{"id":10186,"date":"2001-02-16T00:00:00","date_gmt":"2001-02-16T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:56:27","modified_gmt":"2017-09-14T21:56:27","slug":"o-desabafo-do-pinguim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-desabafo-do-pinguim\/","title":{"rendered":"O desabafo do ping\u00fcim"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Suporta-se com muita paci\u00eancia a dor no f\u00edgado alheio&quot; (Machado de Assis)<\/p>\n<p>01. Mudou ou n\u00e3o mudou? Lembra do an\u00fancio da cerveja que at\u00e9 recentemente era veiculado no hor\u00e1rio nobre da TV? Pois \u00e9. Na manh\u00e3 desta quinta, a pergunta era inevit\u00e1vel &#8212; e as manchetes dos jornais tamb\u00e9m. Jader Barbalho e A\u00e9cio Neves eram os novos homens fortes do Congresso Nacional. Barbalho fez-se presidente do Senado ao derrotar as articula\u00e7\u00f5es &#8212; e o desespero &#8212; do arq\u00fcinimingo Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es. Neves venceu, com ampla margem, Inoc\u00eancio de Oliveira e assumiu a presid\u00eancia da C\u00e2mara Federal. PMDB e PSDB ocupam, respectivamente, o espa\u00e7o que antes pertencia ao PFL, legenda que saiu chamuscada dessa ruidosa contenda&#8230;<\/p>\n<p>02. A m\u00eddia em geral abriu largos espa\u00e7os para os bastidores da disputa. Foi generosa e raramente cr\u00edtica na cobertura de todo o processo. Ainda agora solta, aqui e ali, palpites e progn\u00f3sticos sobre o iminente fim do mito ACM, a ascen\u00e7\u00e3o do ministro Jos\u00e9 Serra ao posto de mais cotado entre os presidenci\u00e1veis do PSDB, os planos de Aecinho e cousa e lousa e maripousa&#8230;<\/p>\n<p>03. \u00c0s vezes (ou quase sempre), n\u00f3s, jornalistas, falamos demais, escrevemos demais na \u00e2nsia de antecipar fatos e not\u00edcias. Mesmo que a inten\u00e7\u00e3o seja melhor esclarecer a opini\u00e3o p\u00fablica, atropelamos o bom senso por obra e gra\u00e7a da correria do fechamento e sequer deixamos maturar a informa\u00e7\u00e3o para divulg\u00e1-la com contornos de realidade&#8230;<\/p>\n<p>04. Foi exatamente o que aconteceu neste epis\u00f3dio. Desde dezembro, talvez antes at\u00e9, a m\u00eddia dedicou generosa aten\u00e7\u00e3o com a elei\u00e7\u00e3o para as mesas do Congresso e suas poss\u00edveis conseq\u00fc\u00eancias. N\u00e3o deixou claro, por\u00e9m, que fosse qual fosse o resultado nada mudaria. PFL, PSDB, PMDB e afins continuar\u00e3o unidos como alicerces do tucanato que, como todos que chegam ao Poder e tomam gosto, pretende se perpetuar nele&#8230;<\/p>\n<p>05. N\u00e3o sei se tudo o que se leu, ouviu e viu sobre a pinimba entre ACM e Jader serviu para esclarecer o grande p\u00fablico. N\u00e3o sei tamb\u00e9m se o brasileiro comum levou a s\u00e9rio o chumbo trocado de den\u00fancias entre ambos. Percebo entre os leitores o consenso que transcende o notici\u00e1rio: s\u00e3o farinhas do mesmo saco, como de resto o s\u00e3o a maior parte dos pol\u00edticos e govenantes nativos. Invariavelmente legislam e governam voltados para o pr\u00f3prio umbigo&#8230;<\/p>\n<p>06. Imagino que, na maioria das vezes, o leitor\/espectador diante de tanto diz-que-diz das not\u00edcias faz como um dos ping\u00fcins daquele mesmo an\u00fancio. Em meio a discuss\u00e3o se a cerveja mudou ou n\u00e3o, ele fica, digamos, saturado. Abandona o grupo e, em desabalada carreira, desabafa: Destesto confus\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Suporta-se com muita paci\u00eancia a dor no f\u00edgado alheio&quot; (Machado de Assis)<\/p>\n<p>01. Mudou ou n\u00e3o mudou? 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