{"id":10239,"date":"2001-12-07T00:00:00","date_gmt":"2001-12-07T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:45:15","modified_gmt":"2017-09-14T17:45:15","slug":"projeto-para-a-nova-era","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/projeto-para-a-nova-era\/","title":{"rendered":"Projeto para a nova era"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Ser poeta n\u00e3o \u00e9 minha ambi\u00e7\u00e3o. \u00c9 a minha maneira de estar sozinho&quot; (Fernando Pessoa)<\/p>\n<p>01. Eles se encontraram em frente da igreja onde um dia entraram, e por conta e risco, juraram amor eterno. \u00c0 \u00e9poca, no af\u00e3 da paix\u00e3o, imaginaram que a promessa era suficiente para lhes garantir felicidade infinita. Entenderam que o sil\u00eancio da igreja vazia e a luz azulada que entravam pelos vitrais aben\u00e7oavam a proposta e o sonho&#8230;<\/p>\n<p>02. Foi um momento \u00fanico, pleno, raro que se conta nos dedos de uma das m\u00e3os quantas vezes acontecem na vida de uma pessoa. Eram felizes. Melhor: tinham um projeto de felicidade &#8212; o que \u00e9 outra fina especiaria que d\u00e1 cor e sabor \u00e0 nossa exist\u00eancia.<\/p>\n<p>03. Lembraram desse dia assim que o acaso os colocou frente a frente. Mas, o momento de hesita\u00e7\u00e3o foi breve. Logo estavam conversando sobre as obriga\u00e7\u00f5es e compromissos do cotidiano. Falavam de generalidades, do que est\u00e1 \u00e0 superficie da vida: o trabalho, os estudos, uma prov\u00e1vel viagem. Mas, enquanto falavam e\/ou ouviam, pensavam nos caminhos que n\u00e3o percorreram, se teria valido a pena insistir e a falta que um ainda fazia na vida do outro&#8230;<\/p>\n<p>04. Despediram-se com a formalidade dos amigos que n\u00e3o se v\u00eaem h\u00e1 longos anos. Mas, em seguida, sentiram-se pouco \u00e0 vontade nos afazeres do dia. A sensa\u00e7\u00e3o do ef\u00eamero era desconfort\u00e1vel. Assim como o verso de Chico Buarque que latejou silenciosamente na mente de ambos: para sempre \u00e9 sempre por um triz.<\/p>\n<p>05. Todos n\u00f3s, de uma forma ou de outra, acabamos por conviver diariamente com esse tipo de quest\u00e3o &#8212; e muitas e muitas vezes de forma menos rom\u00e2ntica, eu diria. Vivemos a entrar e sair de situa\u00e7\u00f5es que nos parecem definitivas, conclusivas. Mas, que passam como a onda que se ergueu no mar. \u00c9 o nosso jeito de lidar com o ef\u00eamero que acaba por definir os dias amenos ou turbulentos. O mundo de hoje \u00e9 assim e o atentado de 11 de setembro mostrou o quanto a Humanidade anda distante das certezas absolutas, o quanto andamos por um triz&#8230;<\/p>\n<p>06. \u00c9 ilus\u00e3o imaginarmos que um fato ou outro vai exterminar todos os males do mundo. Por isso, entendo tragicamente distante o fim dessa era de conflito que ora vivenciamos. N\u00e3o ser\u00e1 com a pris\u00e3o de Bin Laden ou com a explos\u00e3o da fortaleza de Arafat que ser\u00e1 alcan\u00e7ada a almejada paz na terra aos homens de boa vontade&#8230; O caminho \u00e9 perigosamente mais longo e sinuoso e passa por um sentimento cada vez mais raro entre os homens: a fraternidade.<\/p>\n<p>07. Dif\u00edcil deixar de falar em fraternidade no m\u00eas natalino de dezembro. A fraternidade vai al\u00e9m das sacolinhas e doa\u00e7\u00f5es \u00e0s entidades assistenciais. Passa por um mandamento que ser\u00e1 essencial na reconstru\u00e7\u00e3o da nova era de paz, harmonia e justi\u00e7a social: amar ao pr\u00f3ximo como a si mesmo. J\u00e1 imaginou, caro leitor, todas as implica\u00e7\u00f5es que tais palavras podem ter.<\/p>\n<p>08. Caso contr\u00e1rio, continuaremos como os amantes que o acaso reuniu na porta de uma igreja, mas n\u00e3o encontram palavras para celebrar o verdadeiro amor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Ser poeta n\u00e3o \u00e9 minha ambi\u00e7\u00e3o. \u00c9 a minha maneira de estar sozinho&quot; (Fernando Pessoa)<\/p>\n<p>01. 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