{"id":10082,"date":"2003-05-02T00:00:00","date_gmt":"2003-05-02T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:08:28","modified_gmt":"2017-09-14T17:08:28","slug":"matriz-e-filial-em-a-declaracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/matriz-e-filial-em-a-declaracao\/","title":{"rendered":"Matriz e filial em A Declara\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Quem n\u00e3o compreende um olhar tampouco compreender\u00e1 uma longa explica\u00e7\u00e3o&quot; (M\u00e1rio Quintana)<\/p>\n<p>01. Dego amava Dagmar, mas era oficialmente casado com Deolinda. Houve tempo que o casal De-De vivera os sonhos poss\u00edveis e imposs\u00edveis de uma grande paix\u00e3o. Tanto que, para celebrar uni\u00e3o infinita, t\u00e3o \u00fanica, t\u00e3o verdadeira, n\u00e3o se intimidaram em batizar os tr\u00eas rebentos que chegaram com os seguintes nomes: Desid\u00e9rio J\u00fanior, o primog\u00eanito; Deomar, a do meio, e Deosol, a rapa do tacho que chegou para iluminar aquele lar aben\u00e7oado. <\/p>\n<p>02. S\u00f3 que o tempo tem l\u00e1 suas sinuosidades. E numa dessas curvas do destino Dego trombou com Dagmar &#8212; e a vida de ambos nunca mais foi a mesma. Dego n\u00e3o podia ver aquela &quot;morena 400 talheres&quot; que perdia o ju\u00edzo e a raz\u00e3o. Ali\u00e1s, ouvira a defini\u00e7\u00e3o de um amigo que a vira passar e sentiu-se, al\u00e9m de apaixonado, que havia perdido o medo da vida. Era um ser privilegiado, pois j\u00e1 navegava naquelas \u00e1guas que todo homem um dia deseja banhar-se. Enquanto Deolinda (agora j\u00e1 nem tanto) cuidava do crescimento dos 3 Ds, cada dia mais lindos e inteligentes, o homem fechou uma promessa para consigo mesmo: por maior que fosse a paix\u00e3o, acontecesse o que acontecesse, jamais abandonaria a fam\u00edlia&#8230;<\/p>\n<p>03. De novo o tempo e suas sinuosidades. Dego n\u00e3o tinha qualquer d\u00favida quem era &quot;a mulher da sua vida&quot;. Dagmar, por sua vez, tamb\u00e9m se dizia uma mulher feliz. Quer dizer quase inteiramente feliz. Faltava-lhe apenas urna coisa: ter o Dego s\u00f3 para si. Assim se sentiria uma mulher normal, como tantas. Fim de semana, Dia dos Namorados, Natal, Reveillon seriam datas, ai sim, comemor\u00e1veis. Mas, o que mais a incomodava era o anivers\u00e1rio. Todos os anos passava sozinha ou, no m\u00e1ximo, no m\u00e1ximo, pegava um filminho com uma amiga de infort\u00fanio.<\/p>\n<p>04. Numa noite que Dego chegou todo faceiro, a morena se invocou com a alegria alheia. At\u00e9 porque n\u00e3o via motivo para tanto sorriso. J\u00e1 estavam nessa h\u00e1 tr\u00eas anos e nada parecia mudar. Dego vinha quando podia e depois desaparecia. Ficava s\u00f3 nos telefonemas. Seu anivers\u00e1rio (29 de abril) era na semana que vem. N\u00e3o esquentou muito para soltar a primeira cobran\u00e7a: &quot;Quero voc\u00ea aqui ter\u00e7a \u00e0 noite. Pra ficar&#8230; Sen\u00e3o, pode esquecer.&quot; Queria uma prova de amor.<\/p>\n<p>05. Dego sentiu o baque. E, como sempre nessas horas, recorreu a um velho amigo. Que era confidente e quase-psic\u00f3logo. E que, de passagem, nem se alterou com o drama. Disse apenas para Dego visit\u00e1-lo no fim da tarde de ter\u00e7a, acompanhada de Deolina e as crian\u00e7as. Um detalhe: s\u00f3 ele entraria para buscar um papel qualquer. A fam\u00edlia esperada no carro&#8230;<\/p>\n<p>06. Na ter\u00e7a, a ansioso Dego contava os minutos em voz alta. Chamou o pessoal, pegou um envelope pardo e decretou: \u2018Vamos a uma pizzaria. Primeiro, tenho que passar no escrit\u00f3rio de um amigo. Todos entusiasmaram-se. Ele, inclusive&#8230; <\/p>\n<p>07. Minutos depois, arrastando a sand\u00e1lia da moda, desceu do carro com o tradicional &quot;\u00e9-s\u00f3-um-segundinho&quot;. Entrou esbaforido, sem tocar a campainha. &quot;E a\u00ed, cara, o que vamos fazer?&quot; O amigo riu e perguntou como estavam as coisas. Ele n\u00e3o entendeu e cobrou a solu\u00e7\u00e3o. Como resposta, ouviu um lenga-lenga sobre futebol, a sele\u00e7\u00e3o de Parreira; Ser\u00e1 que ele n\u00e3o havia entendido direito ou o amigo havia esquecido. Tentou retomar a hist\u00f3ria. Mas, nada. Era como se falasse grego. Ficou furioso. Ele o considerava um irm\u00e3o. Pensava que entendia seus problemas. E agora isso.. .Saiu batendo o port\u00e3o e dizendo em voz alta, fora de si: Que palha\u00e7ada!<\/p>\n<p>08. Foi quando o s\u00e1bio-amigo apareceu na cal\u00e7ada e gesticulou para que Dego esperasse. Fora de si, estava ligando o carro quando Deolinda pediu que esperasse. Queria saber o que estava acontecendo: desculpe, comadre, o compadre ficou nervoso porque pedi a ele que me ajudasse a fechar a declara\u00e7\u00e3o de imposto de renda que est\u00e1 complicada. Minha empresa n\u00e3o vai bem, sabe como \u00e9 a crise&#8230; Vai dar um trabalh\u00e3o. Amanh\u00e3 lhe devolvo o homem s\u00e3o e salvo. N\u00e3o queria estragar o passeio de voc\u00eas. Mas, acredite, \u00e9 unia emerg\u00eancia. Amanh\u00e3, termina o prazo. <\/p>\n<p>09. Foi o anivers\u00e1rio mais lindo da minha vida suspirava Dagmar na manh\u00e3 ensolarada de quarta, dia 30. Dego dormia no quarto ao lado o sono dos contentes. Sequer lembrou que n\u00e3o havia feito a pr\u00f3pria declara\u00e7\u00e3o do IR&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Quem n\u00e3o compreende um olhar tampouco compreender\u00e1 uma longa explica\u00e7\u00e3o&quot; (M\u00e1rio Quintana)<\/p>\n<p>01. Dego amava Dagmar, mas era oficialmente casado com Deolinda. 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