{"id":10148,"date":"2002-08-09T00:00:00","date_gmt":"2002-08-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:23:01","modified_gmt":"2017-09-14T17:23:01","slug":"dias-melhores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/dias-melhores\/","title":{"rendered":"Dias melhores"},"content":{"rendered":"<p>&quot;O tempo n\u00e3o p\u00e1ra no porto\/ n\u00e3o apita na curva\/ n\u00e3o espera ningu\u00e9m.&quot;<\/p>\n<p>01. Escrever \u00e9 sempre um ato solit\u00e1rio. Por mais gente que tenha ao redor, seja na reda\u00e7\u00e3o, seja onde for, quando voc\u00ea come\u00e7a a alinhavar palavra a palavra, a realidade s\u00f3 vai tomar forma \u00e0 medida em que flua das pontas dos dedos para o teclado e do teclado para a tela. \u00c9 o in\u00edcio de um ciclo que se expressa agora diante dos seus olhos. Mas que, na verdade, ganha vida e cor quando reverbera dentro do pr\u00f3prio leitor e o faz pensar, refletir. Emocionar-se tamb\u00e9m, por que n\u00e3o? O texto no jornal quer acrescentar algo \u00e0 vida das pessoas. Mesmo as not\u00edcias ruins pretendem, em \u00faltima an\u00e1lise, revelar que a vida n\u00e3o precisava ser assim. E que, da pr\u00f3xima vez, vamos fazer como deveria ser feito&#8230;<\/p>\n<p>02. O caro leitor j\u00e1 percebeu que hoje estou dado \u00e0s considera\u00e7\u00f5es existencialistas. N\u00e3o sei explicar exatamente porqu\u00ea. Mas, quero tentar junto com voc\u00ea explicar esse tom de nostalgia, digamos. A semana deu ensejo a algumas recorda\u00e7\u00f5es. Por exemplo, na quarta-feira, um dos \u00faltimos \u00edcones da modernidade, o cantor e compositor Caetano Velloso, completou 60 anos. Quando ouvi a not\u00edcia no r\u00e1dio, me dei conta de lembran\u00e7as inevit\u00e1veis dos \u00e1ureos e bons tempos dos festivais, dos musicais da TV Record e da alegria de poder cantar &quot;Alegria, Alegria&quot; e o escancarado grito de esperan\u00e7a em dias melhores: Por que n\u00e3o? Por que n\u00e3o?<\/p>\n<p>03. O lan\u00e7amento da candidatura de Domingos Dissei e Luiz Carlos Santos no Centro Independ\u00eancia, onde estive representando Gazeta do Ipiranga, tamb\u00e9m contribuiu para essa instrospec\u00e7\u00e3o. A hist\u00f3ria viva do Ipiranga dos \u00faltimos 40 anos estava ali representada pelos ex-vereadores Chiquinho Batista (que fez um pronunciamento emocionado), Osvaldo Giannotti e Almir Guimar\u00e3es, que trouxe Santos ao bairro nos idos de 1978, quando de sua primeira candidatura \u00e0 Assembl\u00e9ia Legislativa. Um per\u00edodo em que o Brasil caminhava para o desafio da redemocratiza\u00e7\u00e3o. Desafio que tinha o respaldo de nossa indigna\u00e7\u00e3o e da esperan\u00e7a de dias melhores&#8230;<\/p>\n<p>04. No encontro tamb\u00e9m revi quer\u00eddissimos amigos &#8212; e rimos e conversamos como se n\u00e3o houvesse passado o tempo que nos distanciou. Falamos de tudo um pouco. Do futebol do sucat\u00e3o do Clube Atl\u00e9tico Ypiranga nas noites de quinta-feira. Da coluna de entrevistas do Dr. Nabil na Gazetinha que precisa voltar. Da favela que infelizmente est\u00e1 voltando ao Viaduto Sayoa por absoluta in\u00e9pcia das autoridades. Da aus\u00eancia do Crispin que est\u00e1 viajando a trabalho. Dos novos planos da UniFai. De como a vida anda competitiva. Do debate dos presidenci\u00e1veis. Do tal empr\u00e9stimo do FMI. E da grande amizade que une as pessoas deste quatrocent\u00e3o Ipiranga &#8212; e que faz dele um bairro muito, mas muito especial. E que historicamente sempre acreditou em dias melhores&#8230;<\/p>\n<p>05. Ontem, a caminho da Reda\u00e7\u00e3o, vim remoendo essas e outras tantas hist\u00f3rias. Antes mesmo de &quot;abrir&quot; o computador, j\u00e1 havia decidido que a coluna teria esse tom pessoal e solit\u00e1rio. At\u00e9 porque n\u00e3o havia como escapar, nesses dias, de duas quest\u00f5es. A primeira delas \u00e9 aonde anda aquela inabal\u00e1vel f\u00e9 em dias melhores. A segunda \u00e9 a doce lembran\u00e7a de um velho balconista de uma loja de tecidos que durante 50 anos existiu na rua Bom Bastor quase esquina com a Lucas \u00d3bes, a Tecidos Monumentos. O nome do balconista? Aldo, meu saudoso pai-her\u00f3i&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;O tempo n\u00e3o p\u00e1ra no porto\/ n\u00e3o apita na curva\/ n\u00e3o espera ningu\u00e9m.&quot;<\/p>\n<p>01. Escrever \u00e9 sempre um ato solit\u00e1rio. 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