{"id":10112,"date":"2001-08-10T00:00:00","date_gmt":"2001-08-10T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:44:37","modified_gmt":"2017-09-14T21:44:37","slug":"a-tristeza-que-balanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-tristeza-que-balanca\/","title":{"rendered":"A tristeza que balan\u00e7a&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&quot;O samba \u00e9 a tristeza que balan\u00e7a. O samba \u00e9 da tristeza a esperan\u00e7a de um dia n\u00e3o ser mais triste, n\u00e3o&quot; (Vinicius de Moraes)<\/p>\n<p>01. Gostaria de excepcionalmente hoje lhe pedir uma distin\u00e7\u00e3o. Que antes de come\u00e7ar a ler essas maltra\u00e7adas, e caso isso seja poss\u00edvel, procure l\u00e1 entre seus CDs ou mesmo entre os velhos discos de vinil um que tenha o velho &quot;Samba da Ben\u00e7\u00e3o&quot;, de Baden Powel e Vinicius de Moraes. Preferencialmente, e se n\u00e3o for pedir muito, interpretado pelo pr\u00f3prio Poetinha tendo o parceiro ao viol\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>02. N\u00e3o sei precisar exatamente o motivo. Talvez seja o sol morno desta manh\u00e3 de quinta-feira. Ou a tristeza que sempre causa a morte de algu\u00e9m que imagin\u00e1vamos imortal, como a do escritor Jorge Amado; como um dia eu, garoto, acreditei que fosse o seu Aldo, meu velho e saudoso pai.<\/p>\n<p>03. Talvez seja o desencanto de bater sempre na mesma tecla em prol do que acreditamos ser uma sociedade mais justa e equilibrada e, a bem da verdade, ter a cada manh\u00e3 como tema as desventuras de J\u00e1der Barbalho, ACM, FHC, apag\u00f5es, desemprego, alta do d\u00f3lar, viol\u00eancia urbana e outras tantas quest\u00f5es similares.<\/p>\n<p>04. Muitas vezes, enquanto escrevo, surpreende-me a d\u00favida. Ser\u00e1 que falar desses estrop\u00edcios seria mesmo a melhor maneira de dar bom-dia aos am\u00e1veis leitores de GI. Tal e qual uma artilharia pesada, o r\u00e1dio, a TV e os di\u00e1rios j\u00e1 nos bombardeiam cotidianamente com tantas e tamanhas que nem sei como resistimos e n\u00e3o piramos todos de vez. Se \u00e9 que tal fen\u00f4meno, como no conto &quot;O Alienista&quot;, de Machado de Assis, j\u00e1 n\u00e3o vem ocorrendo&#8230;<\/p>\n<p>05. At\u00e9 em tra\u00e7os mais originais de nossa cultura, como o futebol e a m\u00fasica, sentimos a derrocada. Andam insuport\u00e1veis. O futebolzinho anda tosco; a sele\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00f3 vexame. E a m\u00fasica, mais bizarra imposs\u00edvel: sai do intrag\u00e1vel sertanejo-pop para o ax\u00e9, do pagode choroso para o forr\u00f3 dos mauricinhos e por a\u00ed caminha a vulgaridade.<\/p>\n<p>06. Olha a\u00ed. N\u00e3o queria. Mas, \u00eapa, j\u00e1 baixou o amargor. N\u00e3o vou deletar o item acima s\u00f3 para deixar o desabafo. Mas, tento aliviar a barra, desatarrachar saudades, lembran\u00e7as e sonhos que se perderam e invoco ensinamentos de Vinicius em forma de samba cadenciado. A vida \u00e9 uma s\u00f3 &#8212; cantou o Poetinha.<br \/>\nNingu\u00e9m vai me provar que existe duas, a n\u00e3o ser que me tragam um documento com firma reconhecida em cart\u00f3rio oficial, carimbado e assinado embaixo: Deus.<\/p>\n<p>07. Sua ben\u00e7\u00e3o, poeta maior. Voc\u00ea, que se auto-intitulava capit\u00e3o do mato, o branco mais preto do Pa\u00eds. Valeram os toques. A gente sabe que \u00e9 melhor ser alegre do que triste, que a alegria \u00e9 a melhor coisa que existe. Mas tem dia que o caldo entorna de vez e s\u00f3 resta fio desencapado para o brasuca da hora se segurar e a\u00ed&#8230; A\u00ed, a gente lembra que a vida \u00e9 a arte do encontro embora haja tantos desencontros pela vida. E recorre a um velho samba para continuar tocando e seguindo em frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;O samba \u00e9 a tristeza que balan\u00e7a. O samba \u00e9 da tristeza a esperan\u00e7a de um dia n\u00e3o ser mais triste, n\u00e3o&quot; (Vinicius de Moraes)<\/p>\n<p>01. Gostaria de excepcionalmente hoje lhe pedir uma distin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10112","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-caro-leitor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10112","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10112"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10112\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14132,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10112\/revisions\/14132"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10112"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10112"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10112"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}