{"id":10177,"date":"2001-03-09T00:00:00","date_gmt":"2001-03-09T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:55:37","modified_gmt":"2017-09-14T21:55:37","slug":"montoro-fhc-e-covas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/montoro-fhc-e-covas\/","title":{"rendered":"Montoro, FHC e Covas"},"content":{"rendered":"<p>&quot;E eu tenho certeza de que, de onde esteja, voc\u00ea vai nos olhar&quot; (Presidente Fernando Henrique Cardoso no enterro do governador M\u00e1rio Covas)<\/p>\n<p>01. A morte do governador M\u00e1rio Covas abre espa\u00e7o no PSDB para a segunda gera\u00e7\u00e3o do tucanato, encabe\u00e7ada, desde j\u00e1, pelo herdeiro de Covas, o agora governador de S\u00e3o Paulo, Geraldo Alckmin.<\/p>\n<p>02. Na verdade, s\u00f3 restou o presidente Fernando Henrique Cardoso, do triunvirato que fundou o PSDB na d\u00e9cada de 80 e que era composto por Franco Montoro e M\u00e1rio Covas. Vale lembrar que o ministro Jos\u00e9 Serra tamb\u00e9m foi membro fundador do partido, mas seu nome nunca teve a mesma proje\u00e7\u00e3o de FHC, Montoro e Covas.<\/p>\n<p>03. N\u00e3o \u00e9 errado dizer que o partido, desde o primeiro momento, pensava nos tr\u00eas como virtuais presidentes da Rep\u00fablica. Na ordem natural das coisas, Montoro, por ser governador de S\u00e3o Paulo (82\/86) e comandar o movimento das Diretas-J\u00e1, era o primeiro da lista para uma prov\u00e1vel candidatura presidencial. No entanto, seu nome foi preterido ao de M\u00e1rio Covas para a elei\u00e7\u00e3o de 89, vencida por Fernando Collor.<\/p>\n<p>04. Montoro perdeu muito do cacife pol\u00edtico ap\u00f3s deixar o Governo paulista. Os advers\u00e1rios do PSDB espalharam o estigma (injusto) de que o ex-governador era trapalh\u00e3o, trocava nomes e havia feito um governo sem brilho. Covas, ent\u00e3o, enfrentou o desafio de ser presidenci\u00e1vel. Sua postura independente acabou por assustar empres\u00e1rios e os meios de comunica\u00e7\u00e3o, que bandearam-se, de mala, cuia e interesses, e literalmente tramaram a vit\u00f3ria collorida.<\/p>\n<p>05. H\u00e1 quem afirme que, dentro do pr\u00f3prio PSDB, os correligion\u00e1rios de Covas enfrentaram dificuldades durante a campanha. Alas mais oportunistas j\u00e1 almejavam se aproximar do favorito das pesquisas, Fernando Collor. Tanto que ainda hoje os petistas reclamam da demora dos tucanos em apoiar Lula ap\u00f3s a defini\u00e7\u00e3o do primeiro turno. Covas foi um dos raros que nunca hesitou e subiu no palanque para defender o candidato natural das esquerdas, Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>06. Ali\u00e1s, \u00e9 hist\u00f3rica a indigna\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio Covas quando soube que parte do PSDB maquinava a poss\u00edvel indica\u00e7\u00e3o de Fernando Henrique Cardoso como ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores do Governo Collor. FHC estava bastante inclinado a aceitar o convite. Tanto que foi um dos primeiros a sentar-se ao lado de Collor e cumpriment\u00e1-lo pela vit\u00f3ria.<\/p>\n<p>07. Do alto da sua autoridade, Covas chamou \u00e0s falas os oportunistas. Fez valer as propostas do PSDB e n\u00e3o mandou recado. Foi pessoalmete falar com Fernando Henrique e esclarecer que o partido n\u00e3o comporia, em nenhuma inst\u00e2ncia, com o Governo que ora tomava posse. Dizem que houve uma conversa dif\u00edcil, mas prevaleceu a voz da raz\u00e3o. A voz da \u00e9tica. A voz de M\u00e1rio Covas, um pol\u00edtico que sempre soube honrar o mandato que o povo lhe conferiu nas urnas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;E eu tenho certeza de que, de onde esteja, voc\u00ea vai nos olhar&quot; (Presidente Fernando Henrique Cardoso no enterro do governador M\u00e1rio Covas)<\/p>\n<p>01. 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