{"id":10093,"date":"1999-03-19T00:00:00","date_gmt":"1999-03-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T03:06:04","modified_gmt":"2017-09-15T03:06:04","slug":"a-crise-o-parlamentarismo-e-o-que-nos-impoe-o-caminho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-crise-o-parlamentarismo-e-o-que-nos-impoe-o-caminho\/","title":{"rendered":"A crise, o parlamentarismo e o que nos imp\u00f5e o caminho"},"content":{"rendered":"<p>01. O Brasil do fernandismo est\u00e1 \u00e0 deriva. N\u00e3o convence a mais ningu\u00e9m. Nem ao p\u00fablico interno (a quem deve respeito e satisfa\u00e7\u00e3o, pois o elegeu por duas vezes), nem ao externo (a quem deve uma grana consider\u00e1vel e subservi\u00eancia). No entanto, no bojo de mais um colapso social, que o pr\u00f3prio Governo cavou merc\u00ea da sua arrog\u00e2ncia e incompet\u00eancia, FHC, Malan &amp; Cia n\u00e3o conseguem agradar, com suas atitudes, nem l\u00e1, nem c\u00e1&#8230; Claramente n\u00e3o conseguem tamb\u00e9m projetar um Pa\u00eds socialmente mais justo para enfrentar o Terceiro Mil\u00eanio. Presos a uma s\u00e9rie de compromissos e omiss\u00f5es, criada a partir da necessidade que a turma vislumbrou para continuar no Poder, foram deixando de lado prioridades essenciais como a reforma pol\u00edtica (e o voto distrital, sai ou n\u00e3o?) e a administrativa (vamos enxugar essa m\u00e1quina ou n\u00e3o?), al\u00e9m de investimentos nas \u00e1reas de Educa\u00e7\u00e3o, Sa\u00fade, Moradia, Seguran\u00e7a e Emprego. A impress\u00e3o que se tem \u00e9 que a vida al\u00e9m dos compromissos diplom\u00e1ticos, acad\u00eamicos e econ\u00f4mico n\u00e3o existe (e nunca existiu) para FHC e os seus.<\/p>\n<p>02. Creio que, como eu, os brasileiros andam \u00e0 procura de um caminho menos \u00e1rido para trilhar rumo ao futuro. Mas, como eu, est\u00e3o ressabiados com os homens que chegam ao Poder. Parece que se encantam com o tratamento de EXCEL\u00caNCIA (assim mesmo, grafado em mai\u00fasculas), com aquela coisa emblem\u00e1tica de ser e estar, com a possibilidade de interferir no destino da humanidade&#8230; Imaginam que sabem tudo e em tudo podem (e obrigatoriamente) devem palpitar para a (in)felicidade geral da Na\u00e7\u00e3o. Sentem-se pr\u00f3ximos \u00e0 divindade, quando n\u00e3o a incorporam descaradamente. Houve um outro presidente Fernando que se achava o pr\u00f3prio salvador da p\u00e1tria e clamava como um messias \u00e0s multid\u00f5es: &quot;N\u00e3o me deixem s\u00f3&quot;. Saiu tocado de Bras\u00edlia o mocinho que virou bandido&#8230; E o Pa\u00eds teve que reaprender a confiar naqueles que se dizem l\u00edderes.<\/p>\n<p>03. Assim como naquela ocasi\u00e3o (92\/93), agora tamb\u00e9m \u00e9 inevit\u00e1vel que se ou\u00e7a falar do parlamentarismo como a pedra de toque para novas esperan\u00e7as. O sistema permitiria, entre outras medidas, que se trocasse o primeiro ministro, o gabinete e at\u00e9 mesmo, em alguns casos, proporia uma nova elei\u00e7\u00e3o para o Congresso e, argumentam seus defensores, uma nova lufada de ares renovadores rasgaria o Pa\u00eds de ponta a ponta. N\u00e3o precisar\u00edamos esperar tr\u00eas anos e tanto para refazer o que se desfez.<\/p>\n<p>04. Poderia ser uma boa solu\u00e7\u00e3o, apreci\u00e1vel sem d\u00favida. Mas, \u00e9 curioso (se n\u00e3o fosse triste) que o parlamentarismo s\u00f3 \u00e9 lembrado entre n\u00f3s quando o Pa\u00eds est\u00e1 em crise. Foi assim em 61 ap\u00f3s a ren\u00fancia de J\u00e2nio Quadros, quando o ent\u00e3o deputado Tancredo Neves foi nomeado primeiro ministro e o parlamentarismo durou aproximados 60 dias e mais confundiu do que resolveu. Foi assim tamb\u00e9m em 93, logo depois os atribulados dias colloridos. Houve uma vota\u00e7\u00e3o popular que referendou o presidencialismo em detrimento do parlamentarismo e da monarquia (ufa!). Vale lembrar que \u00e0 \u00e9poca os tucanos &#8212; incluindo Fernando Henrique &#8212; eram parlamentaristas desde tempos idos. Quando se aboletaram no Poder em 95, preferiram relegar a reforma pol\u00edtica a um plano secund\u00e1rio e a palavra parlamentarismo virou tabu.<\/p>\n<p>05. Mas, n\u00e3o \u00e9 novidade esse comportamento. Na vota\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o em 88, Fernando Henrique declarou-se (e votou) contra a reelei\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o presidente, FHC foi o primeiro a batalhar para permanecer onde sempre quis estar. Ser e estar presidente, sempre foi meta e objetivo de FHC. Mesmo que nada fa\u00e7a para merec\u00ea-lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. O Brasil do fernandismo est\u00e1 \u00e0 deriva. N\u00e3o convence a mais ningu\u00e9m. 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