{"id":10258,"date":"2002-05-10T00:00:00","date_gmt":"2002-05-10T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:35:56","modified_gmt":"2017-09-14T17:35:56","slug":"um-dia-cinza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/um-dia-cinza\/","title":{"rendered":"Um dia cinza"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Se quiseres ser curado, descobre a tua ferida&quot; (Bo\u00e9zio)<\/p>\n<p>01. H\u00e1 dias que s\u00e3o mais assim do que outros. Sabe-se l\u00e1 o que pesa, incomoda, desconforta a alma. Mas, a verdade verdadeira \u00e9 que eu, voc\u00ea, todos n\u00f3s estamos sujeitos a esse tipo de tristeza inomin\u00e1vel, que mal sabemos de onde vem ou para onde vai&#8230;<\/p>\n<p>02. E a m\u00e3e da gente se preocupa, o amigo pergunta: e as boas?, mas j\u00e1 sabe da nossa sincera resposta. Nenhuma. Em casa, voc\u00ea n\u00e3o escapa do interrogat\u00f3rio sobre o que tem ou deixa de ter. S\u00f3 que nem voc\u00ea mesmo tem a resposta. Acordou em peda\u00e7os, feito um filet aperitivo. E agora, feito um carro a alc\u00f3ol com a bateria arriada, tem mais \u00e9 que pegar no tranco e enfrentar um longo &#8212; estafante &#8212; dia de trabalho&#8230;<\/p>\n<p>03. Ao longo do dia, h\u00e1 os que tentam melhorar o que se convencionou chamar de astral, como se fossemos sol, lua ou qualquer outro corpo celestial. E falam e aconselham e recomendam. Vale exemplos idos e vividos, po\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas que curam cara-feia, rem\u00e9dios milagrosos, piadas de todos os n\u00edveis e gostos, consultas ao hor\u00f3scopo e os esgar\u00e7ados chav\u00f5es, tipo poderia ser pior ou<br \/>\nmelhor assim, ao menos voc\u00ea t\u00e1 empregado.<\/p>\n<p>04. Assim a gente vai levando, tocando em frente, fazendo o tempo escoar pelo v\u00e3o dos dedos da m\u00e3o. Por mais otimista e bem-humorada que a pessoa seja, imagino que, em algum momento da vida, todos n\u00f3s j\u00e1 enfrentamos a barra de estar pra baixo. A\u00ed, companheiro, n\u00e3o h\u00e1 Dalai Lama ou Paulo Coelho que d\u00eaem jeito&#8230;<\/p>\n<p>05. Um velho e saudoso amigo, aqui de Gazeta do Ipiranga, dizia que a gente sempre sabe aonde aperta o nosso sapato. E olha que ele, o Z\u00e9 Armando, nem chegou a conhecer o pugilista Pop\u00f3 que, nesta semana, foi inapelavelmente nocauteado por um par de sapatos, que lhe castigou os p\u00e9s durante solenidade no Congresso Nacional. Ao menos o campe\u00e3o, que \u00e0 sa\u00edda desfilou com o cal\u00e7ado nas m\u00e3os, sabia o que lhe estava afligindo. Z\u00e9 Armando dizia que dev\u00edamos ir por a\u00ed: fazer um sincero exame de consci\u00eancia e, despachadamente, enfrentar as quest\u00f5es que nos afligem e, sem tentar encontrar justificativas ou argumentos, exibi-las aos olhos e tentar resolv\u00ea-las.<\/p>\n<p>06. \u00c9 certo que haver\u00e1 algum custo pessoal e\/ou financeiro, ou os dois. A vida \u00e9 assim. H\u00e1 sempre um pre\u00e7o a pagar. Para os brasileiros, que vivem no reino do tucanato, a express\u00e3o mais adequada seria h\u00e1 sempre um imposto a pagar. Mesmo assim, tal e qual bula de rem\u00e9dio, recomenda-se saber quais os problemas que nos incomodam e\/ou os inimigos que rondam nossa moradia. Melhor enfrent\u00e1-los do que ficar se remoendo pelos cantos, arrastando-se vida afora em queixas e lamenta\u00e7\u00f5es que, se olharmos com profundidade, n\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o importantes.<\/p>\n<p>07. Ali\u00e1s, o que \u00e9 verdadeiramente importante neste ano de elei\u00e7\u00f5es presidenciais e copa do mundo? Adivinhe em qual desses acontecimentos o brasileiro vai viver com mais empenho e paix\u00e3o? Qual deles entender\u00e1 como quest\u00e3o de vida ou morte? Veja s\u00f3 a como\u00e7\u00e3o nacional em que se transformou o an\u00fancio da lista do Felip\u00e3o na semana em que o \u00edndice de desemprego bate recordes em todo o Pa\u00eds. Ser\u00e1 que o Pa\u00eds &#8212; e n\u00f3s vamos a reboque &#8212; resiste mais quatro anos de devaneios globalizantes sem que se transforme numa imensa Argentina?<\/p>\n<p>08. A coluna n\u00e3o tem resposta para esta e outras tantas quest\u00f5es que hoje discuti num tom quase de auto-ajuda. Mas, caramba, foi bom falar desses dias cinzas de outono, lembrar o Z\u00e9 Armando, sorrir da simplicidade de um campe\u00e3o mundial, dizer que a gente t\u00e1 saturado de pagar impostos, taxas e multas, alertar que futebol n\u00e3o \u00e9 tudo na vida e estar atento ao processo eleitoral. \u00c9 sempre oportuno falar da vida. Afinal, h\u00e1 colunas que s\u00e3o mais assim do que outras&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Se quiseres ser curado, descobre a tua ferida&quot; (Bo\u00e9zio)<\/p>\n<p>01. H\u00e1 dias que s\u00e3o mais assim do que outros. Sabe-se l\u00e1 o que pesa, incomoda, desconforta a alma. 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