{"id":10129,"date":"2001-01-19T00:00:00","date_gmt":"2001-01-19T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:57:36","modified_gmt":"2017-09-14T21:57:36","slug":"sob-o-sol-de-janeiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sob-o-sol-de-janeiro\/","title":{"rendered":"Sob o sol de janeiro"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Eu (n\u00e3o) fui&#8230;&quot;<\/p>\n<p>01. A Economia d\u00e1 sinais de recupera\u00e7\u00e3o neste in\u00edcio de ano, um janeiro ensolarado onde com\u00e9rcio e ind\u00fastria comemoram felizes depois do natal, coisa rara de acontecer. As boas vendas surpreendem e projetam um ano mais equilibrado, com menor taxas de juros, mais abrang\u00eancia para o cr\u00e9dito e uma melhora acentuada para o setor produtivo. Especialistas apontam o setor da constru\u00e7\u00e3o civil como a bola da vez para futuros investimentos, mas fazem a ressalva de que \u00e9 preciso importar menos e exportar mais. Dizem mais: quando o Pa\u00eds puder abrir m\u00e3o das lufadas de ar renovado do capital estrangeiro, \u00e9 sinal de que retomamos o rumo certo de um futuro promissor.<\/p>\n<p>02. Seria oportuno que todos esses ind\u00edcios de um Brasil melhor n\u00e3o ficassem unicamente no discurso das autoridades econ\u00f4micas ou mesmo nas manchetes dos notici\u00e1rios da m\u00eddia. Vale sempre destacar que aqui, ao r\u00e9s do ch\u00e3o, onde a vida verdadeiramente acontece, n\u00e3o chegaram sequer os primeiros ventos dessa nova era. Ainda vivemos aos sobressaltos com a quest\u00e3o da seguran\u00e7a p\u00fablica &#8212; a prioridade das prioridades &#8212; e as outras metas anunciadas em campanha pela m\u00e3o espaldada do Governo FHC: habita\u00e7\u00e3o, emprego, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Nunca \u00e9 demais relembrar que isso aconteceu em 94, quando o pr\u00edncipe dos soci\u00f3logos elegeu-se pela primeira vez.<\/p>\n<p>03. O leitor, por certo, h\u00e1 de questionar: o tucanato \u00e9 useiro e vezeiro em proclamar boas novas aos quatro cantos, sem que se tenha o resultado social de toda essa discurseira? Sempre que o presidente viaja, os assessores preparam um bel\u00edssimo pacote de informa\u00e7\u00f5es e alv\u00edssaras de que pa\u00eds modelar \u00e9 o nosso Brasil para uso e aplausos nas lides internacionais. Por isso, \u00e9 justo arregalar os olhos do bom-senso. O brasileiro, ali\u00e1s, de uns tempos para c\u00e1, ficou igual aquele garoto que ficou estr\u00e1bico porque a m\u00e3e mandava que ele, todos os dias, cuidasse do gato e da sardinha&#8230;<\/p>\n<p>04. De qualquer forma, \u00e9 melhor mesmo que comecemos o ano, o s\u00e9culo e o mil\u00eanio de uma forma mais positiva. Claro que n\u00e3o h\u00e1 como deixar palavras e promessas nos tolde a vis\u00e3o do que est\u00e1 por vir. Sejamos, pois, otimistas na a\u00e7\u00e3o e c\u00e9ticos no pensamento. Problemas, sempre os h\u00e1. O melhor \u00e9 enfrent\u00e1-los, resolv\u00ea-los, antes que d\u00eaem origem a outros e outros e mais outros.<\/p>\n<p>05.O Pa\u00eds precisa de nossa a\u00e7\u00e3o renovadora. Da nossa participa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica, consciente. Cidad\u00e3. Ainda nesta semana um amigo me chamou aten\u00e7\u00e3o para o quanto o jovem brasileiro vem sendo achatado naquilo que lhe \u00e9 mais presente: educa\u00e7\u00e3o, artes e entretenimento. E citou esse pasmacento Rock in Rio como o melhor exemplo do vazio cultural que ora vivemos. \u00c9, companheiro, fico meio desacor\u00e7oado quando vejo coisas desses tipos. Um Pa\u00eds que tem a m\u00fasica popular mais rica do mundo. Que \u00e9 influ\u00eancia para todos os grandes instrumentistas do Planeta. Um Pa\u00eds, como esse, pagar milh\u00f5es e milh\u00f5es de d\u00f3lares para jur\u00e1ssicas atra\u00e7\u00f5es internacionais, cuja can\u00e7\u00f5es n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m de tr\u00eas acordes, \u00e9 de doer, cara. Parece que nunca vamos nos livrar do complexo de inferioridade do tempo do Brasil Col\u00f4nia, quando os portugueses nos davam peda\u00e7os de espelhos quebrados, berloques e outras tranqueiras e levavam, com a nossa coniv\u00eancia, todo o nosso ouro e pedras preciosas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Eu (n\u00e3o) fui&#8230;&quot;<\/p>\n<p>01. 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