{"id":10107,"date":"2001-10-05T00:00:00","date_gmt":"2001-10-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:57:04","modified_gmt":"2017-09-14T17:57:04","slug":"a-paz-e-a-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-paz-e-a-informacao\/","title":{"rendered":"A paz e a informa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&quot;N\u00e3o h\u00e1 que ser forte. H\u00e1 que ser flex\u00edvel&quot; (Prov\u00e9rbio chin\u00eas)<\/p>\n<p>01. Assim como as tropas americanas andam perdidas pelos mares do Golfo, outro batalh\u00e3o de ocidentais anda desorientado pelos confins do Oriente. N\u00e3o s\u00e3o atores globais, n\u00e3o. S\u00e3o os jornalistas que preparam-se para cobrir uma eventual guerra. Um conflito que ainda ningu\u00e9m sabe como e onde vai ser, qual o tempo de dura\u00e7\u00e3o e quais s\u00e3o exatamente as for\u00e7as em combate.<\/p>\n<p>02. Uma situa\u00e7\u00e3o um tanto quanto difusa visto que, embora todos os focos e miras apontem Osama Bin Laden, ningu\u00e9m sabe exatamente o perfil do inimigo. N\u00e3o h\u00e1 apenas um \u00fanico pa\u00eds envolvido. Fala-se em poderoso grupo com ramifica\u00e7\u00f5es em 50 pa\u00edses, que pode receber outras tantas ades\u00f5es a partir de interesses os mais diversos poss\u00edveis. Fala-se em confronto religioso e \u00e9tnico, em guerra de civiliza\u00e7\u00f5es e outras tantas imagens que assustam e colocam a humanidade entre a cruz e a espada, entre o m\u00edssil e o homem-bomba suicida.<\/p>\n<p>03. \u00c9 tamanha a confus\u00e3o que s\u00f3 nos Estados Unidos existem 500 presos suspeitos de terem liga\u00e7\u00e3o com grupos que tramaram a trag\u00e9dia de 11 de setembro. Outros cento e tantos continuam sendo procurados. Ou seja, se os mais bem equipados servi\u00e7os de intelig\u00eancia do mundo n\u00e3o conseguem agir com objetividade, imagine o que sobra de informa\u00e7\u00e3o e contra-informa\u00e7\u00e3o para os rep\u00f3rteres apurarem.<\/p>\n<p>04. Outros fatores contribuem para agravar a situa\u00e7\u00e3o para soldados e rep\u00f3rteres. O Afeganist\u00e3o possui uma geografia absolutamente irregular e hostil. H\u00e1 a barreira do idioma e dialetos, os costumes tribais, a precariedade das redes de transmiss\u00e3o e, sobretudo, a mis\u00e9ria e brutaliza\u00e7\u00e3o de um povo que vive em conflito h\u00e1 mais de 20 anos. E que praticamente n\u00e3o conhece outra realidade sen\u00e3o a guerra.<\/p>\n<p>05. Para se ter uma id\u00e9ia, as empresas jornal\u00edsticas n\u00e3o sabem exatamente quantos profissionais mandar para a frente de combate. Menos ainda sabem qual o grau de liberdade e independ\u00eancia que esse contingente vai ter para trabalhar. Dois conflitos relativamente recentes &#8212; o do Vietn\u00e3, nos anos 70, e o do Golfo, em 91\/92 &#8212; vem sendo citadas como exemplo do que se deve ou n\u00e3o fazer.<\/p>\n<p>06. Na Guerra do Vietn\u00e3, os jornalistas tiveram ampla liberdade de atua\u00e7\u00e3o e, de forma bem contundente, acabaram por disseminar com suas reportagens um sentimento anti-b\u00e9lico na opini\u00e3o p\u00fablica americana. Quando os horrores dos combates invadiram a sala de jantar do americano e, via TV, tomou-se consci\u00eancia das atrocidades que ocorriam no Vietn\u00e3, houve uma forte manifesta\u00e7\u00e3o popular para que a guerra terminasse e toda uma gera\u00e7\u00e3o, mundo afora, andou com os dedos em V a cantar, em prosa e verso, o slogan<br \/>\npaz e amor.<\/p>\n<p>07. No conflito do Golfo, houve todo um monitoramento do Pent\u00e1gono sobre os passos dos rep\u00f3rteres. O que poderiam ou n\u00e3o mostrar. Foi quando a Rede CNN se consagrou mundialmente como refer\u00eancia em jornalismo, com tentativas de furar esse bloqueio, custasse o que custasse. Ainda hoje, entre os profissionais americanos, h\u00e1 um consenso que os 1.400 jornalistas que cobriram a Guerra do Golfo n\u00e3o puderam trabalhar com a liberdade e isen\u00e7\u00e3o desejadas. As principais not\u00edcias vinham filtradas pelos assessores do Comit\u00ea de Defesa e Seguran\u00e7a. Invariavelmente, para inviabilizar os passos dos rep\u00f3rteres, eram alegados<br \/>\ninteresse do Estado ou risco de morte iminente.<\/p>\n<p>08. Depois desse conflito, ainda em 92, uma comiss\u00e3o de jornalistas reuniu-se com representantes do Comit\u00ea para elaborar um c\u00f3digo de princ\u00edpios que nortearia a cobertura de eventuais guerras. A linha mestre, obviamente, foi a atua\u00e7\u00e3o independente dos jornais. \u00c9 exatamente o respeito a esse c\u00f3digo que hoje querem os profissionais de Imprensa de todo mundo. A paz, desde os tempos do Imp\u00e9rio Romano, nunca foi uma moeda de um lado s\u00f3. Para equilibr\u00e1-la, por mais dif\u00edcil que pare\u00e7a, \u00e9 preciso mais do que coragem e desprendimento. \u00c9 preciso que todos os cidad\u00e3os tenham acesso a um mundo digno e socialmente mais justo &#8212; e a informa\u00e7\u00e3o livre e independente \u00e9 fundamental para essa mudan\u00e7a que, diga-se, \u00e9 inevit\u00e1vel&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;N\u00e3o h\u00e1 que ser forte. H\u00e1 que ser flex\u00edvel&quot; (Prov\u00e9rbio chin\u00eas)<\/p>\n<p>01. 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