{"id":10079,"date":"2003-03-14T00:00:00","date_gmt":"2003-03-14T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:10:49","modified_gmt":"2017-09-14T17:10:49","slug":"para-onde-vamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/para-onde-vamos\/","title":{"rendered":"Para onde vamos&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&quot;A riqueza nos influencia como a \u00e1gua do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos&quot; (Schopenhauer)<\/p>\n<p>01. N\u00e3o sei se j\u00e1 contei essa hist\u00f3ria neste espa\u00e7o. Mas, n\u00e3o resisto ao impulso de registr\u00e1-la mesmo correndo o risco de plagiar a mim mesmo. Na verdade, ela (a hist\u00f3ria ou o causo) parece-me oportuna para o momento que vivemos. O risco de uma Grande Guerra, os altos e sorrateiros \u00edndices inflacion\u00e1rios, as criticas ao programa Fome Zero, as imagens do presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva em S\u00e3o Bernardo que, nesta semana, lembrou os velhos tempos de sindicalista&#8230;<\/p>\n<p>02. N\u00e3o me pergunte porqu\u00ea, caro leitor. Mas, vejo o brasileiro na situa\u00e7\u00e3o daquele meu amigo, jornalista, que se viu na manh\u00e3 de domingo absolutamente s\u00f3 em sua casa. Fora abandonado pela mulher, filhos, sogra, cachorro e papagaio ap\u00f3s d\u00e9cadas de conv\u00edvio e sonhos comuns. Foram anos e anos de conquistas e outros tantos de trompa\u00e7o. Corria e se esfolava de trabalhar atr\u00e1s daquilo que, imaginava ele, era a raz\u00e3o da sua exist\u00eancia: um bom emprego, uma super casa num condom\u00ednio fechado, o carr\u00e3o do ano, os filhos em col\u00e9gio pago e a mulher a gerenciar e a cuidar detalhadamente desse belo modo de vida&#8230;<\/p>\n<p>03. Desempregado, s\u00f3 lhe restou na casa, quase vazia. Nem o fog\u00e3o lhe deixaram. Do s\u00e1bado, quando ocorreu a mudan\u00e7a, para a manh\u00e3 de domingo, dormiu feito chumbo (n\u00e3o me perguntem o porqu\u00ea da express\u00e3o, mas existe e vou us\u00e1-la). Ao acordar, sentou-se na cama, olhou desolado para os arredores e ele pr\u00f3prio se surpreendeu. Sentia-se tristonho, mas n\u00e3o era o fim-do-mundo. Na verdade, a sensa\u00e7\u00e3o maior que vivenciava era a de alivio. Entendeu depois de se espregui\u00e7ar algumas vezes, sem que ningu\u00e9m lhe cobrasse bons modos, que estava liberto para sonhar os pr\u00f3prios sonhos&#8230;<\/p>\n<p>04. Sentiu-se no marco zero de sua exist\u00eancia. Ficou claro que todas as conquistas de status e poder, pelas quais brigara at\u00e9 aqui, n\u00e3o eram propriamente suas &#8212; mas, de outras pessoas. E a que precisava mesmo para ser feliz era pouca coisa. Um emprego digno, com sal\u00e1rio suficiente para saldar seus compromissos. E mais: um viol\u00e2o, uma raquete de t\u00eanis, pois a m\u00fasica e o esporte sempre lhe proporcionaram um grande prazer e &#8212; entendia agora &#8212; sempre fizeram parte da sua exist\u00eancia. Penintenciou-se ali mesmo por estar afastado de ambos por tanto tempo.<\/p>\n<p>05. Com calma e vivendo um dia de cada vez, realinhou a \u00f3rbita dos planetas da sua vida. E tocou em frente. Sem fog\u00e3o, partiu para uma dieta vegetariana. De quebra perdeu uns quilinhos e, com a pr\u00e1tica di\u00e1ria de exerc\u00edcios, sentiu-se remo\u00e7ar. Os acordes do viol\u00e3o lhe proporcionaram momentos de puro relaxamento. O trabalho que conseguiu n\u00e3o era a melhor do mundo, mas lhe garantia uma certa tranq\u00fcilidade. Aos poucos, foi se renovando e achando um jeito seu e tranq\u00fcilo de viver. Al\u00e9m de retratar essa hist\u00f3ria em livro, com boa vendagem at\u00e9, o amigo se diz um cara feliz e, principalmente, satisfeito com o caminho que escolheu seguir.<\/p>\n<p>06. Bem, como nas antigas f\u00e1bulas, vamos \u00e0 moral da hist\u00f3ria. Temos uma bela oportunidade de darmos um rumo para o Pa\u00eds. Mudamos o governo, recuperamos a esperan\u00e7a e, tal como o nosso amigo, tivemos nesses tr\u00eas meses tempo suficiente para olharmos os nossos vazios, sonhar os nossos sonhos e tra\u00e7armos um caminho verdadeiramente nosso. Por\u00e9m, e sempre h\u00e1 um por\u00e9m, \u00e0s vezes tenho a impress\u00e3o que estamos a repetir a velha rota de equ\u00edvocos. Tomara seja apenas uma impress\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;A riqueza nos influencia como a \u00e1gua do mar. Quanto mais bebemos, mais sede temos&quot; (Schopenhauer)<\/p>\n<p>01. N\u00e3o sei se j\u00e1 contei essa hist\u00f3ria neste espa\u00e7o. 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