{"id":10301,"date":"2000-07-07T00:00:00","date_gmt":"2000-07-07T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T22:07:27","modified_gmt":"2017-09-14T22:07:27","slug":"refens-de-uma-guerra-perdida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/refens-de-uma-guerra-perdida\/","title":{"rendered":"Ref\u00e9ns de uma Guerra perdida"},"content":{"rendered":"<p>&quot;O pior pecado contra nossos semelhantes n\u00e3o \u00e9 o de odi\u00e1-los, mas de sermos indiferentes para com eles&quot; (Bernard Shaw)<\/p>\n<p>01. Os n\u00fameros s\u00e3o aterradores, e n\u00e3o deixam qualquer d\u00favida sobre a extens\u00e3o da trag\u00e9dia brasileira. De 1979 at\u00e9 o \u00faltimo dia 30, mais de meio milh\u00e3o de assassinatos ocorreram no Pa\u00eds, concentrados nos grandes centros urbanos. A \u00e1rea metropolitana de S\u00e3o Paulo \u00e9 a regi\u00e3o mais cr\u00edtica, de acordo com as estat\u00edsticas dos minist\u00e9rios da Sa\u00fade e da Justi\u00e7a. O n\u00famero exato bate em 578 mil mortes; 48 mil registradas s\u00f3 no ano passado. Nos primeiros seis meses do ano, as estimativas (ainda em fase de tabula\u00e7\u00e3o) d\u00e3o conta de, pelo menos, 20 mil ocorr\u00eancias. A continuar nessa triste toada, \u00e9 poss\u00edvel que cheguemos ao novo mil\u00eanio com a deplor\u00e1vel marca de 600 mil homic\u00eddios. Para o soci\u00f3logo T\u00falio Khan, que estuda a criminalidade para a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, somos hoje ref\u00e9ns de uma guerra perdida.<\/p>\n<p>02. Parece-me importante &#8212; e oportuno dizer &#8212; que esses n\u00fameros, repito, aterradores sejam divulgados justamente agora. Come\u00e7ou ontem oficialmente a campanha de candidatos a prefeito e a vereador &#8212; e logo, logo um contingente inef\u00e1vel de paladinos do bem e da justi\u00e7a vai invadir nossos lares, com os discursos absolutamente originais em suas mesmices. Todos s\u00e3o absolutamente honestos, com bons prop\u00f3sitos e est\u00e3o dispostos a lutar heroicamente em nome da causa p\u00fablica. \u00c9 por a\u00ed a ladainha&#8230; Uns ter\u00e3o mais dinheiro para gastar, e far\u00e3o campanhas car\u00edssimas. Outros v\u00e3o se virar com o que t\u00eam e podem. Acima de todas as quest\u00f5es, j\u00e1 se ouve dizer que o momento pol\u00edtico transcende \u00e0 simples elei\u00e7\u00e3o na esfera municipal. As c\u00fapulas partid\u00e1rias, a bem da verdade, jogam suas cartas, especialmente nas grandes capitais, com olho vivo em 2002, quando elegeremos presidente e governador. Por isso, os acertos, alian\u00e7as, apoiamentos e chapas (tenham l\u00e1 o nome que tiver esses conchavos pol\u00edticos) foram pensados e repensados como um intrincado jogo de xadrez, onde n\u00f3s, pobres pe\u00f5es, ficamos outra vez na linha de frente; mas, fora do jogo&#8230;<\/p>\n<p>03. O Poder pelo Poder \u00e9 o equ\u00edvoco secular da elite mandat\u00e1ria do Pa\u00eds. E a \u00edntegra do primeiro par\u00e1grafo revela o tamanho da nossa d\u00edvida com o social. Como ela se agravou e para onde vai nos levar, se todos continuarem inertes, querendo tirar proveito \u00fanico do caos. E, olhe, nem falo do avan\u00e7o da mis\u00e9ria nacional, da perda de nossa identidade cultural (o que nos achata enquanto povo e Na\u00e7\u00e3o), da crise de autoridade dos atuais governos municipal, estadual e federal (quem acredita em Pitta, Covas e FHC?) e da absoluta subservi\u00eancia da m\u00eddia invertebrada que faz o que pode para satisfazer o Sistema e se transformar em parte dele (basta ver a manchete de um grande jornal que anunciou solenemente: &quot;A infla\u00e7\u00e3o do semestre \u00e9 a menor desde 39&quot;. Voc\u00ea e o seu bolso acreditam nisso?)&#8230;<\/p>\n<p>04. A hora \u00e9 de objetivos claros e de atitudes precisas. Quem concorre a prefeito ou a vereador deve mesmo pensar em fazer o melhor e trabalhar pela cidade. Dispensa-se a discurseira. Dispensa-se tamb\u00e9m a proposta de que temos projetar um futuro melhor. Se n\u00e3o resolvermos o hoje, com sensatez e coragem, pode acreditar, caro leitor, n\u00e3o vai sobrar nada para o amanh\u00e3&#8230;<\/p>\n<p>05. E \u00e9 bom que comecemos desde j\u00e1 a fazer valer nossa cidadania. Vamos ficar atentos aos candidatos, aos discursos e propostas; mas principalmente \u00e0 hist\u00f3ria de vida de cada um. J\u00e1 cansamos de eleger matilhas de lobos em pele de cordeiro, e nos demos mal. Outra boa iniciativa \u00e9 estarmos presentes hoje, \u00e0s 19 horas, na Pra\u00e7a da S\u00e9, onde se realiza a manifesta\u00e7\u00e3o &quot;Basta! Eu Quero Paz&quot;, movimento n\u00e3o-governamental que discute e combate a viol\u00eancia. Um dos coordenadores, Denis Mizne, foi enf\u00e1tico na sua argumenta\u00e7\u00e3o: &quot;n\u00e3o estamos assustados porque assaltaram a casa do nosso vizinho. Estamos perplexos porque morrem 50 pessoas por fim de semana&quot; &#8212; e a sociedade parece que se acostumou \u00e0 essa trag\u00e9dia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;O pior pecado contra nossos semelhantes n\u00e3o \u00e9 o de odi\u00e1-los, mas de sermos indiferentes para com eles&quot; (Bernard Shaw)<\/p>\n<p>01. 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