{"id":10123,"date":"2002-01-11T00:00:00","date_gmt":"2002-01-11T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:44:10","modified_gmt":"2017-09-14T17:44:10","slug":"ano-novo-vida-nova-sera","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/ano-novo-vida-nova-sera\/","title":{"rendered":"Ano novo, vida nova. Ser\u00e1?"},"content":{"rendered":"<p>&quot;O segredo de aborrecer \u00e9 o de dizer tudo&quot; (Voltaire)<\/p>\n<p>01. Voltou na segunda, dia 7. Desde 22 de dezembro afastado do trabalho, sentia-se um tanto enferrujado para come\u00e7ar o ano e recome\u00e7ar a habitual rotina da reparti\u00e7\u00e3o. Entre balancetes, faturas, uma pilha de correspond\u00eancia (nem nesses dias de recesso natalino, a vida em S\u00e3o Paulo p\u00e1ra, coisa de louco), deu-se conta de que os dias de descanso, como de costume, voaram e ele nem aproveitou o que merecia. N\u00e3o se divertiu o que pretendia (choveu o tempo todo na praia onde se hospedou), nem descansou o suficiente (dormir em colchonete esse tempo todo s\u00f3 piorou sua dor nas costas). Mas, entendeu logo, f\u00e9rias s\u00e3o assim mesmo&#8230;<\/p>\n<p>02. Agora, era retomar o fluxo normal das coisas &#8212; e esperar pelos feriados do Carnaval. Olhou ao redor, a sala vazia, os colegas n\u00e3o tardariam a chegar. Pensou numa r\u00e1pida arruma\u00e7\u00e3o, dessas que se p\u00f5e para toda a papelada in\u00fatil que guardamos durante o ano inteiro. Pensou em separar o que era importante, mas assim que come\u00e7ou a remexer os pap\u00e9is sentiu-se entediado. Seria um servi\u00e7o in\u00fatil e, de imediato, abriu o imenso saco preto e despejou tudo o que havia ao redor. Teve uma enorme sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio&#8230;<\/p>\n<p>03. Ano novo, vida nova &#8212; confabulou com seus bot\u00f5es. Foi a deixa para lembrar de uma lista de promessas que houvera alinhavado durante esses dias de fastio. Abriu a carteira, dobrada em quatro, l\u00e1 estava a t\u00e1bua-da-salva\u00e7\u00e3o para 2002. Leu com curiosidade o que ele pr\u00f3prio havia escrito em letras de forma, item por item, por dias seguidos: eu preciso parar de&#8230; reclamar&#8230; fumar (\u00eata, v\u00edcio chato)&#8230; tomar caf\u00e9 a cada quinze minutos&#8230; travar a porta do carro com a chave dentro&#8230; acordar sempre atrasado&#8230; esquecer da vida na internet&#8230; andar sem o cinto de seguran\u00e7a&#8230; falar demais&#8230; n\u00e3o anotar os recados&#8230; ver programas esportivos aos domingos&#8230; tomar refrigerantes durante as refei\u00e7\u00f5es&#8230; prometer iniciar a dieta na segunda-feira&#8230; opinar sobre tudo&#8230; come\u00e7ar a ler o jornal pelo hor\u00f3scopo&#8230; me irritar por qualquer bobagem&#8230; falar ao celular a todo momento&#8230; n\u00e3o respeitar a faixa de pedestre&#8230; atravessar farol vermelho&#8230; procurar a mulher ideal&#8230; acreditar que s\u00f3 o amor constr\u00f3i.<\/p>\n<p>04. Achou razo\u00e1vel a listagem. Mas, sentiu falta de algo. Algo muito importante, por sinal. N\u00e3o lembrava o qu\u00ea. Repassou os itens e reparou que, ao p\u00e9 da p\u00e1gina, havia uns rabiscos com garranchos tortos e quase ileg\u00edveis. Colocou os \u00f3culos e, com alguma dificuldade, decifrou a mensagem. Era a seguinte: eu preciso parar de listar coisas que eu nunca vou deixar de fazer. Concluiu que o vinho tinha lhe inspirado aquela frase e gostou mais ainda do recado final em letras, digamos, garrafais: viva e deixe viver&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;O segredo de aborrecer \u00e9 o de dizer tudo&quot; (Voltaire)<\/p>\n<p>01. Voltou na segunda, dia 7. Desde 22 de dezembro afastado do trabalho, sentia-se um tanto enferrujado para come\u00e7ar o ano e recome\u00e7ar a habitual rotina da reparti\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10123","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-caro-leitor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10123","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10123"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10123\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14082,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10123\/revisions\/14082"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10123"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10123"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10123"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}