{"id":10174,"date":"1998-05-01T00:00:00","date_gmt":"1998-05-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T04:02:30","modified_gmt":"2017-09-15T04:02:30","slug":"mais-impostos-originalidade-e-isso-ai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/mais-impostos-originalidade-e-isso-ai\/","title":{"rendered":"Mais impostos. Originalidade, \u00e9 isso a\u00ed!"},"content":{"rendered":"<p>01. Semana, sim. Outra tamb\u00e9m. A cena n\u00e3o muda. A not\u00edcia \u00e9 sempre a mesma. O Governo acena com a possibilidade de um novo imposto, via Medida Provis\u00f3ria. Pode ser por esse ou aquele motivo ou mesmo pela absoluta falta dele. A verdade \u00e9 que sobra ao pobre brasileiro (trabalhador, empres\u00e1rio, tanto faz&#8230;) implacavelmente o pesado tac\u00e3o das taxa\u00e7\u00f5es, dos impostos e das (sic) contribui\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias, tipo CPMF. S\u00e3o 60 tributos ao todo (se \u00e9 que de ontem para hoje n\u00e3o se criou nenhum&#8230;) a sufocar nossas atividades econ\u00f4micas, encarecer os produtos made in Brasil, inflacionar as contas p\u00fablicas, dilapidar o patrim\u00f4nio da chamada iniciativa privada e corroer nosso parco e suado sal\u00e1rio&#8230; Ainda se essa arrecada\u00e7\u00e3o retornasse \u00e0 sociedade em forma de servi\u00e7os sociais, melhoramentos urbanos e iniciativas que priorizassem a qualidade de vida, v\u00e1 l\u00e1&#8230; Mas, ningu\u00e9m em s\u00e3 consci\u00eancia \u00e9 capaz de explicar o buraco negro das contas governamentais&#8230;<\/p>\n<p>02. Nesta semana, n\u00e3o foi diferente. O presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu a imprensa na manh\u00e3 de quarta-feira para desdizer o que disse semana passada (O Congresso deveria apressar a vota\u00e7\u00e3o das reformas constitucionais) e, de quebra, deixar vazar a informa\u00e7\u00e3o de que vem a\u00ed uma Medida Provis\u00f3ria e um novo imposto&#8230; Originalidade, \u00e9 isso a\u00ed!<\/p>\n<p>03. Semana passada, o presidente surpreendeu. No momento mais agudo da crise das bolsas internacionais, FHC pregou a urg\u00eancia na vota\u00e7\u00e3o das reformas constitucionais. Serviriam at\u00e9 como anteparo para preserva\u00e7\u00e3o das conquistas do Real (que, diga-se de passagem, tem nos custado a alma). Na coletiva, por\u00e9m, o presidente reconheceu que a vota\u00e7\u00e3o da reforma tribut\u00e1ria n\u00e3o sai at\u00e9 o final do ano. Nem com o chamado &quot;esfor\u00e7o concentrado&quot; do Congresso, nem com reza brava. Como candidato em campanha, n\u00e3o deixou de cunhar a frase de efeito do dia: &quot;O Real est\u00e1 acima da reelei\u00e7\u00e3o&quot;.<\/p>\n<p>04. Enquanto o presidente discursa, o Pa\u00eds oscila aos humores de Hong Kong, Nova York, T\u00f3kio&#8230; Enquanto o presidente discursa, os economistas tentam explicar o inexplic\u00e1vel, pol\u00edticos simulam um futuro promissor, empresas fecham, a produ\u00e7\u00e3o descamba, os juros decolam \u00e0s alturas, o desemprego aumenta e flagela&#8230; Enquanto o presidente discursa, a convuls\u00e3o social bate \u00e0 nossa porta (tenha a forma que tiver: perueiros, camel\u00f4s, sem-terras, sem-tetos&#8230;) e nos constrange e amea\u00e7a inexoravelmente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. Semana, sim. Outra tamb\u00e9m. A cena n\u00e3o muda. A not\u00edcia \u00e9 sempre a mesma. O Governo acena com a possibilidade de um novo imposto, via Medida Provis\u00f3ria. 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