{"id":10144,"date":"1997-11-22T00:00:00","date_gmt":"1997-11-22T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T18:11:49","modified_gmt":"2017-09-15T18:11:49","slug":"de-ilusao-ja-nao-se-vive","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/de-ilusao-ja-nao-se-vive\/","title":{"rendered":"De ilus\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se vive&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>01. O governo brasileiro vive uma crise de identidade. Durante esses quase tr\u00eas anos vem professando a chamada causa p\u00fablica quando se dirige aos meios de comunica\u00e7\u00e3o e, portanto, para as grandes massas que v\u00e3o eleger nossos novos mandat\u00e1rios em 98. Mas, toda vez que precisa tomar uma iniciativa, n\u00e3o consegue ir al\u00e9m do torniquete econ\u00f4mico social t\u00e3o ao gosto dos homens que servem aos minist\u00e9rios do Planejamento e da Fazenda.<\/p>\n<p>02. Veja a fala de quarta-feira do ministro Pedro Malan. Disse ser contra as &quot;bravatas nacionalisteiras&quot; e reafirmou que, se preciso, o pa\u00eds vai fechar um acordo com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional, sem maiores constragimentos. Essa afirma\u00e7\u00e3o bate de frente com o parecer do presidente do Banco Central, Gustavo Franco. Um dia antes, falando ao jornal argentino &quot;Clar\u00edn&quot;, Franco descartou essa possibilidade, pois significaria &quot;perda de soberania&quot; para o Brasil.<\/p>\n<p>03. Ap\u00f3s os desencontros verbais, Malan e Franco negaram que haja qualquer tipo de diverg\u00eancia na equipe econ\u00f4mica e que tudo n\u00e3o passou de uma &quot;briga fabricada&quot; pelo mercado para tentar inviabilizar as partes envolvidas&#8230;<\/p>\n<p>04. A bem da verdade, a crise das bolsas internacionais colocou a pique uma situa\u00e7\u00e3o de encantamento com os pr\u00f3prios feitos que o atual Governo insistia em anunciar sempre que se via em palanques ou frente a algum microfone. Citava a estabiliza\u00e7\u00e3o da Economia, a taxa de c\u00e2mbio e o pre\u00e7o da cesta b\u00e1sica como indicadores de um Brasil mais justo, voltado para os mais humildes, os desvalidos, aqueles que nunca tiveram ningu\u00e9m a lutar por eles. Claro que falava tamb\u00e9m dos olhos firmes a encarar o futuro e, merc\u00ea da reelei\u00e7\u00e3o, projetava o Brasil como uma na\u00e7\u00e3o promissora neste limiar do terceiro mil\u00eanio. Mas, um Governo t\u00e3o firme, decidido e clarividente (sic) saberia como contorn\u00e1-los e venc\u00ea-los&#8230;<\/p>\n<p>05. Pena que esse discurso altaneiro nunca foi al\u00e9m. Em quase todas \u00e0s vezes que FHC e sua trup\u00e9 precisaram baixar uma medida ou priorizar uma quest\u00e3o n\u00e3o houve escapat\u00f3ria. Sobrou para todos os segmentos da sociedade, especialmente para os setores de produ\u00e7\u00e3o e com\u00e9rcio e para os trabalhadores a cada dia mais e mais amea\u00e7ados pelo desemprego. A Economia vive agora em compasso de espera. \u00c9 uma quest\u00e3o de dias (semanas talvez) para que a taxa de c\u00e2mbio caia para o seu verdadeiro patamar. A crise social agrava-se e s\u00f3 mesmo o tal esp\u00edrito natalino pode &quot;salvar&quot; o final do ano de uma hecatombe maior&#8230;<\/p>\n<p>06. Ah! mas ano no que vem teremos carnaval, copa do mundo e elei\u00e7\u00f5es&#8230; E tudo estar\u00e1 a salvo. Fique atento, caro leitor. Ao contr\u00e1rio do velho dito popular, de ilus\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o se vive&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. O governo brasileiro vive uma crise de identidade. 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