{"id":10214,"date":"1999-06-04T00:00:00","date_gmt":"1999-06-04T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T03:00:25","modified_gmt":"2017-09-15T03:00:25","slug":"o-rio-de-aguas-vermelhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-rio-de-aguas-vermelhas\/","title":{"rendered":"O rio de \u00e1guas vermelhas"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Para sempre, \u00e9 sempre por um triz&quot; (Chico Buarque)<\/p>\n<p>01. H\u00e1 uma pol\u00eamica sobre o significado da palavra Ipiranga que pelos modelares caminhos da Hist\u00f3ria acabou por denominar o bairro quase cidade onde vivemos. Estudiosos trabalham com duas vers\u00f5es. A primeira comenta que as palavras ind\u00edgenas ypi + anga designam regi\u00e3o onde corre o rio de muitas curvas. A outra vers\u00e3o \u00e9 de que Ipiranga significa rio de \u00e1guas vermelhas, barrentas. Os pesquisadores, repito, ainda n\u00e3o chegaram a uma defini\u00e7\u00e3o exata do termo. Mas, a inc\u00faria do bicho homem deu, ainda que por algumas horas, uma grande for\u00e7a para a segunda hip\u00f3tese. Por um vazamento em alguma ind\u00fastria pr\u00f3xima, as \u00e1guas do hist\u00f3rico Riacho Ipiranga tornaram-se de um vermelh\u00e3o horr\u00edvel como a denunciar o abandono em que se encontra nossa cidade. Poder\u00edamos entender esse rubor como um grito de socorro, de salve-me e salve esta S\u00e3o Paulo que tanto tem feito pelo Brasil e pelos brasileiros e que quase nada vem recebendo em termos de preserva\u00e7\u00e3o e reconhecimento p\u00fablico &#8212; quer seja das autoridades, quer seja dos pr\u00f3prios paulistanos.<\/p>\n<p>02. Registre-se que tal fato acontece \u00e0s v\u00e9speras do dia que, na teoria e nas comemora\u00e7\u00f5es oficiais, se reverencia o meio-ambiente. O 5 de junho gostaria que fosse mais do que um mero registro festivo dos calend\u00e1rios institucionais ou um punhado de discursos que os secret\u00e1rios do Verde fazem nessas ocasi\u00f5es. Ao menos imagino, deveria ser uma pr\u00e1tica cotidiana de todos n\u00f3s preservar o lugar onde vivemos, onde nossos filhos poder\u00e3o crescer, brincar&#8230; Um lugar onde nossos antepassados fincaram sustent\u00e1culos de exist\u00eancias e conquistas. Um lugar que nos acolhe quando, por este ou aquele motivo, perdemos o porto-seguro da terra onde nascemos.<\/p>\n<p>03. Vamos esquecer um pouco das autoridades, das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Nada fazem mesmo. Conversemos eu e voc\u00ea, caro leitor. Se nos conscientizarmos da nossa cidadania, pequenos grandes gestos e alguns poucos cuidados j\u00e1 trar\u00e3o maior dignidade ao nosso entorno. N\u00e3o sujar o local onde estamos (seja a rua, o local de trabalho, a pr\u00f3pria casa, a sala de cinema, o est\u00e1dio de futebol&#8230;), ensinar esse procedimento \u00e0s crian\u00e7as, respeitar o hor\u00e1rio da coleta de lixo, n\u00e3o pisar na grama quando h\u00e1 sinaliza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o atirar entulho em qualquer terreno baldio que encontre &#8212; menos ainda nas margens dos rios, cuidado com as pontas de cigarros, n\u00e3o desperdi\u00e7ar \u00e1gua e por ai vamos&#8230; Nada do que escape \u00e0 trivialidade do bom senso.<\/p>\n<p>04. Se voc\u00ea for um executivo, n\u00e3o \u00e9 demais adotar todos os rigores indispens\u00e1veis para que acidentes como o de ter\u00e7a-feira n\u00e3o aconte\u00e7am. N\u00e3o poluir o ar, n\u00e3o expor os funcion\u00e1rios \u00e0 subst\u00e2ncias insalubres, manter em n\u00edvel suport\u00e1vel os ru\u00eddos do maquin\u00e1rio e equipamentos, respeitar a lei do sil\u00eancio, n\u00e3o extrapolar os hor\u00e1rios e, se me permite dizer, n\u00e3o imaginar que o lucro &#8212; e s\u00f3 o lucro &#8212; far\u00e1 que voc\u00ea e os que est\u00e3o ao seu redor se sintam melhor. \u00c0s vezes um sorriso, um carinho &#8212; diz a can\u00e7\u00e3o da moda &#8212; vai bem&#8230;<\/p>\n<p>05. Que fique claro! N\u00e3o se trata de um pux\u00e3o de orelha em ningu\u00e9m, menos ainda no meu estimado leitor. \u00c9 apenas para reavivar algumas impress\u00f5es que j\u00e1 existem n\u00f3s e que, sejamos sinceros, muitas vezes esquecemos de coloc\u00e1-las em pr\u00e1tica ou de pass\u00e1-las adiante. Ademais, o inescrupuloso que deixou acontecer o vazamento que polui as \u00e1guas n\u00e3o precisa s\u00f3 de uma reprimenda. Precisa, sim, de uma pesada multa que ressar\u00e7a a sociedade pelos danos causados. Quando isso for poss\u00edvel. \u00c0s vezes os estragos causados por uma desaten\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea levam toda uma vida para serem recuperados. Em alguns casos, como diria o corretor de seguro, \u00e9 perda total.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Para sempre, \u00e9 sempre por um triz&quot; (Chico Buarque)<\/p>\n<p>01. 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