{"id":10203,"date":"2002-04-05T00:00:00","date_gmt":"2002-04-05T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:37:49","modified_gmt":"2017-09-14T17:37:49","slug":"o-pais-do-bambam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-pais-do-bambam\/","title":{"rendered":"O Pa\u00eds do Bambam"},"content":{"rendered":"<p>&quot;De tanto ver triunfar as nulidades&#8230;&quot; (Ruy Barbosa)<\/p>\n<p>01. Houve um tempo em que \u00e9ramos saudados, cantado em verso e prosa, como um Pa\u00eds tropical, aben\u00e7oado por Deus e bonito por natureza. Por for\u00e7a das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, nem tanto. Mas, principalmente, por interesses que sei l\u00e1 quais s\u00e3o (mas que existem, existem), acordamos hoje como o Pa\u00eds do Bambam. Quem diria!<\/p>\n<p>02. Pois \u00e9. N\u00e3o somos o Pa\u00eds do escritor Ariano Suassuna ou do professor e cientista Jos\u00e9 Goldemberg. Tamb\u00e9m hoje n\u00e3o nos representa a arte de um Volpi ou Di Cavalcanti ou ainda os versos bem engendrados do compositor Chico Buarque. Os gols de Pel\u00e9, ali\u00e1s, hoje s\u00e3o apenas mat\u00e9ria de mem\u00f3ria e de exposi\u00e7\u00e3o no Masp. De nada vale a for\u00e7a empreendedora de um Ant\u00f4nio Erm\u00edrio de Moraes ou a postura altru\u00edsta de uma Zilda Arns. E, olhe, sei que o que vou escrever vai deixar chocado o pr\u00f3prio Fernando Henrique Cardoso. Mas, o presidente n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero um do Brasil. Ah!, n\u00e3o, nem pensar&#8230; Hoje, quem manda prender e soltar, deita e rola, faz e acontece, e tornou-se refer\u00eancia de sucesso por aqui \u00e9 o grande vencedor do tal Big Brother Brasil. Somos o Pa\u00eds do Bambam&#8230;<\/p>\n<p>03. Nada contra o mo\u00e7o. Tamb\u00e9m nada a favor. A bem da verdade, n\u00e3o o conhe\u00e7o. Por for\u00e7a do h\u00e1bito (p\u00e9ssimo, por sinal) de ver programas esportivos no domingo \u00e0 noite, n\u00e3o pude saber de suas aventuras na casa, nem participar de nenhuma vota\u00e7\u00e3o. O que sei dele, ouvi de pessoas do meu conv\u00edvio aqui no jornal, na universidade, em casa&#8230; Garanto, caro leitor, que as discuss\u00f5es sempre foram acaloradas e o mo\u00e7o que, de in\u00edcio, era candidato a ser \u00fanica e exclusivamente um feixe de m\u00fasculos transformou-se no grande \u00edcone de popularidade, especialmente depois de cunhar a j\u00e1 c\u00e9lebre e antol\u00f3gica (n\u00e3o no sentido de anta, mas de antologia, certo?) express\u00e3o: &quot;no meu modo de vista&#8230;&quot; Agora, o rapaz conta os quinhentinhos que levou, faz planos e, principalmente (por for\u00e7a dos contratos com os patrocinadores) d\u00e1 entrevista ao Jornal Nacional, J\u00f4 Soares e a todo o conglomerado de comunica\u00e7\u00e3o que possua a logomarca global.<\/p>\n<p>04. Todos querem saber a f\u00f3rmula do sucesso imediato. Como algu\u00e9m sem trabalhar, ralar nos livros, vencer uma a uma as duras etapas do aperfei\u00e7oamento pessoal ou possuir qualquer talento pode se transformar no pr\u00edncipe dos realities shows. Com direito ao tudo de bom que a vida oferece&#8230;<\/p>\n<p>05. O leitor mais atento j\u00e1 percebeu: o Bambam de hoje \u00e9 o Supla de ontem e, certamente, ser\u00e1 suplantado pelo vencedor da pr\u00f3xima bobagem que for ao ar. S\u00e3o os famosos quinze minutos de fama e nada mais. D\u00e1 para entender, mas n\u00e3o para aceitar. O brasileiro est\u00e1 adotando uma postura de gata borralheira \u00e0 espera que uma fada ou outro ser m\u00edtico, desde que global, o toque com sua varinha de cond\u00e3o e, a partir da\u00ed, tudo na sua vida e no Pa\u00eds se acerte e possamos viver felizes para todo o sempre.<\/p>\n<p>06. Enquanto isso, ca\u00edmos em contos da carrochinha que s\u00e3o de lascar. Aquele do<br \/>\nca\u00e7ador de maraj\u00e1s, quem se lembra? Da conversa fiada da reelei\u00e7\u00e3o? Do  apag\u00e3o que n\u00e3o apagou, mas fez subir as contas de energia? Do Fura-Fila al\u00e9m da imagina\u00e7\u00e3o, que s\u00f3 os ipiranguistas n\u00e3o esquecem&#8230;<\/p>\n<p>07. E tome truques e traquejos televisivos. Lembra-se do jarg\u00e3o &quot;obras do Maluf&quot; que a propaganda eleitoral consagrou? O que voc\u00ea acha das pesquisas eleitorais? E da propaganda fora do prazo sobre o governador e candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o Geraldo Alckmin? O homem fez tudo&#8230; Talvez em outro Estado, no interior ou mesmo s\u00f3 na publicidade. Por aqui, as coisas v\u00e3o de mal a pior. S\u00e3o todos<br \/>\nbambans do mesmo saco&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;De tanto ver triunfar as nulidades&#8230;&quot; (Ruy Barbosa)<\/p>\n<p>01. 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