{"id":10146,"date":"2000-04-07T00:00:00","date_gmt":"2000-04-07T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T22:11:47","modified_gmt":"2017-09-14T22:11:47","slug":"de-samba-vaidades-e-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/de-samba-vaidades-e-poder\/","title":{"rendered":"De samba, vaidades e poder&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Sem m\u00fasica a vida seria um erro&quot; (Nietzsche)<\/p>\n<p>01. N\u00e3o se surpreenda com a ilustra\u00e7\u00e3o acima. \u00c9 que n\u00e3o resisti ao desejo de recomendar os shows que a Velha Guarda da Mangueira realiza, quarta e quinta da pr\u00f3xima semana, aqui mesmo no Sesc Ipiranga. No repert\u00f3rio, velhos e consagrados sambas de Cartola, Zagaia, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Nelson Sargento e at\u00e9 de portelenses famosos como Noca da Portela e Darcy Maravilha. Um pouco de nossa m\u00fasica e poesia mais genu\u00ednas, certamente, vai nos dar algum alento para refrear a barra desses dias nebulosos. A lembran\u00e7a de um tempo mais ameno, quando se preservavam valores \u00e9ticos, morais e humanit\u00e1rios, pode ser a deixa para aguentar os trancos e as bordoadas do neoliberalismo globalizado que acabou com o Pa\u00eds.<\/p>\n<p>02. Convenhamos, n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil. Depois do vendaval Nic\u00e9a a conturbar a vida pol\u00edtica da cidade e do Pa\u00eds, eis que os meios de comunica\u00e7\u00e3o nos brindam com cenas de pugilato expl\u00edcito entre os senadores Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es e J\u00e1der Barbalho. O festival de den\u00fancias que assola o Pa\u00eds ganha novos (?) e picantes ingredientes. Os litigantes acusam-se mutuamente e p\u00f5em em risco a fr\u00e1gil reputa\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional. Afinal, essa briga de comadres envolve nada menos que o atual presidente do Senado (ACM) e seu futuro prov\u00e1vel sucessor. Um modelo vexat\u00f3rio de fazer democracia&#8230;<\/p>\n<p>03. Claro que na rebarba de todo esse falat\u00f3rio desenfreado est\u00e1 a incandescente luta pelo Poder. Uma queda de bra\u00e7o que passa pelas elei\u00e7\u00f5es municipais e se projeta at\u00e9 2002. O projeto tucano de argolar-se indefinidamente \u00e0 Presid\u00eancia, ao que tudo indica, j\u00e1 prescinde da for\u00e7a pol\u00edtica do velho cacique baiano. Seja pela implanta\u00e7\u00e3o do parlamentarismo, seja por obra de um terceiro mandato, o presidente Fernando Henrique sinaliza que o Pa\u00eds deve prosseguir nessa toada neoliberalizante &#8212; e que somente ele e seus asseclas econ\u00f4micos t\u00eam a chave para o desenvolvimento, com justi\u00e7a social.<\/p>\n<p>04. A indiferen\u00e7a de FHC, tanto neste epis\u00f3dio quanto no anterior (quando Nic\u00e9a acusou ACM de influir na Prefeitura paulistana para favorecer parentes), deixa claro que a parceria com o PFL n\u00e3o lhe interessa mais &#8212; ao menos, na dimens\u00e3o de igualdade que exibia at\u00e9 pouco tempo. N\u00e3o cabe mais a figura do vice-rei, mentor ou seja l\u00e1 como se denomine o papel que o l\u00edder baiano vinha desempenhando no Governo. O apetite de FHC pelo Poder parece insaci\u00e1vel. Tal empenho, no entanto, passa distante dos t\u00e3o propalados avan\u00e7os sociais &#8212; aqueles que todos esperam (pois s\u00e3o anunciados a cada pronunciamento), mas nunca chegam. Pior: ficam a cada dia mais distante. S\u00f3 mesmo um velho samba mangueirense para nos consolar: Tire o seu sorriso do caminho que eu quero passar com a minha dor. Vamos, pois, ao que se pode.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Sem m\u00fasica a vida seria um erro&quot; (Nietzsche)<\/p>\n<p>01. 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