{"id":10207,"date":"2000-02-04T00:00:00","date_gmt":"2000-02-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T22:14:22","modified_gmt":"2017-09-14T22:14:22","slug":"o-povo-e-a-patria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-povo-e-a-patria\/","title":{"rendered":"O Povo e a P\u00e1tria"},"content":{"rendered":"<p>\u00c0s vezes, \u00e9 preciso que tudo mude para que tudo fique como est\u00e1&#8230; Imaginaram-se feitos um para o outro: a P\u00e1tria e o Povo. Tinham momentos de puro sonho, encantamento, certezas. Em outros, por\u00e9m, desconfiavam. Seriam capazes de enfrentar o sol e a chuva, as pedras do caminho, os desafios do futuro sem abrir m\u00e3o do sonho, do encantamento&#8230; E as certezas? Tudo est\u00e1 sempre por um fio; o sim e o n\u00e3o t\u00e3o presentes no dia-a-dia de toda gente. Por onde seguir?<\/p>\n<p>O Povo gostaria de uma solu\u00e7\u00e3o imediata para os problemas, o aqui e agora. A viol\u00eancia das ruas, os desmandos dos senhores do Poder, a hipocrisia dos infelizes, os esc\u00e2ndalos&#8230; Estava cansado de lidar com tamanha ang\u00fastia. Pensou, ent\u00e3o, em um personagem das cr\u00f4nicas de Nelson Rodrigues, o sr. Imponder\u00e1vel de Almeida, que surgia sempre que tudo parecia definido e mudava a ordem natural das coisas. Seria bom demais &#8212; ponderou sem alterar as fei\u00e7\u00f5es, mas olhando firmemente para a P\u00e1tria e o futuro. Estava decidido a seguir em frente, n\u00e3o havia outra alternativa: queria faz\u00ea-la feliz; s\u00f3 assim poderia ele pr\u00f3prio encontrar o que chamam de felicidade. Andaram distantes, a P\u00e1tria e o Povo.<\/p>\n<p>Agora, se reaproximaram e o sil\u00eancio dos grandes embates pesava sobre os dois. A P\u00e1tria n\u00e3o conseguiu se conter e come\u00e7ou o di\u00e1logo sem saber exatamente onde a conversa franca poderia os levar: &#8212; Estou com medo. &#8212; Medo do que? &#8212; retrucou o Povo que, por vezes, tamb\u00e9m tinha l\u00e1 suas hesita\u00e7\u00f5es. &#8212; Medo da vida&#8230; Do que pode acontecer com n\u00f3s. &#8212; Como assim? &#8212; respondeu sem responder, apenas para ganhar tempo e pensar melhor como responder.  &#8212; N\u00e3o sei explicar. Agora, de novo, somos s\u00f3 n\u00f3s&#8230; E vamos ter que enfrentar o mundo. N\u00e3o vai ser f\u00e1cil&#8230; &#8212; E alguma vez foi diferente? &#8212; disse logo.<\/p>\n<p>O Povo tentou dizer mais: que estavam juntos, como nunca estiveram. E n\u00e3o haveria conven\u00e7\u00e3o, nem globaliza\u00e7\u00e3o, nem campanha na m\u00eddia. Nada os venceria. Falavam claramente de dores e amores. Tinham planos, e ficariam atentos ao que desse e viesse. Valeria cultivar a verdade e afastar todo e qualquer fantasma. Havia um compromisso inarred\u00e1vel com a vida que sempre quiseram viver. Ent\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 mais tempo a perder &#8212; continuou. Vamos seguir em frente. E, \u00e0 medida em que os problemas forem surgindo &#8212; e problemas, sempre os h\u00e1 &#8211;, vamos resolv\u00ea-los com o instrumental que o Tempo, tambor de todos os ritmos, nos oferecer&#8230; N\u00e3o h\u00e1 como escapar ao nosso destino.<\/p>\n<p>Doces palavras. A P\u00e1tria entendeu que era hora de acreditar. Mesmo porque j\u00e1 haviam atravessado rios, mares e montanhas e, por maiores que tenham sido as dificuldades, n\u00e3o se perderam. N\u00e3o seria agora que iriam se perder. Ter medo faz parte do jogo da vida. O medo s\u00f3 n\u00e3o pode paralisar quem realmente se prop\u00f5e a construir um mundo melhor, apesar dos Malans, FHC, ACM e dos desmandos que a\u00ed est\u00e3o a aporrinhar a vida. E mais n\u00e3o falaram porque nada havia mais a dizer. P\u00e1tria e Povo se conscientizaram que s\u00e3o indivis\u00edveis. S\u00e3o uma coisa s\u00f3, assim como o Sol e a Luz, imprescind\u00edveis para a vida&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c0s vezes, \u00e9 preciso que tudo mude para que tudo fique como est\u00e1&#8230; Imaginaram-se feitos um para o outro: a P\u00e1tria e o Povo. Tinham momentos de puro sonho, encantamento, certezas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10207","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-caro-leitor"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10207"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10207\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14210,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10207\/revisions\/14210"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}