{"id":10158,"date":"2000-01-07T00:00:00","date_gmt":"2000-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T20:04:40","modified_gmt":"2017-09-15T20:04:40","slug":"esperanca-teu-nome-e-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/esperanca-teu-nome-e-2\/","title":{"rendered":"Esperan\u00e7a, teu nome \u00e9&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>&quot;E se entre meus leitores h\u00e1 alguma pessoa que na passagem do ano teve apenas um amargo encontro consigo mesmo, e viveu esse instante de solid\u00e3o, na tristeza, na desesperan\u00e7a, no sofrimento, ou apenas no odioso t\u00e9dio, que a esse algu\u00e9m me seja permitido dizer: Vinde. Vamos tocar janeiro, vamos por fevereiro, mar\u00e7o e abril e maio, e tudo que vier; durante o ano a gente esquece (&#8230;) Coragem, a Terra est\u00e1 rolando; vosso mal ter\u00e1 cura. E se n\u00e3o tiver, refleti que no fim todos passam e tudo passa; no fim \u00e9 um grande sossego e um imenso perd\u00e3o&quot; (Rubem Braga)<\/p>\n<p>01. Imaginou um r\u00e9veillon diferente de tantos quantos j\u00e1 havia atravessado. Teve um ano dif\u00edcil, mas produtivo. Trabalhou muito, ganhou apenas o suficiente. Correu pra l\u00e1 e pra c\u00e1, e n\u00e3o se encontrou. Teve momentos raros de felicidade &#8212; nenhum deles pleno; e algumas perdas definitivas. Nos altos e baixos da vida, esfor\u00e7ou-se em ter a coragem grande para dizer sim embora o n\u00e3o tenha sido a resposta mais ouvida&#8230;<\/p>\n<p>02. 1999 passou muito r\u00e1pido, quando se deu conta j\u00e1 era dezembro e, ao final de tanto ir e vir, o emocional estava uma barra. Sentia-se sinceramente confuso. Nem percebeu o Natal e as luzinhas made in China em todos os pr\u00e9dios da cidade. De repente, percebeu-se um homem s\u00f3 e sem qualquer outra certeza que n\u00e3o fosse a de que gostaria de estar longe de todo esse \u00f4ba-\u00f4ba de fim do s\u00e9culo.<\/p>\n<p>03. N\u00e3o queria radicalizar. Por isso, aceitou um Natal familiar com direito a champanhe, panetone e os terer\u00eas de sempre. Haja! Mas, para o r\u00e9veillon, nem pensar. Queria estar longe de todos os folguedos. Lembrou de um conhecido aventureiro, sempre pronto a embrenhar-se pela Serra da Cantareira, no comando de alguma troup\u00e9 de gringos incautos, \u00e1vidos por emo\u00e7\u00f5es no meio da selva pela Trilha do Ouro &#8212; ao menos, era isso o que dizia o folheto de sua firma de trekking.<\/p>\n<p>04. Topou na hora o programa de \u00edndio. N\u00e3o se importou sequer em saber o lado hist\u00f3rico da caminhada. Era a trilha de pedra feita pelos escravos no s\u00e9culo XVIII e cortava tr\u00eas Estados (Minas, S\u00e3o Paulo e Rio). Por esse caminho, os brasileiros tentavam fugir da barreira do fisco portugu\u00eas na \u00e9poca do ouro. Todo o precioso carregamento era feito em mulas, o que dificultava o trajeto que inclu\u00eda a travessia de rios, montanhas, cachoeiras e despenhadeiros. Ufa! seria uma aventura e tanto.<\/p>\n<p>05. Nunca foi disso. Preferia estar em qualquer outro lugar do mundo, com a pessoa certa e zerado o saldo negativo no banco. Mas, dadas as circunst\u00e2ncias, &#8212; e a possibilidade de pagar os 200 paus em tr\u00eas cheques &#8212; achou que era o melhor que podia arrumar. N\u00e3o pensou duas vezes. Topou no ato.<\/p>\n<p>06. Chegou um dia antes, e se esparramou pelo hotel \u00e0 beira de uma grande represa. Agora era descansar e aguardar o momento de fugir do mundo. O sol estava a pino. Mas, o caboclo, funcion\u00e1rio do hotel, olhou o alto das montanhas e avisou: o tempo vai virar. Vem chuva pra mais de uma semana &#8212; e das grossas.<\/p>\n<p>07. Dito e feito. A manh\u00e3 da sexta-feira chegou nublada enquanto o r\u00e1dio dos postos avan\u00e7ados da caravana alertava que j\u00e1 era forte o aguaceiro a mil e tantos metros de altura. E vai piorar&#8230; &#8212; refor\u00e7ou o matuto. Foi o suficiente para o coordenador do passeio cancelar toda e qualquer aventura. O Boquinha n\u00e3o erra uma. Falou, t\u00e1 falado&#8230; Vamos organizar o reveillon aqui mesmo. Vai ter uma festan\u00e7a na cidade pr\u00f3xima.<\/p>\n<p>08. Foi como se lhe tirassem o ch\u00e3o. Sentiu-se oco, vazio, de id\u00e9ias e perspectivas. Ainda vagou pelas cercanias do hotel at\u00e9 que come\u00e7ou a chover&#8230; Como um bicho do mato, refugiou-se num quiosque a beira da piscina. Ali ficou&#8230; Viu a chuva apertar, as luzes se acenderem, os roj\u00f5es iluminarem por instantes um c\u00e9u sem estrelas. As vans levaram os turistas barulhentos para as festas da pequena cidade. E o sil\u00eancio se fez \u00fanico. Minutos depois ouviu o som de sinos long\u00ednquos anunciar a Nova Era&#8230;<\/p>\n<p>09. O mundo estava em festa, e ele s\u00f3 como nunca esteve. Mas, sentia-se em paz. Triste, mas em paz. Ponderou que fora um ano de enfrentamentos e que, em nenhum momento, abriu m\u00e3o de lutar pelo seu sonho. Esperou algum tempo e caminhou lentamente de volta para o hotel. Deixou que a chuva forte molhasse seu corpo, encharcasse as roupas, lavasse a alma e afogasse a m\u00e1goa das coisas que se perderam&#8230; Entendeu que assim estaria em comunh\u00e3o com Deus e a natureza. E tenha Ele a manifesta\u00e7\u00e3o que tiver, certamente aben\u00e7oar\u00e1 os pr\u00f3ximos passos de toda a humanidade. Esperan\u00e7a, teu nome \u00e9&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;E se entre meus leitores h\u00e1 alguma pessoa que na passagem do ano teve apenas um amargo encontro consigo mesmo, e viveu esse instante de solid\u00e3o, na tristeza, na desesperan\u00e7a, no sofrimento,<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10158","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-caro-leitor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10158"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10158\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17504,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10158\/revisions\/17504"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}