{"id":10138,"date":"1998-09-04T00:00:00","date_gmt":"1998-09-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T03:16:13","modified_gmt":"2017-09-15T03:16:13","slug":"confundir-para-nao-explicar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/confundir-para-nao-explicar\/","title":{"rendered":"Confundir para n\u00e3o explicar"},"content":{"rendered":"<p>01. Em per\u00edodo pr\u00e9-eleitorais, a Reda\u00e7\u00e3o de Gazeta do Ipiranga vive um cotidiano diferente, com o freq\u00fcente entra-e-sai de candidatos e assessores. Ainda nesta semana, dois nomes de extraordin\u00e1ria relev\u00e2ncia para a Hist\u00f3ria contempor\u00e2nea do Pa\u00eds estiveram em GI para falar de suas candidaturas. Almino Affonso \u00e9 candidato ao Senado e Franco Montoro \u00e0 C\u00e2mara Federal, ambos embora em fronts diferentes hoje (um no PDT, outro no PSDB) foram (e s\u00e3o) exemplos vivos da luta pela redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds que vingou especialmente nas d\u00e9cadas de 70 e 80 e que, queiramos ou n\u00e3o, projetou o Brasil que a\u00ed est\u00e1&#8230;<\/p>\n<p>02. Sei que, ao leitor, pode parecer confuso. Comecei enaltecendo as figuras de Almino e Montoro e, a seguir, falo de um &quot;Brasil que a\u00ed est\u00e1&quot; e que, sabemos n\u00f3s, est\u00e1 caindo pelas tabelas &#8212; ou melhor seria dizer pelos preg\u00f5es. No entanto, a constata\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel. Lutamos pela democracia, mas s\u00f3 essa conquista n\u00e3o foi (nem poderia ser) suficiente para garantir um m\u00ednimo de cidadania a todos os brasileiros. Cidadania, aqui, entendo por acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, moradia, emprego, sal\u00e1rio digno, sa\u00fade e tudo o mais que possa assegurar o que os modernos chamam de &quot;qualidade de vida&quot; e os antigos definiam como a preserva\u00e7\u00e3o da nossa dignidade&#8230;<\/p>\n<p>03. O Brasil p\u00f3s-diretas n\u00e3o soube zelar pelos seus filhos, n\u00e3o soube olhar para o futuro. E por culpa, unica e exclusiva, das chamadas elites que fingem se renovar no Poder, mas que, na verdade, est\u00e3o sempre \u00e0s voltas do Pal\u00e1cio do Planalto, induzindo, direcionando, conseguindo&#8230; Seja qual for o habitante da ilustre morada, s\u00e3o eles que imp\u00f5em as regras do jogo. Quem n\u00e3o se lembra do socorro aos bancos, logo no in\u00edcio do Governo FHC? E a jun\u00e7\u00e3o de for\u00e7as em prol da emenda da reelei\u00e7\u00e3o, a quem atendeu?<\/p>\n<p>04. Ali\u00e1s, uma caracter\u00edstica desta elei\u00e7\u00e3o \u00e9 a m\u00e1xima chacriniana. Confundir \u00e9 melhor do que explicar. Exemplo claro s\u00e3o os outdoors que estampam Maluf e Fernando Henrique numa cal\u00e7ada. Em outra, a dobrada certa \u00e9 o presidente e M\u00e1rio Covas&#8230; Durma-se com um oportunismo (eleitoral) desses.<\/p>\n<p>05. Mais confus\u00e3o. O empres\u00e1rio Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes foi enf\u00e1tico: &quot;Diante da crise internacional, se entar um candidato despreperado, como o Lula, a\u00ed vem uma bomba de hidrog\u00eanio&quot;. J\u00e1 o brasilianista Thomas Skidmore tamb\u00e9m n\u00e3o deixou por menos. &quot;Fernando Henrique n\u00e3o \u00e9 o l\u00edder para uma cruzada contra a mis\u00e9ria&quot; que, sabe-se hoje, atinge a 30 milh\u00f5es de brasileiros.<\/p>\n<p>06. Afirma\u00e7\u00e3o por afirma\u00e7\u00e3o, fico com a que li num p\u00e1ra-choque de caminh\u00e3o que circulou nesta semana pelo Ipiranga: &quot;A quebradeira \u00e9 tanta que, se o marido chamar a esposa de bem, o Banco vem&#8230; e toma!&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. Em per\u00edodo pr\u00e9-eleitorais, a Reda\u00e7\u00e3o de Gazeta do Ipiranga vive um cotidiano diferente, com o freq\u00fcente entra-e-sai de candidatos e assessores. 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