{"id":10219,"date":"2001-03-23T00:00:00","date_gmt":"2001-03-23T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T21:54:41","modified_gmt":"2017-09-14T21:54:41","slug":"o-tombo-do-governo-no-empresariado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/o-tombo-do-governo-no-empresariado\/","title":{"rendered":"O tombo do Governo no empresariado"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Todos vivemos sob o mesmo c\u00e9u, mas nem todos v\u00eaem o mesmo horizonte&quot; (Adenauer)<\/p>\n<p>01. Quando garoto morei no Cambuci e uma g\u00edria corrente entre os malandros de ent\u00e3o era passar o rodo. Significava para os enturmados algo como dar uma rasteira, derrubar, dar um tombo. A capoeira n\u00e3o era o esporte da moda, nem o ax\u00e9-music tocava em nossas r\u00e1dios. Sei que para muitos dos nossos jovens \u00e9 dif\u00edcil entender o mundo sem a capoeira e a ax\u00e9-music, mas v\u00e1 l\u00e1&#8230; Importante destacar, por\u00e9m, que, para o c\u00f3digo de honra da \u00e9poca, o protagonista da a\u00e7\u00e3o (ou seja, aquele que aplicava o golpe) vangloriava-se do fato \u00e0 cada esquina enquanto ao derrubado s\u00f3 restava a humilha\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria dos ot\u00e1rios, do vacil\u00e3o, do \u00faltimo dos mortais&#8230;<\/p>\n<p>02. Lembrei da express\u00e3o, nesta semana, ao ver a alegria do presidente Fernando Henrique Cardoso que comemorou o acordo para acertar, a perder de vista, as diferen\u00e7as do FGTS do trabalhador em fun\u00e7\u00e3o dos planos econ\u00f4micos encetados no governo do outro Fernando, o Collor de Mello. O presidente falava em maior acordo da Hist\u00f3ria, algo em torno de 32,7 bilh\u00f5es de reais e isso e aquilo. N\u00e3o sei se exagero, mas ocorreu-me um certo desconforto quando vi a prosa convicta do presidente. E, de imediato, aguardei a seq\u00fc\u00eancia do notici\u00e1rio para identificar o ot\u00e1rio de plant\u00e3o. N\u00e3o tardou e o coro dos descontentes se fez ouvir&#8230;<\/p>\n<p>03. Mais uma vez, o empresariado nacional vai pagar as contas. Segundo o acordo entre as esferas federais e representantes dos trabalhadores (menos a CUT que n\u00e3o topou a proposta), aumenta de 40 para 50 por cento o valor da multa recis\u00f3ria que os patr\u00f5es ter\u00e3o que pagar ao funcion\u00e1rio que for demitido sem justa causa. Os 10 por cento, obviamente, v\u00e3o para os cofres p\u00fablicos que, com a demora de sempre, os repassar\u00e3o ao trabalhador. H\u00e1 outros \u00edtens em pauta (contribui\u00e7\u00e3o mensal das empresas passa de 8 para 8,5 por cento e o governo entra com 6 bilh\u00f5es de reais em t\u00edtulos do Tesouro), mas o grosso da conta sair\u00e1 mesmo do setor produtivo&#8230;<\/p>\n<p>04. At\u00e9 uma crian\u00e7a \u00e9 capaz de entender que \u00e9 inevit\u00e1vel o repasse de mais essa taxa para o pre\u00e7o do produto final. \u00c9 igualmente inevit\u00e1vel que as empresas fiquem, a partir da\u00ed, mais reticentes em ampliar o quadro de funcion\u00e1rios e assim haver\u00e1 uma conseq\u00fcente queda na oferta de emprego. O que, por si s\u00f3, sugere um incentivo \u00e0 economia informal, o que pressup\u00f5e aumento do subemprego&#8230;<\/p>\n<p>05. Quando se v\u00ea um horizonte nebuloso para a economia mundial, com amea\u00e7a de recess\u00e3o nos EUA e o destempero das finan\u00e7as na vizinha Argentina&#8230; Quando se sabe do montante de importa\u00e7\u00f5es que o Pa\u00eds est\u00e1 sendo obrigado a fazer, via globaliza\u00e7\u00e3o&#8230; Quando nos arrepia a instabilidade do d\u00f3lar e nos aflige uma das cargas tribut\u00e1rias mais altas do mundo, chega a surpreender a desfa\u00e7atez do Governo ao passar mais esse rodo no empres\u00e1rio e, por tabela, derrubar toda a sociedade&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Todos vivemos sob o mesmo c\u00e9u, mas nem todos v\u00eaem o mesmo horizonte&quot; (Adenauer)<\/p>\n<p>01. 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