{"id":10303,"date":"2002-11-08T00:00:00","date_gmt":"2002-11-08T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-14T17:16:25","modified_gmt":"2017-09-14T17:16:25","slug":"drummond-e-o-pacto-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/drummond-e-o-pacto-social\/","title":{"rendered":"Drummond e o pacto social"},"content":{"rendered":"<p>&quot;H\u00e1 muitas raz\u00f5es para duvidar e uma s\u00f3 para crer&quot; (Carlos Drummond de Andrade)<\/p>\n<p>01. Mesmo com atraso de uma semana. Quero registrar aqui o centen\u00e1rio de um notabil\u00edssimo brasileiro, o mineiro de Itabira, Carlos Drummond de Andrade. Se vivo, o poeta completaria 100 anos na quinta-feira da semana passada, dia 31. Mais do que a justa e modesta homenagem, valho-me da frase acima para dar o tom do &quot;Caro Leitor&quot; de hoje.<\/p>\n<p>02. A raz\u00e3o \u00e9 simples. A id\u00e9ia de Drummond me parece cab\u00edvel ao momento pol\u00edtico e social que ora vivemos. Depois da onda Lula que se ergueu num oceano pac\u00edfico de esperan\u00e7as, pipocam aqui e ali not\u00edcias que nos d\u00e3o conta de uma realidade pouco afeita \u00e0s marolas e veranicos. Aquela lista que t\u00e3o bem conhecemos e que inclui, aumento de tarifas p\u00fablicas, reajuste dos combust\u00edveis, instabilidade da moeda, infla\u00e7\u00e3o em alta, desemprego e outras tempestades prontas a a\u00e7oitar o casco dessa imensa embarca\u00e7\u00e3o chamada Brasil.<\/p>\n<p>03. \u00c9 certo que o presidente Fernando Henrique Cardoso revelou-se um estadista &#8212; como os amigos gostam de lhe chamar &#8212; neste momento de transi\u00e7\u00e3o e abriu o Pal\u00e1cio do Planalto para a equipe do futuro presidente j\u00e1 ir se inteirando do tamanho do abacaxi. Ali\u00e1s, em grande estilo, FHC fez um balan\u00e7o das duas gest\u00f5es ao editor-chefe e apresentador do Jornal Nacional, William Bonner. Mostrou como \u00e9 \u00e1rido o caminho da governan\u00e7a, relatou feitos e criticou aos que se arvoram a prometer o imposs\u00edvel durante a campanha. Esqueceu, por\u00e9m, de dizer que ele tamb\u00e9m para se eleger andou pelos palanques com a m\u00e3o espalmada a alardear as cinco metas de sua administra\u00e7\u00e3o: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, moradia, trabalho e seguran\u00e7a. Efetivamente, n\u00e3o \u00e9 esse o legado que vai deixar para o sucessor &#8212; e esse restinho de governo vem demonstrando nem a dura e crua realidade brasileira.<\/p>\n<p>04. Mas, como diria Jos\u00e9 Serra na campanha, escondendo a condi\u00e7\u00e3o situacionista, vamos falar do futuro, j\u00e1 que estamos com um p\u00e9 nesse novo tempo. O presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u00e9 useiro o vezeiro em falar em pacto social. Pressup\u00f5e um amplo &#8212; e in\u00e9dito &#8212; entendimento do todos os segmentos sociais em prol do desenvolvimento social. Vale lembrar dos detalhes, diria, importante: h\u00e1 uma s\u00e9rie de interesses em jogo (alguns absolutamente antag\u00f4nicos), e, de outro modo, a id\u00e9ia n\u00e3o \u00e9 nova: remonta aos idos dos anos 80 quando o ent\u00e3o ministro do Trabalho, Almir Pazzianotto, tentou em v\u00e3o emplac\u00e1-la.<\/p>\n<p>05. De in\u00edcio, entende-se que h\u00e1 pontos comuns entre os diversos setores. A grosso modo, trabalhadores e empres\u00e1rios concordam em temas como reforma fiscal, reforma da previd\u00eancia, apoio \u00e0 pequena e m\u00e9dia empresa, flexibiliza\u00e7\u00e3o das leis trabalhistas e \u00eanfase ao setor produtivo para gera\u00e7\u00e3o do novos empregos. A discuss\u00e3o desses temas, certamente, vai revelar proposituras distintas de ambas as partes &#8212; e ser\u00e1 preciso uma grande dose de desprendimento para que se chegue a um denominador comum que beneficie a todos. A\u00ed, vai pesar a luz do presidente que dever\u00e1 ser o coordenador desse amplo debate nacional. Para come\u00e7o, tem uma grande pedra no seu caminho. O pessoal do Movimento dos Sem Terra (MST) j\u00e1 disse que n\u00e3o vai parar com a ocupa\u00e7\u00e3o das fazendas.<\/p>\n<p>06. Sobre o pacto social de Amir Pazzianotto \u00e9 triste, mas importante, lembrar que o pr\u00f3prio Partido dos Trabalhadores tratou de inviabiliz\u00e1-lo por consider\u00e1-lo conservador demais. Um motivo, como se v\u00ea, abrangente demais e que certamente pensava mais na sobreviv\u00eancia do partido do que propriamente no bem do Brasil. Tomara que a postura irredut\u00edvel n\u00e3o encontre respaldo nos dias atuais &#8212; e que os partidos hoje demonstrem o pensar grande que o PT n\u00e3o revelou naquela ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>07. Contradi\u00e7\u00f5es a parte, vamos, pois, fazer valer a frase do poeta. Esperar que os homens se entendam e acreditar nesse novo Brasil que saiu das urnas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;H\u00e1 muitas raz\u00f5es para duvidar e uma s\u00f3 para crer&quot; (Carlos Drummond de Andrade)<\/p>\n<p>01. Mesmo com atraso de uma semana. 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