{"id":10166,"date":"2000-04-01T00:00:00","date_gmt":"2000-04-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T22:12:07","modified_gmt":"2017-09-14T22:12:07","slug":"historia-de-quem-faz-a-nossa-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/historia-de-quem-faz-a-nossa-historia\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria de quem faz a nossa hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Desse lugar \u00e9 que lhe escrevo, de porta escancarada para o sol.&quot; (Alphonse Daudet)<\/p>\n<p>01. Uma busca ao arquivo fotogr\u00e1fico de Gazeta do Ipiranga para ilustrar uma das reportagens da semana e, de repente, a curiosidade me impele a vasculhar a pasta Monumentos. Entre dezenas de fotos coloridas, tenho minha aten\u00e7\u00e3o voltada para uma imagem em preto-e-branco j\u00e1 um tanto esmaecida pelo tempo. E eis que reencontro (essa palavra tem algo de m\u00e1gico, n\u00e3o?) o Castelo do Samaronne que situava-se, ali, entre as colinas do que hoje, em tempos urbanizados, entendemos como Moinho Velho. Ali, at\u00e9 o fim dos anos 50, tinha-se um recanto dos mais apraz\u00edveis com muito verde e um grande lago, que abrigava em suas margens a sede do Clube Atl\u00e9tico Ypiranga&#8230;<\/p>\n<p>02. Pois \u00e9. Nosso bairro n\u00e3o nasceu ontem. D\u00e1 para imaginar que o Ipiranga, um dia, foi assim? Dif\u00edcil, n\u00e9? Sequer pode supor quem olha o corre-corre de todo o santo dia; as ruas congestionadas, os pr\u00e9dios, toda a agita\u00e7\u00e3o e burburinho de um grande bairro de uma supermetr\u00f3pole. Mas, foi esse lugarejo pacato e \u00e1vido por mostrar a for\u00e7a de sua gente que recebeu Gazeta do Ipiranga, em 26 de abril de 1958. E desde ent\u00e3o adotou GI como leg\u00edtimo porta-voz de suas aspira\u00e7\u00f5es e anseios. Uma rela\u00e7\u00e3o de absoluta confian\u00e7a entre as partes. Uma rela\u00e7\u00e3o prestes a completar 42 anos de proveitosa exist\u00eancia.<\/p>\n<p>03. Creio n\u00e3o ser imodesto dizer, agora que as \u00e1guas de mar\u00e7o j\u00e1 rolaram e olhamos com otimismo para o m\u00eas de nosso anivers\u00e1rio, que estivemos juntos nas grandes conquistas da regi\u00e3o. A diretora-presidente de Gazeta do Ipiranga, Araci Bueno, participou da funda\u00e7\u00e3o do Clube dos Lojistas ao lado do empres\u00e1rio Zelindo Olivi e outros not\u00e1veis ipiranguistas. Vieram outros feitos. Ainda vejo as acaloradas discuss\u00f5es na ent\u00e3o sede da Distrital do Ipiranga da Associa\u00e7\u00e3o Comercial na Silva Bueno sobre as mudan\u00e7as de m\u00e3o de dire\u00e7\u00e3o das ruas do bairro. O especialista Roberto Scaringela j\u00e1 era coordenador de tr\u00e2nsito de S\u00e3o Paulo e a manchete de GI \u00e0 \u00e9poca registrava: &quot;O Ipiranga amanheceu \u00e0s avessas.&quot;<\/p>\n<p>04. Outras campanhas tamb\u00e9m foram vitoriosas. O combate \u00e0 polui\u00e7\u00e3o ambiental resultou na fiscaliza\u00e7\u00e3o mais contundente (e mesmo o fechamento) de empresas como a Coferraz, Usina Santa Ol\u00edmpia e a Sider\u00fargica Aliperti. Inclusive a primeira p\u00e1gina de Gazeta do Ipiranga denunciando as chamin\u00e9s fumegantes foi transformada em cartazes de m\u00e3o pelos moradores na manifesta\u00e7\u00e3o contra a empresa. Outro exemplo bom de lembrar foi o mutir\u00e3o contra as enchentes em Vila Crist\u00e1lia, assim como a luta para a implanta\u00e7\u00e3o de melhoramentos p\u00fablicos nas 32 vilas e jardins que formam o Grande Ipiranga.<\/p>\n<p>05. \u00c9 claro que h\u00e1 outras tantas &#8212; e boas &#8212; hist\u00f3rias para se contar. A mais memor\u00e1vel no entanto, foi a mobiliza\u00e7\u00e3o de todo o bairro em prol da redemocratiza\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds. Desde os primeiros dias de 84 nosso jornal acompanhou os preparativos para o grande com\u00edcio pr\u00f3 Diretas-J\u00e1 que reuniu mais de um milh\u00e3o de paulistanos na Pra\u00e7a da S\u00e9. Gazeta do Ipiranga abriu manchete com letras garrafais &#8212; Diretas J\u00e1! &#8212; e dedicou toda sua primeira p\u00e1gina \u00e0 hist\u00f3rica manifesta\u00e7\u00e3o. Foi o auspicioso momento de uma vitoriosa luta.<\/p>\n<p>06. Olha aonde foi parar nosso encontro de todas as sextas, a partir de uma velha foto do Castelo do Samaronne? Em meio aos transtornos do pittagate, da vergonha do sal\u00e1rio m\u00ednimo e do desvario da equipe econ\u00f4mica sempre dizendo am\u00e9m ao FMI; em meio \u00e0 viol\u00eancia urbana a cada dia mais acintosa e a tanta not\u00edcia ruim que a m\u00eddia insiste em consagrar como espet\u00e1culo; em meio a tudo isso, creio que valeu a pena reviver momentos de um passado que nos \u00e9 caro e fundamenta a hist\u00f3ria de todos os que vivem e constr\u00f3em um Ipiranga melhor a cada manh\u00e3.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Desse lugar \u00e9 que lhe escrevo, de porta escancarada para o sol.&quot; (Alphonse Daudet)<\/p>\n<p>01. 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