{"id":10054,"date":"1997-07-01T00:00:00","date_gmt":"1997-07-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:16:35","modified_gmt":"2017-09-15T18:16:35","slug":"comemorar-o-que","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/comemorar-o-que\/","title":{"rendered":"Comemorar o qu\u00ea?"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Tudo certo como dois e dois s\u00e3o cinco&quot;. (Caetano Veloso)<\/p>\n<p>01. Com a devida v\u00eania dos meios de comunica\u00e7\u00e3o, cada vez mais c\u00famplices e porta-vozes oficiais, o terceiro ano do Plano Real foi saudado com grande euforia pelas diversas lides do governo Fernando Henrique Cardoso. As trombetas oficiais soaram, em alto e bom som, nesses primeiros dias de julho, para anunciar o feito que os planaltinos consideram hist\u00f3rico: a sustenta\u00e7\u00e3o de uma moeda forte (apesar de todos os pesares), com o t\u00e3o almejado controle da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>02. Como n\u00e3o poderia deixar de ser, esse foi o tema de todas as conversas e pronunciamentos. Inclusive o do presidente. FHC se empolgou na explana\u00e7\u00e3o, passou da conta no falar, usando quase sempre o plural de mod\u00e9stia. Dava a entender que, aqueles que o ouviam, professavam igualmente os mesmos argumentos. A seleta plat\u00e9ia de empres\u00e1rios, pol\u00edticos e convidados especiais, por\u00e9m, foi tomada de s\u00fabita sonol\u00eancia com o esticar do assunto. Entre um &quot;Plano Real fez isso&quot; e um &quot;nosso Governo fez aquilo&quot;, muitos n\u00e3o resistiram e se deixaram levar por um cochilo incontrol\u00e1vel que, flagrado por indiscretas c\u00e2maras de TV, acabou por revelar o lado constrangedor da cerim\u00f4nia.<\/p>\n<p>03. O presidente, ali\u00e1s, tamb\u00e9m falou cinco minutos em cadeia nacional de r\u00e1dio e televis\u00e3o. Continuou a fazer a apologia das conquistas reais como se fossem sociais. E, c\u00e1 para n\u00f3s, deixou estarrecida boa parte dos brasileiros que, talqualmente S\u00e3o Tom\u00e9, gostaria de ver para crer. Gostaria de vivenciar essas conquistas que certamente n\u00e3o sabe onde est\u00e3o, nem para quem s\u00e3o. Como nada v\u00ea de real a inspirar seu cotidiano, passa a crer que o presidente, embora fa\u00e7a charme e negue, j\u00e1 est\u00e1 em campanha para reelei\u00e7\u00e3o em 98.<\/p>\n<p>04. De resto, essas inflamadas comemora\u00e7\u00f5es de anivers\u00e1rio do Real lembrou-me outras solenidades, igualmente d\u00fabias para o pov\u00e3o, mas que eram registradas com toda pompa e circunst\u00e2ncia a cada 31 de mar\u00e7o, quando a Redentora de 64 completava mais um ano de vida. \u00c0 \u00e9poca, os generais-presidentes e seus asseclas espalhavam enganosamente aos quatro cantos desse Pa\u00eds os &quot;milagres&quot; e &quot;vit\u00f3rias&quot; da Revolu\u00e7\u00e3o, enquanto por aqui, ao r\u00e9s do ch\u00e3o, no decantado Brasil do futuro, aumentava cruelmente a devasta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica, \u00e9tica e social. O que resultou, a bem da verdade, numa fragorosa dissemina\u00e7\u00e3o do contingente de miser\u00e1veis e desvalidos.<\/p>\n<p>05. Doze anos depois do restabelecimento democr\u00e1tico e de quatro presidente civis (na teoria, comprometidos com o social), lastima-se constatar que pouco &#8212; ou quase nada &#8212; mudou no sentido de melhoria da qualidade de vida de nossa gente. Era a infla\u00e7\u00e3o que nos sufocava e pungava nosso parco sal\u00e1rio. Hoje, o desemprego e o ferrolho da Economia nos tangem para o cord\u00e3o dos exclu\u00eddos. E o Governo &#8212; como tantos outros &#8212; que prometeu Reformas J\u00e1 e uma luta incessante por Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o e Seguran\u00e7a insiste em ficar nas promessas, flerta com o futuro dos nossos sonhos, mas o que faz mesmo \u00e9 preparar-se para o ano eleitoral. O objeto de seu desejo e de suas a\u00e7\u00f5es est\u00e1 explicito. Quer mesmo permanece no Poder, sabe-se l\u00e1 at\u00e9 quando&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Tudo certo como dois e dois s\u00e3o cinco&quot;. (Caetano Veloso)<\/p>\n<p>01. 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