{"id":10068,"date":"2003-02-14T00:00:00","date_gmt":"2003-02-14T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:12:30","modified_gmt":"2017-09-14T17:12:30","slug":"acelerado-desconcertante-e-solidario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/acelerado-desconcertante-e-solidario\/","title":{"rendered":"Acelerado, desconcertante e solid\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Com o punho fechado, n\u00e3o se pode trocar sequer um aperto de m\u00e3o&quot; (Indira Ghandi)<\/p>\n<p>01. Conversava com sei l\u00e1 quem na porta de sei l\u00e1 que empresa a sei l\u00e1 que horas do dia. O que poderia estar fazendo ali? Talvez levasse o recado de algu\u00e9m. Um recado, n\u00e3o; uma ordem. Estava com jeito de quem estava a servi\u00e7o. Em S\u00e3o Paulo, as coisas s\u00e3o assim. Tem sempre algu\u00e9m correndo atr\u00e1s do tempo, mandando algu\u00e9m fazer alguma coisa que era para ontem. \u00c9 certo que um desses vai reclamar por fazer algo com tanta pressa: n\u00e3o saiu do jeito que eu queria. E outro ficar\u00e1 ranhetando: que demora, meu!<\/p>\n<p>02. O ritmo da megal\u00f3pole \u00e9 assim: acelerado, desconcertante. Mas, n\u00e3o era isso o que lhe importava naquele exato momento. Estava feliz por rev\u00ea-la mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia. Depois de tanto tempo&#8230; Ser\u00e1 que est\u00e1 tudo bem? A resposta, bem, a resposta ficaria para outra ocasi\u00e3o. Se ocasi\u00e3o houvesse. O sem\u00e1foro abriu, e ele tocou em frente sem sequer olhar para o retrovisor&#8230; Eis o trivial, bem temperado de encontros e desencontros, trag\u00e9dias e conquistas dos milh\u00f5es de habitantes da cidade que ainda cresce desordenadamente em todas as dire\u00e7\u00f5es, abriga ainda a todos que a procuram e ainda \u00e9 apontada como exemplo de cidade violenta, agressiva, in\u00f3spita&#8230; Mas, para muitos segue sendo ainda o melhor lugar do mundo&#8230;<\/p>\n<p>03. Repeti propositalmente o adv\u00e9rbio ainda, que revela um tempo que \u00e9, mas j\u00e1 se faz tardio, porque, me parece, tem muito a ver com nosso dia-a-dia. N\u00e3o sei se voc\u00ea, caro leitor, j\u00e1 reparou, mas o passar do tempo aqui, no Planalto de Piratininga, \u00e9 ora arrastado, ora precipita-se com a for\u00e7a do imponder\u00e1vel diante de n\u00f3s&#8230;<\/p>\n<p>04. Domar o tempo, eis o desafio que SP prop\u00f5e. Fazer do tempo um aliado dos nossos sonhos, das nossa lutas. Das conquistas que a cidade generosa, mais dia, menos dia, oferece a quem cedo madruga e vai \u00e0 lida. \u00c9 praxe dizer que o paulistano est\u00e1 sempre atrasado. Corre, n\u00e3o sabe para aonde. Trabalha, n\u00e3o vive. E, muitas vezes, roda, roda para chegar ao mesmo lugar, especialmente em dias de enchentes e congestionamentos. Transtornos n\u00e3o faltam \u00e0 cidade mas, em compensa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma farta por\u00e7\u00e3o de solidariedade na gente paulistana que ainda sonha em mudar a cara do mundo&#8230;<\/p>\n<p>05. E, para tanto, n\u00e3o tenho d\u00favidas, vai lan\u00e7ar m\u00e3o desse sentimento de irmandade, palavra bonita, que induz a gestos nobres. Gestos que proliferaram como o que se realiza amanh\u00e3 pela manh\u00e3 nos arredores da Igreja S\u00e3o Jos\u00e9. Diversas institui\u00e7\u00f5es da \u00e1rea de sa\u00fade re\u00fanem-se amanh\u00e3, com apoio do Rotary Ipiranga, para realizar exames gratu\u00edtos de diabetes e hipertens\u00e3o arterial para a popula\u00e7\u00e3o carente (veja na p\u00e1gina de Sa\u00fade). Espera-se a presen\u00e7a de centenas de pessoas. Gestos como esse s\u00e3o comuns, e s\u00e3o modelares para que outras institui\u00e7\u00f5es sigam o mesmo rumo.<\/p>\n<p>06. O paulistano que sofre com as chuvas, o desemprego, os congestionamentos, a viol\u00eancia das ruas, a in\u00e9pcia das autoridades&#8230; Esse mesmo paulistano n\u00e3o perde a esperan\u00e7a e se orgulha de ainda estar na luta. \u00c9 a determina\u00e7\u00e3o de quem sabe que est\u00e1 construindo a pr\u00f3pria hist\u00f3ria e a hist\u00f3ria de seu tempo.<\/p>\n<p>07. Nesta hora, vale lembrar outros tantos paulistanos an\u00f4nimos que tamb\u00e9m precisam de um gesto de s\u00f3lidariedade. Sabe-se, por exemplo, que 900 brasileiros aguardam doadores na fila dos transplantes. Esperam a chance de ainda ter um tempo que ora \u00e9 restado, mas que pode se fazer c\u00e9lere, para voltar a viver e a sonhar&#8230;<\/p>\n<p>08. Mesmo que seja um sonho ef\u00eamero como sonhou aquele nosso amigo do primeiro par\u00e1grafo. Ao chegar a Reda\u00e7\u00e3o ainda estava euf\u00f3rico. S\u00f3 n\u00e3o conseguia se lembrar quem era aquela mulher&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Com o punho fechado, n\u00e3o se pode trocar sequer um aperto de m\u00e3o&quot; (Indira Ghandi)<\/p>\n<p>01. 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