{"id":10103,"date":"2001-10-11T00:00:00","date_gmt":"2001-10-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:56:18","modified_gmt":"2017-09-14T17:56:18","slug":"a-moca-o-anjo-e-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-moca-o-anjo-e-a-paz\/","title":{"rendered":"A mo\u00e7a, o anjo e a paz"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Todos vivemos sob o mesmo c\u00e9u, mas nem todos v\u00eaem o mesmo horizonte&quot; (Konrad Adenauer)<\/p>\n<p>A guerra \u00e9 inevit\u00e1vel. Manh\u00e3 de domingo. Parque da Aclima\u00e7\u00e3o. A mo\u00e7a, com trajes que vagamente lembravam os hippies dos anos 70, certamente n\u00e3o sabia dos bombardeios anglo-americanos no Afganist\u00e3o. Mas, revelava-se descrente quanto ao futuro desse planeta azul chamado Terra&#8230; Assim como eu e muitos outros, ela se impressionou com a performance do artista Azerutan que, aos olhos de um p\u00fablico incr\u00e9dulo e silencioso, transformara-se numa est\u00e1tua-viva em pleno campo de futebol da Aclima\u00e7\u00e3o. A promo\u00e7\u00e3o, embora realizada com atraso, saudava a chegada da primavera com a mostra &quot;Arte de Rua&quot;.<\/p>\n<p>O c\u00e1lido anjo tamb\u00e9m n\u00e3o devia estar informado sobre os ataques. Estava sereno, imp\u00e1vido. Trazia nas m\u00e3os, que pareciam esculpidas em gesso, um cartaz com a palavra Paz. Era o desejo sincero de mais este brasileiro que escolheu como profiss\u00e3o de f\u00e9 o sinuoso caminho de uma arte que ainda n\u00e3o tem o reconhecimento do p\u00fablico. Mas, que a todos impressiona e faz pensar&#8230; Usei o anjo como inspira\u00e7\u00e3o e disse \u00e0 jovem que a paz est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o dos homens. Mais dia, menos dia, vingar\u00e1 em todos os confins do Planeta.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma longa caminhada at\u00e9 chegarmos a esse estado ideal. Mas, acredito nele, apressou-se em responder a mo\u00e7a. E continuou: &#8212; Todos querem a paz. Mas, por enquanto, desde que n\u00e3o interfira no interesse e privil\u00e9gios de uma casta de poderosos que \u00e9 capaz de tudo para se manter onde chegou.  &#8212; Tem raz\u00e3o. H\u00e1 muita mis\u00e9ria no mundo, falei instantaneamente. &#8212; Pois \u00e9. Enquanto permanecer essa situa\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m ser\u00e1 inteiramente feliz. Ningu\u00e9m mais viver\u00e1 em seguran\u00e7a&#8230; &#8212; Assim voc\u00ea parece justificar o ataque \u00e0s torres e toda aquela mortandade, chamei-lhe aten\u00e7\u00e3o. Mas, n\u00e3o era preciso&#8230; &#8212; Em hip\u00f3tese alguma, apressou-se em dizer a mo\u00e7a. &#8212; Toda a forma de terror \u00e9 um ato de covardia, e injustific\u00e1vel. Mas, temo pelo pior&#8230; &#8212; Como assim? &#8212; Seja l\u00e1 quem for que fez aquela atrocidade sabia que estava dando in\u00edcio a um conflito de propor\u00e7\u00f5es inimagin\u00e1veis. \u00c9 muito prov\u00e1vel que tenha se preparado anos a fio para o enfrentamento que acontecer\u00e1 a partir da\u00ed e sei l\u00e1 aonde vai nos levar&#8230;<\/p>\n<p>Entendi a preocupa\u00e7\u00e3o da mo\u00e7a. Desde o desmantelamento do imp\u00e9rio sovi\u00e9tico, desapareceram um consider\u00e1vel n\u00famero de ogivas nucleares e outras armas igualmente incontrol\u00e1veis. Ainda hoje ningu\u00e9m se deu conta nas m\u00e3os de quem foram parar. Contei isso a ela que pareceu n\u00e3o se surpreender. Antes de ir embora lembrou Mahatma Ghandi num alerta talvez tardio: a pol\u00edtica do olho por olho faz com que todos terminem cegos. Olhei outra vez a est\u00e1tua-viva e admirei a for\u00e7a do artista e daqueles que, como a hiponguinha de roupas bordadas, acreditam na paz e, mesmo que silenciosamente, lutam por um mundo melhor. Ah!, n\u00e3o tive coragem de lhe dizer que os americanos haviam mordido a isca. Bombardeavam Cabul e outras cidades afeg\u00e3s. Ela tinha raz\u00e3o: a guerra ter\u00e1 proje\u00e7\u00e3o mundial&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Todos vivemos sob o mesmo c\u00e9u, mas nem todos v\u00eaem o mesmo horizonte&quot; (Konrad Adenauer)<\/p>\n<p>A guerra \u00e9 inevit\u00e1vel. Manh\u00e3 de domingo. Parque da Aclima\u00e7\u00e3o. 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