{"id":10101,"date":"1999-08-22T00:00:00","date_gmt":"1999-08-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T02:56:21","modified_gmt":"2017-09-15T02:56:21","slug":"a-heroina-do-ipiranga","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-heroina-do-ipiranga\/","title":{"rendered":"A hero\u00edna do Ipiranga"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Sonho que se sonha junto \u00e9 realidade.&quot; (Raul Seixas)<\/p>\n<p>01. Em algum dia de nossas vidas, certamente, j\u00e1 ouvimos a frase\/can\u00e7\u00e3o do velho Raulzito e, posso lhe assegurar, n\u00e3o lhe demos a devida aten\u00e7\u00e3o, a import\u00e2ncia que verdadeiramente tem para n\u00f3s e para todo o mundo que nos cerca.<\/p>\n<p>02. Eu a entendo como a &quot;Imagine&quot; brasileira. A can\u00e7\u00e3o de John Lennon, que ainda hoje toca nas r\u00e1dios e emociona, prop\u00f5e um mundo melhor pelo congra\u00e7amento de toda a ra\u00e7a humana. A de Raul, que quase nunca lembramos, nos traz o instrumento vital para realiza\u00e7\u00e3o desta corrente de fraternidade: o sonho, aquele que se sonha junto e se transforma em realidade&#8230; Na realidade que todos almejamos, mas que s\u00f3 nos damos conta que existe e \u00e9 poss\u00edvel quando a vemos distante de n\u00f3s; muitas vezes presa por um t\u00eanue fio de esperan\u00e7a, aquela que nunca morre e nos mant\u00e9m vivos&#8230;<\/p>\n<p>03. Em tr\u00eas ocasi\u00f5es senti a plenitude desse verso. A primeira foi nos idos de 80, num congresso de jornalistas em Curitiba. Ao encerrar o encontro, quando o estado democr\u00e1tico era considerado uma utopia, o ent\u00e3o arcebispo de Recife, Dom Helder C\u00e2mara, nos encheu de f\u00e9 e encheu at\u00e9 a boca o c\u00e1lice da esperan\u00e7a ao declamar a frase\/can\u00e7\u00e3o. Todos acreditamos que a democracia n\u00e3o tardaria por vir&#8230; A outra ocasi\u00e3o foi h\u00e1 dois anos, na dedicat\u00f3ria do primeiro exemplar do meu livro &quot;\u00c0s Margens Pl\u00e1cidas do Ipiranga&quot;. Foi um momento \u00fanico, especial&#8230; A realiza\u00e7\u00e3o de um sonho, o reconhecimento a quem me ajudou a transform\u00e1-lo em realidade&#8230;<\/p>\n<p>04. A terceira vez foi nesta semana ao receber a carta da leitora Alice Soares Ferreira. Uma carta que fala de Iara Iavelberg, a jovem de 27 anos que sacrificou-se para que este Pa\u00eds um dia pudesse ser feliz.<\/p>\n<p>05. Alice foi amiga de Iara, que nasceu no Ipiranga em 7 de maio de 1944, mais precisamente na rua Silva Bueno. Freq\u00fcentou as escolas do bairro. Formou-se no Alexandre de Gusm\u00e3o e foi cursar Psicologia na Maria Ant\u00f4nia, a c\u00e9lebre rua de muitos entreveros estudantis durante a Ditadura Militar.<\/p>\n<p>06. Como tantos outros jovens, n\u00e3o se conformando com o suf\u00f4co em que vivia o Pa\u00eds, Iara e seu irm\u00e3o, apelidado de Melo, ingressaram nos movimentos estudantis que se rebelavam contra o Golpe de 64 (&#8230;) No calor da luta, conheceu e uniu-se de cora\u00e7\u00e3o ao capit\u00e3o Lamarca (&#8230;) Sua \u00faltima morada, antes de cair na clandestinidade, foi o predinho de apartamentos da Agostinho Gomes (&#8230;) No dia 20 de agosto de 1971, acossada pelos esbirros da ditadura, encontrou a morte em Salvador, Bahia. O Ipiranga j\u00e1 tem a sua hero\u00edna: Iara, a menina de olhos meigos e sorriso doce.<\/p>\n<p>07. Tomara que a coragem &#8212; e a lembran\u00e7a de Iara &#8212; nos ensine a transformar o sonho de todos n\u00f3s numa grata realidade. Ali\u00e1s, como preconizou Raul Seixas (os 10 anos de sua morte reverenciam-se domingo), aquele que nos ensinou a n\u00e3o ter aquela velha opini\u00e3o formada sobre tudo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Sonho que se sonha junto \u00e9 realidade.&quot; (Raul Seixas)<\/p>\n<p>01. Em algum dia de nossas vidas, certamente, j\u00e1 ouvimos a frase\/can\u00e7\u00e3o do velho Raulzito e, posso lhe assegurar, n\u00e3o lhe demos a devida aten\u00e7\u00e3o,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10101","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-caro-leitor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10101"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10101\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14232,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10101\/revisions\/14232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}