{"id":10215,"date":"1999-05-21T00:00:00","date_gmt":"1999-05-21T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T03:01:06","modified_gmt":"2017-09-15T03:01:06","slug":"o-sacro-oficio-do-povo-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-sacro-oficio-do-povo-brasileiro\/","title":{"rendered":"O sacro of\u00edcio do povo brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>01. Vamos continuar nossa conversa de sempre. As coisas n\u00e3o v\u00e3o bem neste peda\u00e7o de ch\u00e3o chamado Ipiranga, e de resto, parece-me, andam destrambelhadas mundo afora. Estoura um novo escandalo aqui, a OTAN erra outro alvo ali. O Governo reluz e brilha, anuncia defla\u00e7\u00e3o e novas viagens do presidente. A impunidade grassa solta, e da\u00ed? O m\u00eas espichou ou o sal\u00e1rio que encolheu? Outro assalto na esquina, era um garoto&#8230; O medo nas escolas. A bala perdida. Uma convers\u00e3o proibida mata um grande brasileiro, Dias Gomes.<\/p>\n<p>02. Todas as manh\u00e3s de quinta-feira renovo minhas esperan\u00e7as de construir um mundo melhor a partir deste nosso habitual encontro. Todas as manh\u00e3s de quinta-feira, assim que come\u00e7o a roteirizar os assuntos da semana para dar forma e conte\u00fado ao texto, assalta-me a d\u00favida. Ser\u00e1 que n\u00e3o vou lhe estragar a sexta-feira e, sabe-se l\u00e1, todo o final de semana revivendo fatos que, de forma alguma, mostram-se indicadores de novos tempos? N\u00e3o seria mais proveitoso que ocupasse o espa\u00e7o para temas mais amenos, informa\u00e7\u00f5es mais lights que n\u00e3o o atormentassem e onde todos n\u00f3s pudessemos um fio de luz e de esperan\u00e7a. H\u00e1 muitos projetos sociais em andamento, com volunt\u00e1rios e a abnegada determina\u00e7\u00e3o de minimizar os males do pr\u00f3ximo &#8212; n\u00e3o tantos quantos s\u00e3o necess\u00e1rios, mas que existem, existem&#8230; Aplausos para tais iniciativas, pois. Mas, a fun\u00e7\u00e3o jornal\u00edstica acaba invariavelmente me levando para o lado obscuro dos fatos&#8230;<\/p>\n<p>03. Se me permite, caro leitor, vou tentar explicar esse vi\u00e9s. \u00c9 que de uns tempos para c\u00e1, aprendi a n\u00e3o temer a felicidade como express\u00e3o de vida. O que n\u00e3o significa dizer que n\u00e3o sei reconhecer as dificuldades, os conflitos, as injusti\u00e7as, os erros pessoais (especialmente os nossos) que existem e que temos de enfrentar a cada nova manh\u00e3. E, gra\u00e7as a Deus, estamos vivos e aptos para o embate e, repito, mais apto ainda para o exerc\u00edcio da felicidade. D\u00e1 trabalho ser feliz, claro. Mas, n\u00e3o se deve temer tal desafio, pois como diz a can\u00e7\u00e3o djavaneana isso pra mim \u00e9 viver.<\/p>\n<p>04. Penso que o brasileiro tem por natureza a voca\u00e7\u00e3o para se feliz. Mas, talvez, tenha medo de vivenci\u00e1-la plenamente, perenemente&#8230; E l\u00e1, do fundo, bem fundo d\u2019alma, vem a desconfort\u00e1vel sensa\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o se merece tanto. Quem nunca olhou ao redor e, ao se deparar com tamanha mis\u00e9ria, n\u00e3o achou injusto o momento de alegria que eventualmente estava vivendo? Repare que n\u00e3o foi \u00e0 toa que se consagrou pelo uso popular a express\u00e3o \u00e9 bom demais para ser verdade.<\/p>\n<p>05. Claro que essa almejada utopia chamada felicidade \u00e9 tarefa \u00e1rdua. Mas, se n\u00e3o tratarmos de lutar por ela desde j\u00e1, ningu\u00e9m o far\u00e1 por n\u00f3s, creia. O argumento vale tanto para o \u00e2mbito pessoal como para o social. H\u00e1 pouco aprendi, por acaso, o significado da palavra sacrif\u00edcio que sempre imaginei fosse sin\u00f4nimo de problema, dor, jejum&#8230; Quer dizer sacro of\u00edcio. Vamos, pois, nos permitir. Mago n\u00e3o \u00e9 quem quer, mago \u00e9 quem se d\u00e1 ao trabalho&#8230;<\/p>\n<p>06. E trabalho aqui n\u00e3o significa s\u00f3 o exerc\u00edcio de uma profiss\u00e3o, at\u00e9 porque o desemprego hoje est\u00e1 alt\u00edssimo. Significa topar os desafios. Ler, estudar, informar-se de tudo o que puder e quiser, participar de lutas por causas p\u00fablicas, denunciar, criticar, evoluir, cobrar, crescer, acreditar no sonho, fazer-se melhor e, principalmente, na hora do voto, n\u00e3o vacilar. Votar conscientemente&#8230; \u00c9 por a\u00ed que se expressa a cidadania. \u00c9 por a\u00ed, imagino, que se constr\u00f3i um mundo melhor.<\/p>\n<p>07. Desculpe, caro leitor, se hoje n\u00e3o falei em FHC, Mallan, Pitta, ACM, Maluf &amp; Cia circense. Est\u00e1 na hora da gente dar mais valor ao que eles fazem do que ao que falam. Como nada fazem, nada h\u00e1 para se escrever sobre eles&#8230; A desesperan\u00e7a no rosto da nossa gente e a l\u00e1grima no rosto daquela mo\u00e7a que ia para o trabalho s\u00e3o as causas da minha indigna\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. Vamos continuar nossa conversa de sempre. As coisas n\u00e3o v\u00e3o bem neste peda\u00e7o de ch\u00e3o chamado Ipiranga, e de resto, parece-me, andam destrambelhadas mundo afora. 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