{"id":10305,"date":"1998-07-10T00:00:00","date_gmt":"1998-07-10T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T03:29:03","modified_gmt":"2017-09-15T03:29:03","slug":"sao-taffarel-e-o-9-de-julho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/sao-taffarel-e-o-9-de-julho\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Taffarel e o 9 de julho"},"content":{"rendered":"<p>01. Sei de antem\u00e3o que falar de outro assunto que n\u00e3o seja Copa do Mundo \u00e9 perder o leitor no primeiro par\u00e1grafo. Por isso, n\u00e3o quero correr riscos. Afinal, as emo\u00e7\u00f5es de Brasil e Holanda permanecem vivas nos cora\u00e7\u00f5es e mentes dos brasileiros de todos os quadrantes e em todas as partes do mundo. A explos\u00e3o de felicidade da nossa gente, quando S\u00e3o Taffarel operou dois milagres a nosso favor, foi de comover o mais insens\u00edvel dos mortais. Ali\u00e1s, ao longo de todo Mundial, chama a aten\u00e7\u00e3o o s\u00fabito acesso de patriotismo, civismo e senso de fraternidade que baixou peremptoriamente sobre n\u00f3s. Verde e amarelo. As cores da P\u00e1tria passaram a dar o tom da moda. Transformaram-se em filigranas de sonhos. Raz\u00e3o de vida. E comemora\u00e7\u00f5es&#8230; Sou brasileeeiroo, com muito orgulhooo. Vozes nativas ecoam por todo planeta.<\/p>\n<p>02. N\u00e3o \u00e9 de hoje, vale lembrar, que o futebol promove esse espont\u00e2neo fen\u00f4meno da integra\u00e7\u00e3o nacional. Inverte a cruel ordem social que se v\u00ea nas ruas e determina a democracia da bola rolando. Todos somos iguais de quatro em quatro anos, quando a Copa come\u00e7a e a sele\u00e7\u00e3o entra em campo. Sofremos as mesmas dores e incertezas, nos Jardins ou na periferia. Comemoramos os mesmos gols, as mesmas vit\u00f3rias, tanto l\u00e1 como c\u00e1&#8230; E vamos l\u00e1! A Ta\u00e7a do Mundo \u00e9 nossa (ao menos enquanto nossos concidad\u00e3os n\u00e3o roubarem e derreterem como fizeram com a Jules Rimet).<\/p>\n<p>03. Se o caro leitor me permitir, vou escapar um pouco das lides parisienses. Gostaria de lembrar que, em outras \u00e9pocas, causas menos ol\u00edmpicas (e mais afeitas ao nosso dia-a-dia) tamb\u00e9m faziam a cabe\u00e7a da nossa gente, orgulhosa de seus princ\u00edpios. O 9 de julho \u00e9 um exemplo que merece ser lembrado. Reverencia a luta do povo paulista em defesa da constitui\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds e da legitimidade das institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>04. O feriado de ontem \u00e9 a data magna dos paulistas. Que literalmente pegaram em armas pela defesa de um ideal. A Assembl\u00e9ia Constituinte era promessa de Get\u00falio Vargas em sua campanha pela Alian\u00e7a Liberal e na Revolu\u00e7\u00e3o de 1930. O caudilho hesitava em cumprir o trato. Atos p\u00fablicos e grandes manifesta\u00e7\u00f5es populares culminaram no dia 23 de maio de 32, com a repress\u00e3o policial e a morte de quatro estudantes: Martins, Miragaia, Dr\u00e1uzio e Camargo.<\/p>\n<p>05. A Revolu\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio com as tropas da Segunda Regi\u00e3o Militar e da For\u00e7a P\u00fablica ocupando pontos estrat\u00e9gicos da cidade. Violentos combates foram travados entre essas tropas e um enorme exerc\u00edcio de volunt\u00e1rios constitucionalistas. Mesmo com o fim das hostilidades em 27 de setembro, a situa\u00e7\u00e3o demorou para voltar ao normal. S\u00f3 em 34, a nova Constitui\u00e7\u00e3o foi promulgada e o paulista Armando de Sales de Oliveira foi nomeado para a interventoria do Estado. A Revolu\u00e7\u00e3o Constitucionalista conseguiu seu objetivo, com apoio de todos os paulistas.<\/p>\n<p>06. Isto posto, voltemos a Paris&#8230; (se \u00e9 que existe algum leitor atento a narrativa). Rezemos pelo penta e por S\u00e3o Taffarel, que estaremos em boas (e santas) m\u00e3os&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. Sei de antem\u00e3o que falar de outro assunto que n\u00e3o seja Copa do Mundo \u00e9 perder o leitor no primeiro par\u00e1grafo. Por isso, n\u00e3o quero correr riscos. 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