{"id":10196,"date":"2001-04-27T00:00:00","date_gmt":"2001-04-27T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:52:43","modified_gmt":"2017-09-14T21:52:43","slug":"o-jornal-em-suas-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-jornal-em-suas-maos\/","title":{"rendered":"O jornal em suas m\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Quanto mais cedo voc\u00ea fizer novos amigos, mais cedo voc\u00ea ter\u00e1 velhos amigos&quot; (Eric Bene)<\/p>\n<p>01. Um tempo do Brasil esperan\u00e7a. Do governo JK, da constru\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia, da ind\u00fastria automobil\u00edstica, da bossa-nova, do poetinha Vin\u00edcius de Moraes e da sele\u00e7\u00e3o canarinho, pela primeira vez naquele ano campe\u00e3 mundial de futebol. Tempo de esperan\u00e7a, sim, personificada na menino prod\u00edgio, que impressionou o mundo, Edson Pel\u00e9 Arantes do Nascimento. Tempo de sonhos e ideais embasado na efervec\u00eancia pol\u00edtica e no slogan que melhor nos definia: Brasil, o pa\u00eds do futuro&#8230;<\/p>\n<p>02. A quatrocentona cidade de S\u00e3o Paulo era ent\u00e3o chamada de locomotiva da Na\u00e7\u00e3o. Trabalho, pujan\u00e7a, desenvolvimento conduziriam o Pa\u00eds a novos rumos socialmente mais justos, ao patamar das grandes pot\u00eancias mundiais. A cidade cresce e as expectativas s\u00e3o promissoras. Paira uma aurea de otimismo que, em recente livro-reportagem, foi exemplarmente definido, com misto de nostalgia e incertezas: 1958. O ano que n\u00e3o devia terminar.<\/p>\n<p>03. Foi neste contexto que, em 26 de abril, surgiu Gazeta do Ipiranga, com o compromisso b\u00e1sico de lutar pelos interesses da regi\u00e3o que, al\u00e9m de abarcar o subdistrito da Sa\u00fade, via crescer as vilas e jardins da periferia em ritmo vertiginoso.<\/p>\n<p>04. Antes de qualquer coisa, era preciso conhecer o bairro, sua gente e hist\u00f3ria, que ali\u00e1s se confude com a pr\u00f3pria Hist\u00f3ria do Brasil. Considerado at\u00e9 1919 como<br \/>\narrebalde do Cambuci, o Ipiranga urbanizou-se a partir da constru\u00e7\u00e3o do Museu no final do s\u00e9culo passado e ganhou novo alento com a constru\u00e7\u00e3o do Monumento da Independ\u00eancia, inaugurado em 1922. A essa \u00e9poca, aqui, j\u00e1 se estabeleciam as primeiras f\u00e1bricas e olarias, tocadas por levas de imigrantes vindos do Interior do Estado e mesmo de fora do Pa\u00eds. O Ipiranga transformava-se e deixava de ser um punhado de ch\u00e1caras e pastarias, esparsas aqui e ali.<\/p>\n<p>05. A d\u00e9cada de 30 marcou a consolida\u00e7\u00e3o como centro urbano. O Ipiranga ganha um perfil definido, com as mans\u00f5es da rua Bom Pastor, as institui\u00e7\u00f5es religiosas e educativas na avenida Nazar\u00e9, o casario dos trabalhadores com portas e janelas para a rua, os bondes, as lojas do Ponto F\u00e1brica, os cinemas e, sobretudo, as ra\u00edzes de uma vida comunit\u00e1ria que ainda hoje \u00e9 percept\u00edvel e \u00e9 nosso diferencial com outras regi\u00f5es de S\u00e3o Paulo. S\u00f3 em 1934 &#8212; incr\u00edvel, n\u00e9 &#8212; o Ipiranga \u00e9 oficialmente reconhecido como bairro e deixa de ser visto e entendido como<br \/>\nFreguesia do Cambuci.<\/p>\n<p>06. Quando GI saiu \u00e0s ruas pela primeira vez, a regi\u00e3o vivia outro momento especial. A explos\u00e3o democr\u00e1fica trazia, em seu rastro, novas ind\u00fastrias, o crescimento comercial e a implanta\u00e7\u00e3o e melhoria de equipamentos p\u00fablicos como creches, escolas, hospitais e toda uma infra-estrutura de servi\u00e7os &#8212; cal\u00e7amento, ilumina\u00e7\u00e3o, rede de \u00e1gua e esgoto, canaliza\u00e7\u00e3o e limpeza de c\u00f3rregos etc. Lutar por essas melhorias foi nossa primeira miss\u00e3o.<\/p>\n<p>07. A mais significativa delas, por\u00e9m, foi a organiza\u00e7\u00e3o social que ajudamos a consolidar nesses 43 anos de vida. As pessoas entenderam desde logo que tinham um porta-voz confi\u00e1vel e determinado de suas reivindica\u00e7\u00f5es. Que podiam contar com nossas p\u00e1ginas para criar e fortalecer entidades representativas e clubes de servi\u00e7o, sociedades amigos de bairro e conselhos comunit\u00e1rios, dar o indispens\u00e1vel suporte publicit\u00e1rio para a ind\u00fastria e com\u00e9rcio da regi\u00e3o, apoiar o esporte e a cultura e os talentos natos da nossa regi\u00e3o, al\u00e9m de discutir quest\u00f5es de interesses p\u00fablicos e, sobretudo, semear os gr\u00e3os de cidadania, mesmo que nos tempos \u00e1ridos da ditadura.<\/p>\n<p>08. \u00c9 bom chegar, na manh\u00e3 desta quinta-feira, e refletir sobre os tempos idos, e ter a consci\u00eancia tranq\u00fcila de quem n\u00e3o decepcionou a confian\u00e7a dos amigos, leitores e anunciantes. \u00c9 motivo de orgulho saber que somos refer\u00eancia sempre que se fala em imprensa de bairro no Pa\u00eds. Mas, \u00e9 motivo de satisfa\u00e7\u00e3o maior saber que esse desafio se renova a cada sexta-feira, quando o jornal chega \u00e0s suas m\u00e3os&#8230;<\/p>\n<p>09. O Brasil j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o Pa\u00eds do futuro, como em 1958. Mas, continuamos a luta para preservar a esperan\u00e7a e virar esse jogo. Nossa for\u00e7a \u00e9 a certeza de ter voc\u00ea, caro leitor, sempre ao nosso lado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Quanto mais cedo voc\u00ea fizer novos amigos, mais cedo voc\u00ea ter\u00e1 velhos amigos&quot; (Eric Bene)<\/p>\n<p>01. Um tempo do Brasil esperan\u00e7a. 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