{"id":10312,"date":"1998-03-01T00:00:00","date_gmt":"1998-03-01T00:00:00","guid":{"rendered":""},"modified":"2017-09-15T04:03:49","modified_gmt":"2017-09-15T04:03:49","slug":"a-opiniao-publica-de-olho-no-congresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rodolfomartino.com.br\/blog\/a-opiniao-publica-de-olho-no-congresso\/","title":{"rendered":"A opini\u00e3o p\u00fablica de olho no Congresso"},"content":{"rendered":"<p>01. N\u00e3o se iluda caro leitor. Todos os esfor\u00e7os que o Congresso Nacional demonstrou, nesta semana, para que o deputado S\u00e9rgio Naya seja eliminado de seus quadros s\u00e3o meros jogos de cena, pr\u00f3prios de um ano eleitoral. Naya, o deputado que virou not\u00edcia nacional por ser o propriet\u00e1rio da empresa que construiu (?), o pr\u00e9dio que veio abaixo no Rio, caiu em desgra\u00e7a junto a seus pares, exatamente para que n\u00e3o respingue em qualquer outro parlamentar os estragos da s\u00fabita m\u00e1-fama. Vai que a opini\u00e3o p\u00fablica resolva pressionar as autoridades e a Imprensa para que realizem um &quot;quem \u00e9 quem&quot; na C\u00e2mara Federal e no Senado. Quantos s\u00e9rgio-nayas existem por l\u00e1, com seus castelos de areia e as suas bravatas, comuns a quem se habitua ao Poder&#8230; Todos, como Naya, acobertados pela tal imunidade&#8230;<\/p>\n<p>02. Por isso, o PPB de Paulo Maluf n\u00e3o teve d\u00favidas de sumariamente expuls\u00e1-lo da corpora\u00e7\u00e3o ainda na quarta-feira. Mesmo dia que o presidente Fernando Henrique, o presidente do Senado Ant\u00f4nio Carlos Magalh\u00e3es e o presidente da C\u00e2mara Michael Temer receberam uma comiss\u00e3o de ex-moradores do pr\u00e9dio sinistrado. Cada uma dessas insignes personalidades foi premiada com um torr\u00e3o de pedra do Palace que se esfarelou semana passada. A cena da entrega teve um tom de dramaticidade e outro tanto de rid\u00edculo. O drama obviamente ficou por conta do gesto desesperado de quem vivenciou dias de agonia e dor, alguns deles inclusive com a perda de entes queridos. O rid\u00edculo coube \u00e0s autoridades. Temer, visivelmente constrangido, segurou a pedra com extremo cuidado, medo talvez que virasse p\u00f3 em suas m\u00e3os. O baiano ACM manteve dist\u00e2ncia. Olhou de esguelha e deixou para que um dos moradores se incumbisse da demonstra\u00e7\u00e3o. A pedra n\u00e3o resistiu ao primeiro pressionar dos dedos. J\u00e1 o presidente Fernando Henrique n\u00e3o teve d\u00favidas em exibir o peda\u00e7o de pedra como trof\u00e9u. O gesto preconizava justi\u00e7a acima de tudo. Mas, dentro dos par\u00e2metros da lei, como bem ressaltou. Ou seja, por enquanto, nada de concreto para os reclamantes.<\/p>\n<p>03. Al\u00e9m da saga de S\u00e9rgio Naya, outro fato (desta vez, genuinamente pol\u00edtica) agitou as conversas e os bastidores do Congresso. A conven\u00e7\u00e3o nacional do PMDB, marcada para domingo, vem acalentando uma s\u00e9rie de especula\u00e7\u00f5es. Explica-se o motivo de tamanho interesse: a maior agremia\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do Pa\u00eds aparece, neste preciso momento, como o fiel da balan\u00e7a da elei\u00e7\u00e3o presidencial deste ano. Duas vertentes peemedebistas v\u00e3o para o confronto democr\u00e1tico. Uma delas defende uma candidatura pr\u00f3pria \u00e0 Presid\u00eancia. O nome escolhido: o ex-presidente Itamar Franco. Outra prefere apostar na reelei\u00e7\u00e3o de FHC e, desse modo, preservar os espa\u00e7os que j\u00e1 usufruem no governo tucano. H\u00e1 ainda uma terceira que garante que a melhor solu\u00e7\u00e3o \u00e9 chutar toda e qualquer decis\u00e3o para junho. Esses senhores, espertos, com anos e anos de praia, ou melhor de Planalto, sabem que o tempo, nesses casos, pode sugerir outras tantas (e produtivas) rodadas de negocia\u00e7\u00f5es. E em pol\u00edtica, ao menos em terras tupiniquins, n\u00e3o conv\u00e9m fechar uma porta, sem escancarar outras tr\u00eas ou quatro&#8230;<\/p>\n<p>04. Explica-se tamb\u00e9m a import\u00e2ncia da conven\u00e7\u00e3o do PMDB pelo que interpretam as pesquisas de opini\u00e3o p\u00fablica at\u00e9 aqui. Com Itamar, um dos pais do Real, no p\u00e1reo, o segundo turno \u00e9 mais do que prov\u00e1vel. E esse segundo turno n\u00e3o interessa nada, nada aos que se dizem ap\u00f3stolos da reelei\u00e7\u00e3o. O rival de FHC, fosse ele o pr\u00f3prio Itamar, fosse Lula (apesar dos desvarios de Brizola que anunciou ter recebido mensagens do al\u00e9m de Get\u00falio Vargas) ou mesmo Ciro Gomes, enfeixaria as outrora chamadas for\u00e7as democr\u00e1ticas, enquanto para o atual presidente restaria o apoio daqueles que, nos tempos obscuros, apoiaram o autoritarismo&#8230; Convenhamos, n\u00e3o seria f\u00e1cil explicar ao eleitorado o porqu\u00ea dos inimigos de ontem se transformarem nos aliados de hoje&#8230; Assim como n\u00e3o est\u00e1 sendo f\u00e1cil, para n\u00f3s, entender se o tal neoliberalismo \u00e9 sin\u00f4nimo de modernidade porque o Pa\u00eds caminha inexoravelmente para tr\u00e1s&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>01. N\u00e3o se iluda caro leitor. 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