridentes apitos, provocaram o que denominaram &quot;apita\u00e7o&quot; e bloquearam a sess\u00e3o, tamanha a confus\u00e3o que causaram. Claro que cenas de pugilato explicitas tamb\u00e9m n\u00e3o faltaram, com deputados das alas rivais engalfinhando-se e trocando socos, empurr\u00f5es e pontap\u00e9s. &quot;Agora \u00e9 guerra&quot;, sapecou o petista Jos\u00e9 Genu\u00edno, mostrando a maturidade (?) com que nossos congressistas projetam o Pa\u00eds \u00e0s v\u00e9speras do Terceiro Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>04. E o que dizer da indeniza\u00e7\u00e3o bilion\u00e1ria que um juiz de S\u00e3o Lu\u00eds (Maranh\u00e3o) mandou o Banco do Brasil pagar a um de seus correntistas que se sentiu lesado pela n\u00e3o compensa\u00e7\u00e3o err\u00f4nea de um cheque em 92? Era algo em torno de 216 milh\u00f5es de reais e o magistrado mandou literalmente arrombar o cofre do BB local para que a Lei (?) fosse cumprida. O absurdo ganhou proje\u00e7\u00e3o nacional e provocou inclusive o fechamento das ag\u00eancias do banco naquela capital por dois dias. Os c\u00e1lculos agora est\u00e3o sendo refeitos e o mundo at\u00f4nito riu de mais essa &quot;brasileirada&quot;&#8230;<\/p>\n<p>05. Ali\u00e1s, n\u00e3o faltaram cenas de verdadeiro pastiche tamb\u00e9m no leil\u00e3o da Vale do Rio Doce. Os expedientes jur\u00eddicos consumiram acima dos 700 mil reais do Governo, interessado na venda, s\u00f3 de despesas advocat\u00edcias. Isso para um Pa\u00eds que vive reclamando de falta de caixa para sacramentar compromissos b\u00e1sicos como o benef\u00edcio (sic) dos aposentados e outras trivialidades&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. Ensinam as pr\u00e1ticas li\u00e7\u00f5es do bom jornalismo que se deve unicamente falar daquilo que bem se conhece. 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