{"id":10110,"date":"2000-01-21T00:00:00","date_gmt":"2000-01-21T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T22:14:55","modified_gmt":"2017-09-14T22:14:55","slug":"a-solidariedade-na-cidade-quatrocentona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-solidariedade-na-cidade-quatrocentona\/","title":{"rendered":"A solidariedade na cidade quatrocentona"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Com o punho fechado, n\u00e3o se pode trocar um aperto de m\u00e3o&quot; (Indira Ghandi)<\/p>\n<p>01. A ex-terra da garoa, a nossa S\u00e3o Paulo do Padre Anchieta, completa 446 anos na ter\u00e7a, dia 25, com aquele cerimonial de sempre: festas protocolares, shows esparsos em parques, mostras de fotografias e cousa e lousa. O trivial bem temperado das comemora\u00e7\u00f5es, no entanto, n\u00e3o consegue esconder as trag\u00e9dias da megal\u00f3pole de 15 milh\u00f5es de habitantes que ainda cresce desordenadamente em todas as dire\u00e7\u00f5es, abriga ainda a todos que a procuram e ainda \u00e9 apontada como exemplo de cidade violenta, agressiva, in\u00f3spita&#8230;<\/p>\n<p>02. Repeti propositalmente o adv\u00e9rbio ainda, que revela um tempo que \u00e9, mas j\u00e1 se faz tardio, porque, me parece, tem muito a ver com o dia-a-dia de Sampa, como o baiano Caetano Veloso a chamou numa de suas mais tocantes can\u00e7\u00f5es. N\u00e3o sei se voc\u00ea, caro leitor, j\u00e1 reparou, mas o passar do tempo aqui, no Planalto de Piratininga, \u00e9 ora arrastado, ora precipita-se com a for\u00e7a do imponder\u00e1vel diante de n\u00f3s&#8230;<\/p>\n<p>03. Domar o tempo, eis o desafio que SP prop\u00f5e. Fazer do tempo um aliado dos nossos sonhos, das nossas lutas. Das conquistas que a cidade generosa, mais dia, menos dia, oferece a quem cedo madruga e vai \u00e0 lida. \u00c9 praxe dizer que o paulistano est\u00e1 sempre atrasado. Corre, n\u00e3o sabe para aonde. Trabalha, n\u00e3o vive. E, muitas vezes, roda, roda para chegar ao mesmo lugar, especialmente em dias de enchentes e congestionamentos. Transtornos n\u00e3o faltam \u00e0 cidade; mas, em compensa\u00e7\u00e3o, h\u00e1 uma farta por\u00e7\u00e3o de solidariedade na gente paulistana que ainda sonha em mudar a cara do mundo&#8230;<\/p>\n<p>04. E, para tanto, n\u00e3o tenho d\u00favidas, vai lan\u00e7ar m\u00e3o desse sentimento de irmandade, palavra bonita, que induz a gestos nobres. Gestos que proliferaram, nesta semana, a partir da not\u00edcia de que o jogador Narciso, do Santos, \u00e9 portador de leucemia e agora tem pela frente um jogo muito mais importante: o jogo pela vida. A exemplo de um outro e agora long\u00ednquo 19 de janeiro (quando morreu Elis Regina em 1981), neste tamb\u00e9m o paulistano ficou prostrado ao saber do desafio que o jovem atleta de 26 anos tem pela frente. E por fax, carta, e-mail. Em correntes de ora\u00e7\u00f5es, pensamentos positivos e manifesta\u00e7\u00e3o de apre\u00e7o. De todas as formas, o paulistano vem expressando sua mais ampla e irrestrita solidariedade.<\/p>\n<p>05. Ao clube, chegaram propostas de nada menos que 200 doadores. Voluntariamente, sem querer nada em troca, gostariam de amenizar a dor do atleta que tem mostrado uma not\u00e1vel grandeza como ser humano. Ele pr\u00f3prio fez quest\u00e3o de esclarecer aos companheiros de clube sobre a doen\u00e7a, pediu que ningu\u00e9m se abatesse por ele e que, cada vit\u00f3ria do Santos, comemoraria como uma vit\u00f3ria pessoal. Em sua \u00fanica manifesta\u00e7\u00e3o \u00e0 Imprensa, foi categ\u00f3rico: daqui para frente, a prioridade \u00e9 minha sa\u00fade. N\u00e3o estou preocupado com o meu futuro no futebol.<\/p>\n<p>06. O paulistano que sofre com as chuvas, o desemprego, os congestionamentos, a viol\u00eancia das ruas, a in\u00e9pcia das autoridades&#8230; Esse mesmo paulistano n\u00e3o perde a esperan\u00e7a e se orgulha de ainda estar na luta. \u00c9 a determina\u00e7\u00e3o de quem sabe que est\u00e1 construindo a pr\u00f3pria hist\u00f3ria e a hist\u00f3ria de seu tempo. \u00c9 a gana, \u00e9 a ra\u00e7a, \u00e9 a vontade de vencer que Narciso sempre demonstrou em campo e que agora, torcemos todos, continue a ter para virar esse jogo. Jogo que ainda n\u00e3o tem um placar definitivo, nem um tempo regulamentar&#8230;<\/p>\n<p>07. Nesta hora, vale lembrar outros tantos narcisos an\u00f4nimos que tamb\u00e9m precisam de um gesto de solidariedade. Ao que consta, 900 brasileiros aguardam doadores na fila dos transplantes. Esperam a chance de ainda ter um tempo que ora \u00e9 arrastado, mas que pode se fazer c\u00e9lere, para voltar a viver e a sonhar&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Com o punho fechado, n\u00e3o se pode trocar um aperto de m\u00e3o&quot; (Indira Ghandi)<\/p>\n<p>01. 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