{"id":10076,"date":"2003-01-24T00:00:00","date_gmt":"2003-01-24T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:13:45","modified_gmt":"2017-09-14T17:13:45","slug":"uma-cancao-chamada-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/uma-cancao-chamada-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Uma can\u00e7\u00e3o chamada S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>&quot;S\u00f3 se conformemo quando o Joca fal\u00f4: Deus d\u00e1 o frio conforme o cobert\u00f4&quot; (Adoniran Barbosa)<\/p>\n<p>01. Tudo \u00e9 tudo. Nada \u00e9 nada. A frase com que Tim Maia divertia amigos e entrevistadores soa-me como a mais correta tradu\u00e7\u00e3o desta S\u00e3o Paulo que amanh\u00e3 completa 449 anos de vida e de contrastes. O imprevis\u00edvel Tim a usava sempre que n\u00e3o sabia ou n\u00e3o queria responder \u00e0s perguntas dos rep\u00f3rteres. A declara\u00e7\u00e3o encerrava o assunto e deixava o dito pelo n\u00e3o-dito, e vice-versa&#8230;<\/p>\n<p>02. Para muitos, a Cidade \u00e9 tudo. Quem a entende assim, certamente, a v\u00ea como sin\u00f4nimo de grandeza, for\u00e7a, trabalho, prosperidade, desenvolvimento, alegria, esperan\u00e7a. Solidariedade. As luzes da cidade n\u00e3o chegam as estrelas sem antes me buscar, lembra a roqueira Rita Lee na bela interpreta\u00e7\u00e3o de Z\u00e9lia Ducan.<\/p>\n<p>03. O nada surge em forma do fracasso iminente, anunciado e atende pelo nome de desemprego, viol\u00eancia, intoler\u00e3ncia, mis\u00e9ria, competi\u00e7\u00e3o, individualismo exacerbado. E o cada um por si da supermetr\u00f3pole. &quot;Estava mais solit\u00e1rio que um paulistano&quot;, diz a can\u00e7\u00e3o do cearense Zeca Baleiro.<\/p>\n<p>04. De um jeito ou de outro, todos esses versos nos remetem \u00e0 envolvente Sampa do velho-baiano Caetano Veloso que foi amorosamente contundente em seu olhar sobre a Cidade. &quot;Pois \u00e9 do avesso, do avesso, do avesso o avesso.&quot;<\/p>\n<p>05. Nada mais a dizer. Talvez seja oportuno recordar que, antes de Caetano, outro baiano j\u00e1 havia tomado a cidade como fonte de inspira\u00e7\u00e3o. Tom Z\u00e9 venceu o atribulado Festival da Record de 1968 reverenciando S\u00e3o Paulo e seus contrastes. O refr\u00e3o vitorioso era prova do arrebatamento pr\u00f3prio aos que aqui chegam e entendem toda sua grandiosidade. S\u00e3o, S\u00e3o Paulo, meu amor\/ S\u00e3o, S\u00e3o Paulo, meu amor.<\/p>\n<p>06. \u00c0 essa \u00e9poca, dizia a can\u00e7\u00e3o, viviam por aqui 4 milh\u00f5es de habitantes. E j\u00e1 se ouvia reclama\u00e7\u00f5es do tr\u00e2nsito, enchentes, polui\u00e7\u00e3o, governantes, da vida agitada. Hoje, a popula\u00e7\u00e3o triplicou. Mas, a Cidade continua como um desafio aos novos e velhos baianos, aos paulistas que assim se assumem mesmo que origin\u00e1rios de todas as partes do Brasil e do mundo. Inclui-se aqui tanto a japonesa loura ou<br \/>\na nordestina moura, como descreveu o conjunto Prem\u00ea no arremedo de New York, New York que o grupo fez em homenagem a S\u00e3o Paulo de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>07. Mas, h\u00e1 quem fa\u00e7a ressalvas. Um leitor enviou-me o seu desabafo na semana que antecede o 25 de janeiro. Prefere ficar an\u00f4nimo, mas suas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o precisas. S\u00e3o Paulo deixou de ser o cora\u00e7\u00e3o-de-m\u00e3e que sempre foi. O cora\u00e7\u00e3o generoso que todos sonham ter. \u00c9 o \u00fanico lugar do Brasil que abriga a todos, mas hoje n\u00e3o funciona bem assim. Eu diria que fecharam-se as portas por n\u00e3o caber tanta gente. A mis\u00e9ria se faz presente a cada quarteir\u00e3o de ruas e avenidas. A periferia inchou e o que temos de verdadeiramente nosso \u00e9 uma legi\u00e3o de desvalidos. Do jeito que est\u00e1, conclui o leitor &quot;quatrocent\u00e3o&quot;, n\u00e3o d\u00e1 mais pra sobreviver.<\/p>\n<p>08. Mas, a Cidade se renova a cada manh\u00e3. Porque \u00e9 feita de gente e sonhos. E, como diz o poeta mineiro L\u00f4 Borges num verso tipicamente paulistano, os sonhos n\u00e3o envelhecem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;S\u00f3 se conformemo quando o Joca fal\u00f4: Deus d\u00e1 o frio conforme o cobert\u00f4&quot; (Adoniran Barbosa)<\/p>\n<p>01. Tudo \u00e9 tudo. Nada \u00e9 nada. A frase com que Tim Maia divertia amigos e entrevistadores soa-me como a mais correta tradu\u00e7\u00e3o desta S\u00e3o Paulo que amanh\u00e3 completa 449 anos de vida e de contrastes.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10076","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-caro-leitor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10076","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10076"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10076\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14030,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10076\/revisions\/14030"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10076"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10076"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10076"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}