{"id":10238,"date":"1998-02-01T00:00:00","date_gmt":"1998-02-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T04:07:55","modified_gmt":"2017-09-15T04:07:55","slug":"porque-hoje-e-sexta-feira-de-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/porque-hoje-e-sexta-feira-de-carnaval\/","title":{"rendered":"Porque hoje \u00e9 sexta-feira de Carnaval"},"content":{"rendered":"<p>01. Hoje \u00e9 sexta-feira, como nos ensina a can\u00e7\u00e3o que anuncia a cerveja, aquela dos amigos sertanejos que nos acenam (eles e a cerveja) com o final de semana repleto de prazeres e descanso. Os brasileiros merecem (n\u00e3o sei se a tal cerveja ou trinar desses menestr\u00e9is eletr\u00f4nicos), mas fazemos jus a alguns sonhos e venturas. N\u00e3o porque o Pa\u00eds anda para tr\u00e1s neste funil do fim do s\u00e9culo e, sim, porque a batalha do dia-a-dia tem sido \u00e1rdua, draconiana, diria aquele ilustre professor da FAI que atende pelo nome de Osmar. E n\u00f3s temos comparecido assiduamente \u00e0 luta e, apesar dos trope\u00e7os, das reformas e contra-reformas, dos tratados de sociologia e dos pol\u00edticos, continuamos firmes e fortes, esganando um le\u00e3o por dia (tenha o bicho a forma que tiver, impostos, multas, juros sobre juros, inadimpl\u00eancia&#8230;) para mantermos vivos o sonho e a esperan\u00e7a de uma vida digna, o sonho e a esperan\u00e7a de um futuro promissor.<\/p>\n<p>02. Hoje, ali\u00e1s, \u00e9 a melhor sexta-feira do ano para a maioria (sen\u00e3o a totalidade) dos brasileiros. Fa\u00e7a chuva ou sol, \u00e9 a luminosa sexta-feira que antecede o Carnaval e as promessas de boas venturas s\u00e3o tantas &quot;que n\u00e3o vale a pena esquentar&quot;. A conclus\u00e3o, \u00e9 bom que se diga, n\u00e3o \u00e9 do ilustre professor Osmar, mas est\u00e1 na boca e na mente de todos n\u00f3s, pacatos cidad\u00e3os, especialmente quando se avizinha um feriad\u00e3o prolongado. Mesmo para quem n\u00e3o sintonize o baticum das escolas de samba e dos trios el\u00e9tricos, a possibilidade de uma viagem (mesmo que se chute as contas do dia 20 &quot;pra n\u00e3o sei quando&quot;) \u00e9 sempre bem-vinda, bem administrada e, sup\u00f5e-se \u00e0 primeira vista, bem curtida. E aqui n\u00e3o pesa a super lota\u00e7\u00e3o das estradas, a falta de \u00e1gua, a explora\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio e o caos pr\u00f3prio das grandes cidades que o paulistano, refastelado com a possibilidade de ser feliz, leva para as chamadas est\u00e2ncias tur\u00edsticas durante esses per\u00edodos. Tudo vale a pena&#8230;<\/p>\n<p>03. O lema \u00e9 abrangente &#8212; e enganoso demais, at\u00e9 porque a alma de muitos de nossos mandat\u00e1rios, ao contrario do que sugere a poesia de Fernando Pessoa (&quot;Tudo vale a pena\/se a alma n\u00e3o \u00e9 pequena&quot;), tem se revelado \u00ednfima nos prop\u00f3sitos, mesquinha nos interesses, fr\u00e1gil quando defende essa abstra\u00e7\u00e3o chamada coisa p\u00fablica. Nessa timbalada, parece-me, faz sentido a pergunta: Qual seria o enredo apropriado para o Carnaval do Pa\u00eds do Carnaval neste ano santo, de Copa do Mundo e elei\u00e7\u00f5es gerais?<\/p>\n<p>04. Mesmo sem freq\u00fcentar as lides das quadras das escolas, ocorre-me sugerir como primeiro tema a saga do soci\u00f3logo que virou presidente e agora sonha com a reelei\u00e7\u00e3o, a qualquer custo (desde que saia do nosso bolso). Trata-se de um belo personagem. Um tanto quanto contradit\u00f3rio (na Constitui\u00e7\u00e3o de 88, votou contra a reelei\u00e7\u00e3o, depois quando se elegeu presidente trabalhou acima da \u00e9tica para que a emenda da reelei\u00e7\u00e3o passasse), mas que exala um certo charme, vindo de seus t\u00edtulos de doutor honoris cause, talvez&#8230; Outro enredo me vem a baila, j\u00e1 com t\u00edtulo e tudo: &quot;Jorgina, fraudadora que se mandou para Costa Rica e, mesmo algemada e presa, n\u00e3o abriu m\u00e3o (ou seria, o pesco\u00e7o?) da gargantilha de p\u00e9rolas e brilhantes&quot;. N\u00e3o sei se cabe um desfile falando das reformas, almejadas reformas, sempre anunciadas, nunca concretizadas e agora na imin\u00eancia de serem votadas, s\u00e3o tidas pelos porta-vozes do Planalto, inclusive o pr\u00f3prio FHC, como superadas e sujeitas a reparos mais adiantes&#8230;<\/p>\n<p>05. Nem o lend\u00e1rio Stanislaw Ponte Preta, autor do sempre atual &quot;Samba do Crioulo Doido&quot;, seria capaz de tanto desvario para narrar a tresloucada realidade brasileira, a que vivemos e a que estamos por viver, salvo haja uma corre\u00e7\u00e3o de rumos. Tomara que nossa gente n\u00e3o deixe para reepensar o Brasil s\u00f3 na sexta-feira, dia 2 de outubro, antev\u00e9spera das elei\u00e7\u00f5es presidenciais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. 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